A indústria de motocicletas do PIM manteve velocidade em novembro, apesar da crise logística gerada pela vazante histórica. Com dificuldades de receber insumos e desovar produção, o Polo Industrial de Manaus manteve estabilidade em relação a outubro – que teve dois dias úteis a mais. As 131.947 unidades fabricadas, no entanto, representaram alta de 2,1% sobre o mesmo mês do ano passado e o melhor resultado para o período, desde 2013. Em 11 meses, as montadoras sustentaram um incremento de 9,6%, ao somar 1.454.955 motocicletas, o melhor resultado em 11 anos.
As vendas domésticas de motocicletas também bateram recorde, no melhor número desde 2011, mas perderam velocidade na variação mensal. Mas, as exportações encolheram em todas as comparações. Os números foram divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), nesta terça (14). A entidade mantém seus números para 2023, que apontam para elevações de 10,4%, na produção (1.560.000), e de 10,9%, nos emplacamentos (1.511.000), além de uma queda de 11,5% nas vendas externas (49.000).
Em texto distribuído pela assessoria de imprensa da Abraciclo, o presidente da entidade, Marcos Bento disse que o resultado alcançado reflete o empenho das fabricantes em superar as dificuldades impostas pela estiagem. “Os impactos foram minimizados, graças ao esforço da indústria em buscar alternativas logísticas para manter o mercado abastecido”, pontuou.
Na avaliação do executivo, independentemente dos problemas sazonais, a procura pela motocicleta deve manter tendência de alta nos próximos meses, em razão das vantagens inerentes ao produto. “É um veículo com preço acessível, econômico e de baixo custo de manutenção. Além disso, é uma opção para evitar os congestionamentos nos grandes centros urbanos”, listou.
Varejo e exportações
O volume de motos ‘made in ZFM’ comercializado no varejo interno desacelerou 5,2% entre outubro (137.740) e novembro (130.514). O confronto com o mesmo mês de 2022 (123.214) apontou acréscimo de 5,9% e o melhor escore para o mês desde 2011. De janeiro a novembro, os emplacamentos (1.449.235) escalaram 17,8%. O Sudeste concentrou 37,6% (544.900) das vendas do acumulado do ano. Na sequência estão o Nordeste (31% e 448.700), o Norte (13% e 188.100), o Centro-Oeste (9,7% e 140.600) e o Sul (8,8% e 126.900). A maior taxa de crescimento veio do Nordeste (+23,1%).
Motocicletas de baixa cilindrada (até 160 centímetros cúbicos) representaram 81,8% (1,18 milhão) das vendas domésticas, nos 11 meses iniciais do ano. Os modelos de 161 a 449 cilindradas responderam por 15% (217.500) – e a maior alta (+25,4%). Os veículos acima de 450 cilindradas contribuíram com 3,2% do total (45.900). A categoria Street (746.700) reinou absoluta, com 51,5% dos licenciamentos, sendo seguida pela Trail (18,4% e 266.400), Motoneta (14,3% e 206.700), Scooter (8,9% e 128.600) e Naked (2,2% e 32.400) – que alcançou o maior acréscimo proporcional (+38,5%).
Em contrapartida, as exportações, reforçaram baixa, após o breve respiro do levantamento anterior. As vendas retraíram 28,8% entre outubro (2.006) e novembro (1.436), além de desabarem 61,1% frente ao dado de 12 meses atrás (4.047). Com isso, o acumulado do ano ainda está 38% abaixo da marca do mesmo período de 2022, não passando de 31.862 unidades – o menor número para o período desde 2020 (29.300), primeiro ano da pandemia. Conforme o portal Comex Stat, os principais destinos das exportações nos 11 meses iniciais de 2023 foram Argentina, Colômbia e EUA.
Em recente coletiva de imprensa, Marcos Bento assinalou que um dos fatores que contribuem para a retração nas vendas externas de motocicletas do PIM é a “desarmonia da legislação brasileira de emissões”, em relação aos destinos dos embarques.
Apostas mantidas
Com diferentes desempenhos mediante a crise logística, as principais montadoras do PIM mantêm suas apostas para os próximos meses. Dados da Abraciclo informam que novembro marcou o mês de menor produção da Yamaha (10.385) neste ano, configurando um tombo de 61,04% ante igual período de 2022 (26.661). No acumulado do ano (263.518), no entanto, o saldo ficou positivo em 12,48%, sendo que a meta da montadora japonesa para sua unidade fabril em Manaus é encerrar 2023 com crescimento de 10% em suas linhas de montagem.
“A motocicleta é a solução de mobilidade mais eficaz, quer nos centros urbanos, quer pelo interior. É perfeita para o lazer urbano e fora de estrada. Torna a vida das pessoas mais simples, com agilidade nas entregas, no ir e vir complementar ao transporte coletivo. Há tempos é assim e não há expectativa de mudanças desse cenário. O ano de 2024 seguirá sendo desafiador, mas com indícios de crescimento gradual e sustentado, superando os números deste ano”, afiançou o gerente de Relações Institucionais da Yamaha, Afonso Cagnino.
1.042.903
De janeiro a outubro de 2023, a Honda produziu mais de 1,13 milhão de unidades, atingindo alta de 8,77%, conforme os dados da Abraciclo. Em novembro, 118.954 motocicletas saíram da fábrica, em número já superior ao de outubro (111.971), e com incremento de 21,43% sobre novembro do ano passado. A projeção para 2023 ainda é de um crescimento “gradual e consistente”, com um volume “mais de 10%” superior ao de 2022.
Segundo o vice-presidente industrial da Moto Honda, Julio Koga, a produção vem acompanhando a tendência dos resultados comerciais, uma vez que a demanda segue aquecida no varejo. “É um resultado positivo, que demonstra o fortalecimento das nossas estratégias comerciais, o grande esforço feito para aumentar o plano de produção e o quanto a demanda por motocicletas segue aquecida. O veículo tem cada vez mais protagonismo, seja para uma solução de mobilidade mais conveniente e econômica, geração de renda ou até mesmo para lazer”, concluiu.







