O transporte ferroviário de carga no Brasil está em ritmo acelerado é o que apontam os dados das concessionárias de ferrovias, operadas pelas empresas associadas à ANTF (Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários). Os números são os melhores desde a desestatização do setor em 1997. Nos seis primeiros meses do ano, por exemplo, o volume de carga transportada chegou a 229 milhões de TU (tonelada útil), crescimento de 10,2% em relação ao mesmo período do ano passado. A previsão é de que no acumulado do ano o volume alcançado seja de 494 milhões de TU, 11% acima do resultado de 2007.
Outro indicador da forte atividade é a produção. Entre janeiro e junho foi de 131,9 bilhões de TKU (toneladas por quilômetro útil), ante 121,4 bilhões do mesmo período de 2007. Isso representa aumento de 8,6%. Do total produzido no primeiro semestre, o setor de minérios e carvão mineral respondeu por 79% e o de cargas em geral por 21%. De acordo com as mais recentes projeções, a produção do transporte ferroviário de cargas em2008 será de 280 bilhões de TKU, aumento de 9% em comparação ao ano passado. “Existem dois fatores primordiais para simbolizar esse crescimento: a expansão da demanda por transporte ferroviário e os investimentos feitos pelas concessionárias”, explicou o diretor-executivo da ANTF, Rodrigo Vilaça.
Para Vilaça, a movimentação de cargas pelas ferrovias é crescente, o que por outro lado necessita de maior atenção, por parte do Governo Federal, aos gargalos que impedem esse crescimento.
No mesmo intervalo de tempo, os indicadores de acidentes apresentaram grande redução. Foram registrados 12,98 acidentes por milhão de trens/km, ante 14,39 verificados no primeiro semestre de 2007, reduzindo 9,8%. Com a permanência desse resultado atingido no primeiro semestre de 2008, os índices brasileiros se enquadraram nos padrões de referência internacionais entre 8 e 13 acidentes por milhão de trens/km. Desde o fim dos anos 90, o índice de acidentes caiu mais de 80%. “Índice esse atingido com a aplicação de recursos privados no sistema”, acrescentou Vilaça.
Investimentos no setor
O setor vai continuar com bom desempenho nos próximos anos em função dos investimentos que têm sido realizados. Somente em 2008 serão aplicados R$ 2,5 bilhões na modernização e expansão. Até 2015, mais R$ 30 bilhões. Nos últimos 12 anos, as concessionárias investiram cerca de R$ 15 bilhões. Os efeitos desse aporte de recursos são notórios. O principal deles é a quantidade de empregos diretos e indiretos criados. Atualmente são 33 mil pessoas empregadas, mais que o dobro verificado no fim dos anos 90, quando o setor foi desestatizado. “Temos um horizonte de crescimento pela frente, mas o grande desafio é a manutenção e a ampliação das malhas”, finalizou Vilaça.







