De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a indústria brasileira apresentou bons resultados em março deste ano, tanto do ponto de vista da produção física como do emprego. No entanto, mais do que bons resultados, os dados revelam outras características importantes da evolução recente do setor. No que diz respeito ao produto, a desagregação da produção industrial por região, em março, ameniza a conclusão a que muitos analistas vêm chegando sobre um possível superaquecimento que a economia brasileira estaria vivendo no presente momento. De acordo com os dados, a produção da indústria mais diversificada, estruturada e dinâmica do país –a de São Paulo– aumentou 0,6% em março com relação a fevereiro, na série com ajuste sazonal, bem abaixo da média geral de 2,8%, o que não confirma o “superaquecimento” econômico.
O que elevou a média brasileira foram os resultados registrados em algumas regiões que ainda apresentavam atrasos na recuperação dos seus níveis de produção após a superação da crise ou que, dada a especificidade de sua produção local, têm forte presença de setores que, nos últimos meses, por uma razão ou outra, tiveram extraordinários desempenho –como o setor automobilístico, o qual apresentou crescimento significativo devido ao término da redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) no final de março.
Cabe ilustrar a afirmação acima com dados: no Sul, a produção, que em fevereiro havia caído 1,5%, 1,9% e 5,1%, respectivamente em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, cresceu de modo expressivo em março: 3,7%, 18,6% e 4,1%, na mesma ordem (todas as taxas calculadas com relação ao mês imediatamente anterior a partir da série com ajuste sazonal). Já as indústrias do Amazonas e do Espírito Santo expandiram suas atividades produtivas em março (10,1% e 2,2%, respectivamente) mais do que compensando os resultados negativos de fevereiro (–5,0% e –0,3%, nessa ordem).
Ou seja, diferentemente de São Paulo, em muitas outras regiões a produção industrial sendo influenciada fortemente por um número menor de setores, as tornam mais suscetível ao desempenho desses segmentos. Pode-se dizer que o resultado de março refletiu, sobretudo, um ajuste positivo dos níveis de produção em setores com peso importante em algumas regiões do Brasil. Isso não quer dizer que a indústria brasileira está desaquecida. Pelo contrário, todos os indicadores mostram um avanço importante dos seus níveis de produção. O que é preciso ponderar é a conclusão sobre um crescimento “explosivo” da produção industrial.
Emprego industrial
Com relação ao emprego industrial, o aumento do número de horas pagas na indústria em março é um indicador de que o emprego industrial deverá continuar crescendo nos próximos meses. De modo semelhante ao ocorrido em fevereiro, quando o número de horas pagas e de ocupados na indústria aumentou, respectivamente, 1,4% e 0,6%, os dados do IBGE mostram crescimentos de 1,0% e 0,7%, nessa ordem, no número de horas pagas e no emprego industrial –todas as taxas com relação ao mês imediatamente anterior, calculadas a partir da série com ajuste sazonal. Vale lembrar que aumentos no número de horas pagas antecedem, em geral, novas contratações na indústria.
Não é somente nessa comparação que o número de horas pagas e o de ocupados na indústria apresentam resultados favoráveis. Com relação a março de 2009, o número de horas pagas cresceu 3,7% e o de ocupados, 2,4% –neste último caso, o melhor resultado desde agosto de 2008, quando o emprego industrial assinalou alta de 2,5%. São taxas expressivas que colocam os indicadores do mercado de trabalho da indústria brasileira mais próximos dos seus níveis de setembro de 2008, quando do agravamento da crise internacional. Ou seja, o sinal é de que o emprego industrial vai bem com perspectivas positivas à frente.
Para o aumento de 2,4% do emprego industrial em março deste ano frente a igual mês de 2009, São Paulo (2,7%) contribui mais, seguido da região Nordeste (3,5%) e Rio Grande do Sul (3,2%). O desempenho empregador da indústria paulista veio dos setores de alimentos e bebidas (4,7%), têxtil (11,1%) e papel e gráfica (6,1%). Calçados e couros (18,3%) no Nordeste e outros produtos da indústria de transformação (11,5%), máquinas e equipamentos (8,3%) e borracha e plástico (12,6%) foram os mais importantes na indústria gaúcha.







