A retomada do crédito no período pós-crise elevou em 40% o número de brasileiros com dívidas acima de R$ 5.000. Além disso, 25,7 milhões de consumidores brasileiros recorreram a empréstimos com valores acima desse valor, ou seja, cerca de 20% dos brasileiros com mais de 16 anos têm dívidas que equivalem a, pelo menos, quatro vezes a renda média nacional mensal, segundo dados divulgados pelo Banco Central na terça-feira, 18.
De acordo com o professor de finanças da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Fabio Gallo Garcia, a compra de bens duráveis é um dos motivos para esse endividamento dos consumidores brasileiros.
“Atualmente, os consumidores têm grande propensão ao consumo de bens duráveis como carros, motos, TVs de tela plana e computadores, que custam mais de R$ 5.000. Somando-se a isso, há também a falta de planejamento financeiro, que contribui ainda mais para o aumento do endividamento”, analisou.
Aceleração do consumo
Segundo Garcia, a tendência para os próximos meses é que o governo adote medidas para inibir a aceleração do consumo. “As autoridades monetárias já começaram a lançar mão de instrumentos para segurar o crescimento do consumo e, potencialmente, reduzir o endividamento. Um exemplo dessas ferramentas é o aumento da taxa Selic, que acarreta a alta dos juros”, apontou.
Para finalizar, o professor aconselha que é preciso fazer um planejamento financeiro familiar rigoroso. É necessário construir o orçamento familiar, lembra Garcia, considerando todas as receitas e despesas da casa. Com base nessa organização, prossegue o professor de finanças da FGV, deve ser verificado em que itens é possível economizar e só fazer novas dívidas que de fato caibam no bolso.
“Se você está pensando em comprar a casa própria, não pode comprometer mais do que 30% da renda mensal para o pagamento das prestações. Para a compra do carro, apenas o que couber no orçamento, já descontando todos os gastos que o carro traz como combustível, seguro, estacionamento, revisão mecânica”, concluiu.







