A produção de carne suína industrial no Brasil deve crescer 4,5% em 2008. Essa é uma das informações inéditas disponibilizadas pela Embrapa Suínos e Aves, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em parceria com a Abipecs (Associação Brasileira de Indústrias Processadoras e Exportadoras de Carne Suína), no LSPS (Levantamento Sistemático da Produção e Abate de Suínos).
O LSPS é uma metodologia de previsão e acompanhamento que fornece informações importantes sobre a suinocultura brasileira. Para conhecer os dados atualizados do levantamento basta acessar a página eletrônica http://www.cnpsa.embrapa.br/ e clicar sobre o item Estatísticas/Cotações.
O Levantamento Sistemático da Produção e Abate de Suínos é resultado de uma parceria firmada em 2005 pela Embrapa Suínos e Aves e a Abipecs. É uma pesquisa de previsão e acompanhamento conjuntural da suinocultura brasileira, que tem como objetivo fornecer estimativas da oferta de animais para abate e de carne suína para consumo e processamento. Para tanto, realiza o monitoramento do alojamento de matrizes, sua produtividade e o peso médio das carcaças.
A coleta de dados é realizada sempre nos meses de março, junho e outubro de cada ano e abrange os oito estados que mais produzem suínos (Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo). “O levantamento leva em consideração também as peculiaridades regionais, a organização da cadeia produtiva e a intensidade tecnológica do suinocultor”, explicou o pesquisador Marcelo Miele, da Embrapa Suínos e Aves, que desenvolveu a metodologia juntamente com o diretor de Mercado Interno da Abipecs, Jurandi Soares Machado.
Cadeia produtiva
A obtenção dos dados é feita por meio de reuniões com associações estaduais de suinocultores, sindicatos estaduais das agroindústrias, cooperativas, órgãos públicos, universidades e outros segmentos da cadeia produtiva, como empresas de genética animal e produtos veterinários.
Essas reuniões servem para revisar os números referentes à situação atual do mercado e para estimar o comportamento da produção de suínos para o próximo ano.
De acordo com Marcelo Miele, um dos princípios básicos do LSPS é reunir evidências provenientes de mais de uma fonte com a intenção de fazer uma triangulação entre os dados e oferecer informações mais consistentes. Todo o conteúdo do LSPS está disponível no formato PDF e pode ser copiado gratuitamente.
Análises de 2008
A oferta de animais para abate e a produção de carne suína em 2008 estão praticamente dadas. Os custos de produção terão um impacto mais expressivo nas regiões dependentes de grãos e entre os suinocultores, cooperativas e agroindústrias que arcam com os riscos de altas expressivas nos custos com ração. Em relação às estratégias de mercado, duas alternativas aparecem.
A primeira deles é de manutenção da relação entre consumo doméstico e exportações, entretanto a crescente atratividade do mercado interno abre a possibilidade para uma mudança de estratégia com foco no consumidor brasileiro.
A efetivação de uma ou de outra dependerá de inúmeros fatores relacionados à relação de preços com as demais carnes, à evolução da concorrência, dos subsídios e do protecionismo no cenário internacional, e de questões relacionadas a investimentos e promoção na cadeia produtiva da carne suína.
Por fim, permanece um quadro de incerteza relacionado à evolução futuro dos preços dos grãos e, de certa forma, à capacidade do país manter o reconhecimento internacional do controle sanitário do rebanho bovino.
Espera-se com isso trazer uma contribuição aos atores da cadeia produtiva e aos formuladores de política pública para melhor vislumbrar as possibilidades que configurarão o ano de 2008.







