Previ faz nova tentativa de vender controle da Paranapanema

Em: 21 de junho de 2010
Passado o pior da crise, a Previ faz nova tentativa de se livrar de um dos maiores problemas de seu portfólio.
Passado o pior da crise, a Previ faz nova tentativa de se livrar de um dos maiores problemas de seu portfólio.

Passado o pior da crise, a Previ faz nova tentativa de se livrar de um dos maiores problemas de seu portfólio. O presidente do fundo de pensão, Ricardo Flores, afirmou que a venda do controle da Paranapanema está novamente sendo estudada, dois anos depois da última tentativa frustrada de procurar um comprador. Em 2008, a Previ chegou a nomear o UBS para procurar um vendedor, e a Vale chegou a analisar a compra de alguns ativos da empresa.
A Paranapanema possui unidades de produção de semimanufaturados de cobre (a serem usados na indústria de eletroeletrônicos e automobilística, por exemplo) e de fertilizantes. Tem como principais acionistas a Previ, com 24%, o BNDES, com 17%, Petros, com 11,8%, e o fundo de investimentos EWZ, com 7%.
“Está sendo pensado, mas não temos definição’’, disse Flores, sem revelar detalhes. Segundo o jornal “Valor Econômico’’, o Banco Itaú BBA está procurando um comprador para a companhia, e as negociações estão adiantadas com o grupo alemão Aurubis.
Comprada há 14 anos, a Paranapanema sempre foi um vazadouro de recursos. Até a crise, em 2008, a Previ já tinha enterrado mais de R$ 1,5 bilhão, entre desembolsos para a compra da empresa, prejuízos amargados ao longo de vários anos e uma operação que transformou dívida em ações, realizada em 2008, cuja parte que coube ao fundo de pensão chegou a R$ 150 milhões.
Três problemas principais dificultavam o crescimento da Paranapanema, dizem especialistas. O primeiro é que a empresa encontra-se no meio de uma cadeia produtiva: tem uma unidade de produção de itens básicos de cobre mas, como não tem minas nem vende diretamente à indústria, é vulnerável: quando o cobre subia demais, não consegue repassar os custos. E quando caem demais, perde rentabilidade.
O outro problema advém do fato de sua unidade principal, de processamento de cobre, ser vista como defasada. Isso porque, como a empresa dava pouco resultado, não havia recursos para investimentos. Além disso, a grande dívida que carregava piorava ainda mais sua situação. Essa dívida foi transformada em participação acionária, na reestruturação de 2008.
Com a reestruturação da dívida e a venda de alguns ativos, a empresa fechou 2009 com uma receita líquida de R$ 2,5 bilhões, queda de 27,9% em relação a 2008, e lucro 46% maior, passando de R$ 133 milhões para R$ 194 milhões.
Seu valor de mercado, à cotação de 31 de maio, é R$ 1,7 bilhão, ou 0,6% do da Vale, que é de R$ 253 bilhões.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar