Procura maior por produtos de alto custo

Em: 17 de abril de 2013
Pesquisa Nielsen mostra que apesar do crescente endividamento, consumidor mantém vulnerabilidade
Pesquisa Nielsen mostra que apesar do crescente endividamento, consumidor mantém vulnerabilidade

Dados do Instituto Nielsen dão conta que o ICC (Índice de Confiança do Consumidor) cresceu em 20 pontos nos últimos 10 anos. O que propiciou ao consumidor buscar produtos de maior valor agregado. Produtos considerados de alto custo tiveram um crescimento de 9,6% se comparados a 2011. O crescimento da classe média, que hoje representa 48% da população do Amazonas e mais da metade da população do país, segundo o SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), alavancado por ações promocionais, são os principais fatores para essa mudança no perfil do consumidor.
Apesar do aparente crescimento, o número de endividados e inadimplentes preocupa. Dados do instituto dão conta que o número de compras realizadas através do cartão de crédito cresceu 10% nos últimos 10 anos. Porém esse aumento nos créditos resultou em um aumento da dívida. Em 2005 esse número chegava a 21,5%, contra 44,5% ano passado. A inadimplência bateu recorde no fim do ano passado chegando a 150 pontos percentuais. Para o economista Francisco Mourão Junior “É preciso que o consumidor veja o que é realmente necessário, faça um planejamento das suas contas, para que essas dívidas não continuem crescendo, se não chegará uma hora que eles não poderão continuar consumindo e é ruim para o consumidor e para o comércio.”
A renda média de um consumidor da classe média, segundo o instituto, equivale hoje a R$ 2.658. Desses 29,1% são gastos para a manutenção do lar e 17,15% com alimentação, bebida e produtos de limpeza. Apenas 1,6% são gastos com algo referente ao estudo, como mensalidades, matrículas e livros, o que dá apenas R$ 41 por mês. O valor é menor que o gasto para comer fora, 5,4% ou R$ 144, e vestuário, 8% ou R$ 211 por mês. Francisco Mourão Jr. explica que essa nova classe média é formada sobretudo por consumidores jovens e que deveriam buscar mais investimentos em qualificação. “Estão se preocupando com o agora, com consumo, passeio, celulares novos e não se preocupam em investir para tentar aumentar essa renda no futuro. Não se tem uma preocupação a longo prazo”, critica. Os números dão conta também que nos últimos três anos o consumidor gastou 47% a mais com veículo próprio, 44% a mais comendo fora e 12% a mais com viagens.
O Instituto ressalta que a principal missão do consumidor da classe média é manter o bem estar já adquirido. O desafio não é crescer em volumes, mas na manutenção das escolhas. A classe “C” vem ampliando sua participação no consumo com o aumento da renda, experimentando a expansão do crédito e diversificando seus gastos. O Analista de mercado da Nielsen, Bernardo Canella ressalta que muitas dessas dívidas são de longo prazo, como habitação e veículos. “É justamente nesse ponto que nossa análise quer chegar, apesar de estar mais endividado ele ainda busca qualificar o seu consumo; aí que entra o desafio do varejo e indústria para que o consumidor possa satisfazer seus anseios”, explica.

Brasil oferece maior elasticidade nas compras pelo preço

A pesquisa revela que na America Latina, o Brasil é o que apresenta maior elasticidade nas compras de acordo com a variante do preço. Com índice de 183 pontos, contra 116 de Argentina e 51 da Venezuela, por exemplo. Entre esses, alimentos e cuidados com a casa são os que se apresentam como mais elásticos. 51% da classe média possuem essa percepção para promoções e esta é a principal forma de experimentação de novos produtos por parte do consumidor. Apesar de demonstrar uma grande procura por marcas com referências como forma de melhorar a qualidade dos produtos, as promoções tendem a levar o consumidor a testar, experimentar as novas marcas em ascensão. “Tem espaço para todo mundo, é o desafio da distribuição e execução do ponto de venda, alguns fatores que são importantes para todas as marcas”, comenta Bernardo Canella.
As promoções que apresentam maior estimulo para o consumidor são as do tipo “leve e pague”. Aquelas em que o consumidor paga por duas unidades e teoricamente leva uma terceira de graça, por exemplo. Ela contribui em média com 10,9% no aumento das vendas, contra 4,4% da diminuição de preço convencional e 1% do incremento de brindes. O economista Francisco Mourão Jr. ressalta esse ponto como positivo. “Demonstra uma preocupação de buscar algo mais barato apesar de querer consumir marcas boas.” No entanto ele ressalta que o consumidor deve cuidar para não acabar gastando mais. “Tem que ver se há essa necessidade, se irá consumir o produto, se não o gasto pode acabar saindo maior, o que era para ser economia vira prejuízo”.
O crescimento do sistema ‘Cash & Carry’ também apresentou crescimento de 16,6% no final do ano passado. O princípio do ‘Cash & Carry’ é que seja o próprio cliente a escolher o produto diretamente nas prateleiras, comprando-o e levando-o com ele, evitando assim os custos com vendedores, com transportes e com diversos tipos de serviços não essenciais. Por outro lado, o mix de produtos é geralmente menor do que nos tradicionais e estes são vendidos em embalagens institucionais de grande dimensão, o que permite a prática de preços mais baixos. Já a procura por Hipermercados apresentou um decréscimo de 1,7%.

A importância da propaganda

Outra característica apontada para o consumidor brasileiro é a de ser um consumidor multi meio, que troca informação sobre preços e lançamentos com familiares, consulta jornais, assiste novela e noticiários atrás do que consumir. A pesquisa aponta que 67% dos consumidores tem ideia do que comprar assistindo a propagandas. Número bem superior ao resto da América Latina por exemplo, que apresenta apenas 41%. Além disso 61% admitem que a propaganda influência a preferência por marcas e 54% admitem que a imagem do produto afeta a decisão da compra.
A pesquisa destaca também a importância dos novos meios de comunicação para conquista desse consumidor. Segundo os dados, 96% assistem televisão regularmente e 41% acessam a internet em casa. 43% executam as duas ações simultaneamente. Os programas mais assistidos durante o consumo simultâneo são telejornais (53%), novelas (52%), filmes (30%) e esportes (26%).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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