Depois de sofrer duas quedas mensais seguidas, a produção industrial do Amazonas reagiu em maio e avançou 1,2% em relação a abril. Foi um dos poucos Estados do país com números positivos nesse tipo de comparação. Em relação ao mesmo mês de 2018, a indústria amazonense subiu com mais força e chegou a 3%.
Não foi suficiente para tirar o acumulado do vermelho. De janeiro a maio, verificou-se uma melhora em relação à sondagem anterior (-3%), mas o saldo seguiu negativo em 1,8%. No aglutinado de 12 meses, houve queda de 2,8%, pouco acima da marca do mês anterior (-2,7%). Os números são da pesquisa mensal do IBGE e foram divulgados nesta sexta (12).
O desempenho mensal colocou o Estado em quarto lugar no ranking nacional e bem acima da média nacional (-0,2%). Apenas sete das 27 unidades federativas tiveram desempenho positivo nesse tipo de comparação. O grupo foi liderado pelo Pará (+59,1%), com a maior alta da série histórica, graças ao setor extrativo. A maior queda ficou no Espirito Santo (-2,2%).
Na comparação com maio de 2018, o Amazonas ficou na 11ª posição e atrás da média nacional (+3,8%). O grupo foi liderado pelo Paraná, com 27,8% de alta, tendo no Espirito Santo sua menor taxa (-17,4%).
No acumulado, o saldo negativo deixou o Estado na décima posição de um ranking com apenas oito resultados positivos. Embora tenha ficado bem à frente da média brasileira (-3%), teve um dos cinco piores desempenhos nesse tipo de comparação. Paraná (+10,4%) e Espirito Santo (-11,8%) ocuparam os lugares extremos.
Na variação mensal, máquinas e equipamentos (+25,5%) e bebidas (+13%) puxaram os números para cima, em um panorama em apenas que cinco das 11 atividades sondadas pelo IBGE no Amazonas fecharam no azul. Na outra ponta, impressão e reprodução de gravações (-49,7%) e fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-15,9%) amargaram nova retração.
No acumulado, só metade dos segmentos industriais do Estado pontuaram alta, com destaque para máquinas e equipamentos (+11,3%), produtos derivados do petróleo (+7,4%) e outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores (+5,6%). Em contraste, impressão e reprodução de gravações (-61,8%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-24,4%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-11,2%) consolidaram os números amazonenses no vermelho.
Virada no semestre
Embora tenha considerado que o bom desempenho de maio não foi suficiente para tirar o saldo anual da produção industrial amazonense do vermelho, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, ressaltou que este foi “um bom indicador”, quando comparado ao desempenho dos outros Estados. Destacou ainda que o setor vem se recuperando, ao listar os acumulados de março (-5,8%) e abril (-3,5%).
“Algumas atividades importantes do Polo não estão conseguindo melhorar sua produção. E isso puxa o indicador para baixo. Continuamos esperando que a virada do segundo semestre venha aquecer a produção, e que possamos fechar 2019 com crescimento”, lamentou, destacando que, ao final de 2018, a indústria amazonense conseguiu crescer 4,5%.
Perspectiva de retomada
Vice presidente da Fieam, Nelson Azevedo avalia que a defasagem de dois meses dos números do IBGE não permite conhecer o panorama atual da economia brasileira. Principalmente depois da aprovação do texto base da Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, na semana passada. Para ele, esta é uma sinalização que traz perspectiva de retomada nos próximos meses.
“Já é possível ver uma recuperação da economia, embora pequena. Embora o desemprego ainda seja alto, a confiança do consumidor vem se recuperando. E o comércio vem respondendo bem à estabilidade dos juros e à inflação mais baixa. As perspectivas para o segundo semestre são positivas, principalmente agora, que teremos a primeira reunião do CAS [Conselho de de administração da Suframa] deste ano”, ponderou
O dirigente, que também preside o SIMMMEM (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus), entidade patronal que representa localmente os fabricantes do polo de duas rodas, só estranhou a má colocação de “outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores” na lista dos segmentos com resultados negativos no acumulado.
“O polo de duas rodas vem apresentando os melhores resultados do PIM, com altas na produção e venda de motocicletas e bicicletas, como foi divulgado nesta quinta [11], em Manaus, pela Abraciclo. Ainda não dispomos dos dados da Suframa. Mas, em nossas conversas entre dirigentes de classe, verificamos que a maior parte dos outros segmentos está, com pequenas diferenças, próxima da estabilidade”, encerrou.







