Produção de biodiesel inicia em 2010

Em: 6 de maio de 2009
A produção estadual de biodiesel será iniciada em janeiro de 2010, com investimentos de R$ 20 milhões no primeiro ano
A produção estadual de biodiesel será iniciada em janeiro de 2010, com investimentos de R$ 20 milhões no primeiro ano

A produção estadual de biodiesel será iniciada em janeiro de 2010, com investimentos de R$ 20 milhões no primeiro ano. A empresa responsável pela fabricação, Biomaza Biocombustíveis da Amazônia, prevê até 2014 elevação de 400% na produção dos primeiros 12 meses, que será de até 15 milhões de litros. A estimativa é que sejam gerados 225 empregos diretos até o começo da produção.
A Biomaza – Biocom­bus­tíveis da Amazô­nia é a primeira iniciativa comercial para produzir biodiesel no Estado. Antes feito apenas pelos laboratórios experimentais da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agro­pecuária), localizados no rio Urubu, o biodiesel amazonense será realidade em sete meses.
Em 2014, a produção da fábrica suprirá a demanda do Amazonas, que hoje é de 30 milhões de litros e atenderá 40% do conteúdo distribuí­do para os Estados do Acre, Rondônia, Roraima e Pará.
A expectativa do presidente da empresa, Iderlom Azevedo, é que sejam introduzidos 825 empregos diretos e indiretos no estado. “Quando a fábrica estiver operando com plena capacidade, em 2014, serão 225 empregos diretos e 650 indiretos”.
Para concretizar os primeiros investimentos e garantir a comercialização da produção, a empresa firmou parcerias com a Sepror (Secretaria de Estado de Produção Rural) e Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas) para organizar a extração de vegetais como babaçu e buriti, por meio de cooperativas rurais, gerando emprego e renda no interior do estado. Além destes órgãos, a empresa espera firmar convênios com outros segmentos da administração estadual e municipal como o IMTT (Instituto Municipal de Transportes Urbanos) para que toda a frota do transporte coletivo de Manaus circule com biodiesel.
Segundo o secretário da Sepror, Eron Bezerra, a secretaria apoia esta ação que visa à preservação do meio ambiente e a geração de empregos no estado. “As negociações sobre o lançamento de uma campanha de conscientização sobre a reciclagem do óleo de cozinha está avançada e logo trará resultados”, disse.

Efeito estufa

Se a prefeitura da capital adotar este tipo de combustível, todos os 1.788 veículos da cidade estarão contribuindo para a diminuição do efeito estufa. O gás emitido pelos automóveis consumidores dos combustíveis fósseis (dióxido de carbono) polui 23 vezes mais que o diesel natural.
Segundo a assessoria de comunicação da Seplan (Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico do Amazonas), a secretaria ainda estuda todas as propostas da empresa, inclusive as futuras parcerias que viabilizariam as metas de crescimento da produção no primeiro ano de atividade.

Sobre o biodiesel

O biodiesel é fabricado a partir da colheita de vegetais oleaginosos, que depois de separados de ramos e galhos são prensados mecanicamente, num processo denominado extrusão. Em seguida, o óleo resultante do extrusamento é misturado com metanol e etilato de sódio. Esta mistura é decantada (processo químico que separa elementos sólidos e líquidos) e origina a glicerina e o biodiesel.
De acordo com a ANP (Agência Nacional de Petróleo), o diesel nacional possui 3% de biodiesel em sua composição, desde junho de 2008. Quando o combustível diesel possui este percentual de “diesel natural” é chamado de Diesel B-3. A quantidade de biodiesel é estabelecida pela ANP.
O setor de biocombustíveis brasileiro espera que a agência reguladora aumente, ainda este mês, a utilização do biodiesel na estrutura do diesel. Apostando nesta medida, Azevedo, acredita que isso “alavancaria a produção estadual já no primeiro ano, que poderia chegar a 25 milhões de litros de biodiesel nos dois primeiros semestres”.

Reciclagem de óleo de cozinha produz combustível

A reutilização do óleo de cozinha usado em frituras, breve terá outra destinação no Estado do Amazonas, que não seja o esgoto. A empresa Biomaza Biocombustíveis da Amazônia, que em 2010 estará produzindo biodiesel no PIM (Polo Industrial de Manaus), planeja uma campanha para a coleta deste óleo. O Brasil lança 9,5 bilhões de litros de óleo de cozinha no meio ambiente todos os anos e somente 2,5% são reciclados. Esta campanha será executada em parceria com as secretarias estaduais e municipais do setor de desenvolvimento e meio ambiente.
A vereadora Marise Mendes (PTB) estuda apresentar uma lei específica para a coleta de grandes quantidades de óleo de cozinha usado, de acordo com a assessoria de comunicação da Câmara Municipal de Manaus. Porém, até o momento não há legislação que obrigue as empresas a tratarem este tipo de material.
Um dos exemplos positivos sobre isso, é a cidade de Curitiba (PR), onde existe coleta regular de óleo de cozinha, organizada pela prefeitura, desde março de 2007. Até o momento foram recolhidos e reciclados 28 mil litros do óleo, nos mais de 112 pontos de coleta.
Cada litro desse óleo despejado em esgotos sem tratamento, contamina 20 mil litros de água. Mas até chegar às fontes d’água, o óleo utilizado em frituras causa entupimento e rompimento das tubulações. E quando entra em contato com o solo, há contaminação dos lençóis freáticos. São fatores que encarecem o tratamento da água para o consumo humano.

Incentivo ao extrativismo

Para a produção de biodiesel serão utilizados vegetais oleaginosos típicos da região amazônica, como andiroba, copaíba, babaçu e buriti. A coleta desses produtos será feita em parceria com associação de extrativistas locais. E o beneficiamento dos produtos ocorrerá em máquinas extrusoras (esmagadoras), com capacidade para trabalhar com 2 mil kg de oleaginosas por hora. Este tipo de industrialização de vegetais próprios para a produção do biodiesel é mesmo usado na fabricação de óleos essenciais, matéria-prima para produção de cosméticos.

Parceria de sucesso

Uma das iniciativas já propostas para responder aos problemas ambientais é o desenvolvimento do estudo de viabilidade técnica para a implantação do projeto “Biodiesel através de Óleo Vegetal Usado na Cidade de Manaus”, este é o nome do projeto, resultado da parceria da Sect-AM (Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia) com a associação de moradores do bairro Terra Nova, Ufam (Universidade Federal do Amazonas) e com financiamento da Seplan R$ 70 mil, de acordo com a assessoria de comunicação da Sect-AM.
O projeto está sendo executado na comunidade Rio Piorini, no bairro Terra Nova, Zona Norte de Manaus, que tem desenvolvido com sucesso o aproveitamento do resíduo do óleo de cozinha para obtenção de sabão (líquido e em barras), beneficiando pessoas da comunidade.
Para o secretário da Sect-AM, José Aldemir de Oliveira, mesmo tendo um baixo custo o projeto atinge um impacto social e ambiental importante. “O resultado esperado é a criação de mecanismos de aproveitamento para geração de combustível ou de outros produtos, sendo que o foco principal é apontar a viabilidade econômica para beneficiar a comunidade”, explicou.
A partir de projetos semelhantes em outros lugares do país é possível se utilizar do óleo de cozinha, que geralmente é descartado no lixo comum, para a produção do biodiesel. O resultado do levantamento de viabilidade técnica está previsto para o mês de julho e a estimativa é de que o projeto possa beneficiar cerca de 500 pessoas.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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