Mesmo cautelosos em relação ao aumento dos preços das alternativas de presentes mais procuradas, 67% dos consumidores amazonenses mostraram disposição em ir às compras no Dia das Mães, sendo que a maioria pretende deixar em compras no setor até R$ 300.
A sazonalidade do varejo esperada pelos lojistas pode ainda fazer o comércio local ultrapassar entre 5% e 7% o faturamento de igual período do ano passado.
Os dados, divulgados simultaneamente pela Fecomercio (Federação do Comércio do Estado do Amazonas) e FCDL (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas), apontam ainda que a inserção de 3.800 trabalhadores no comércio durante o acumulado dos últimos 12 meses, aumentou a expectativa dos empresários em ampliar a margem de investimentos na abertura de novas empresas.
O presidente da FCDL, Ralph Assayag, disse que o comércio encara o próximo Dia das Mães como o termômetro para os cálculos das compras no acumulado do semestre, que começam a ser definidos já em meados de junho. Embora tenha evitado maiores estimativas para os primeiros seis meses, o executivo fez questão de frisar que, uma vez observada o total de contribuição de impostos do comércio durante o primeiro trimestre, cujo volume ultrapassou em mais de 7% o mesmo período do ano passado, a primeira metade do ano pode trazer boas surpresas para o empresariado local.
“Se no ano passado, o comércio do Amazonas já havia registrado uma alta de aproximadamente 3,25% nas operações de venda à vista e a prazo no Dia das Mães, para este ano as entidades do setor trabalham com estimativas de crescimento de até 7% em relação a 2008. Portanto, a respeito da crise financeira, o varejo espera sim uma expansão já em cima de uma alta no ano anterior”, considerou.
A outra boa notícia foi dada pela Fecomercio, segundo a qual os consumidores ainda continuam com suas intenções de compra para outros bens de consumo de natureza pessoal neste mês. Nesse contexto, ainda segundo a entidade, destacam-se os setores de vestuário (18,5%), calçados (11,5%), utilidades domésticas (10,5%), material de construção (4,3%), móveis e decorações (4,3%) e celular (4,0%) entre os itens mais cogitados para a procura na hora do presente.
Consumidor ainda não sabe o que vai comprar
Na prática, a Fecomercio não tem uma estimativa fechada de desempenho para o período, embora os números de intenção de compra e confiança do consumidor amazonense mostrem que o ritmo de demanda do comércio deva ser concretizado durante o período.
O economista-chefe da Fecomercio, José Fernando Silva, chamou atenção ainda para um detalhe novo na pesquisa: mais de 24% dos 67% que pretendem adquirir produtos ainda se mantêm indecisos sobre quais itens comprar. “Ou seja, existe uma boa fatia de consumidores que vão comprar, mas não sabem exatamente o que vai ser. Essa indecisão pode ser resultante da perspectiva dos consumidores em relação à disparada dos preços dos produtos, demonstrando certo grau de preocupação na economia para os próximos meses”, considerou.
Hábitos oscilam
Mas nem tudo é um mar de rosas para o comércio local. Na análise do desempenho dos principais indicadores da pesquisa de intenção de compra, a Fecomercio observou certas oscilações ocorridas na situação financeira familiar e na empregabilidade do amazonense. Segundo a entidade, essas oscilações influenciaram diretamente nos hábitos de consumo das famílias e na situação econômica dos amazonenses, que se apresentam cautelosos quanto à aquisição tanto de bens duráveis, quanto de semiduráveis.
“Já em relação à empregabilidade, a escassez de emprego se reflete na situação financeira da família amazonense, pois para 57,5% dos entrevistados a situação permanece a mesma quando comparada com o mês anterior. A perspectiva para os próximos seis meses também não é nada animadora, pois 47,2% relataram que a situação permanecerá a mesma, sendo que para 16,8% estará um pouco ou muito pior”, concluiu Silva.
Já o economista Álvaro Smont prefere acreditar que a data comemorativa ganha peso porque é alvo de atenção redobrada da indústria. No entendimento do especialista, os resultados das vendas do comércio servirão como base de comparação para o desempenho do período natalino nas vendas de vestuário e calçados. “Para não errar na conta do estoque de fim de ano, as fábricas fazem estimativas de olho nos resultados de maio. Essa atenção ganha destaque por causa de erros no passado. Por cálculos equivocados, já sobrou e faltou mercadoria em natais anteriores. Em 2000, salvo engano, faltou eletroeletrônico nas lojas. Em 2002, faltaram celulares. O Dia das Mães é uma data de peso e será um bom termômetro sim para as vendas de fim de ano”, finalizou.







