As imensas riquezas naturais e o riquíssimo ecossistema biológico da floresta amazônica, levaram o Grupo FPF Tech INDT a iniciar em 2015, estudos de mercado, realizando pesquisas e desenvolvendo projetos na área de bioeconomia com o objetivo de contribuir com o fortalecimento desse mercado na região Norte no próximo ano. Segundo a ICT (instituição de pesquisa científica e tecnológica), as oportunidades para se desenvolver um polo do bioeconomia na região são exponenciais, requerendo investimentos pesados por parte da iniciativa privada e pública.
Como parte da estratégia de fortalecer o mercado de bioeconomia em 2018, o Grupo FPF Tech INDT vem realizando ações internas para dar maior amplitude do conhecimento, através de um ciclo de apresentações e atividades introdutórias sobre o tema, para fortalecer as bases de desenvolvimento de projetos e de estruturação desta nova área, destaca o diretor presidente do Grupo FPF Tech INDT, Geraldo Feitoza.
“Todos os países estão buscando alternativas, produtos e soluções que possam trazer riquezas através de bioeconomia. Quando a FPF Tech começou, há quase 20 anos, nosso sonho era investir em biotecnologia. Fizemos algumas ações pontuais, mas nos últimos dois anos temos investido em aprender mais sobre este mercado, a focar mais a FPF Tech como instituição local que possa contribuir no desenvolvimento da Bioeconomia, neste lugar tão cobiçado pelo mundo todo”, ressaltou.
A primeira ação prática foi a realização de uma palestra, proferida por Kátia Andrade, doutora em Gestão da Inovação – PPGBIOTEC/Ufam (Programa Multi-Institucional de Pós-Graduação em Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas), com o tema “Bioeconomia: potencialidades e fatores críticos de sucesso” – um estudo multicaso desenvolvido em sua tese de doutorado que apresenta as oportunidades de crescimento do setor no Brasil e as potencialidades regionais. O estudo evidenciou um grande potencial inexplorado no segmento da Bioeconomia e identificou os principais fatores críticos de sucesso para o incremento desta área no Estado do Amazonas.
Segmento inexplorado na região
De acordo com a pesquisa para a tese, foram mapeadas pelo Instituto Minas, 271 empresas de biociências, sendo 143 de biotecnologia (52,3%). Destas 143, 74,9% estão no Sudeste e 14,4% estão no Sul. No Amazonas, existem três empresas em biociência e apenas uma empresa em biotecnologia, sendo uma microempresa, incubada pela Ufam.
Outro dado importante na pesquisa da doutora Kátia, é o mercado potencial. De 2007 a 2011, houve um crescimento de 102% no segmento de biotecnologia. “Se no Amazonas, temos apenas uma empresa atuando, significa que o potencial de crescimento neste segmento na região Norte é totalmente inexplorado e há muito espaço para pesquisa nesta área. Pelos incentivos fiscais, seria natural ter um polo de bioeconomia na região Norte”.
No Amazonas, houve um investimento de R$ 14 milhões pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), na criação de um parque tecnológico de bioeconomia, instalado em uma área de mais de 100 mil metros quadrados, no Tarumã, com administração do Estado. Fundado em 2009, o objetivo era dar suporte às empresas do segmento de Bioeconomia do Amazonas em tecnologia, gestão, negócios, etc, sem resultados positivos até o momento. “Outro investimento grande foi o CBA (Centro de Biotecnologia da Amazônia) que, por motivos políticos, ainda não teve atuação ‘fora do papel'”, disse a instituição.
Resultado da pesquisa
Como resultante da pesquisa, a matriz consolidada dos Fatores de Sucesso em Bioeconomia está dividida em cinco indicadores principais: Capital (o fomento do setor, seja público ou privado); a Proteção Intelectual (menor tempo para a concessão de patentes); a Transferência de Tecnologia (forte impacto na geração de valor, na qual o enfoque deve ser dado na criação de mecanismos de transferência de tecnologia para melhorar para o desenvolvimento local); a Regulação de Políticas Públicas (mais clareza do marco regulatório, consolidação das políticas e criação de infraestrutura logística e de comunicação; e, por fim, a gestão de Recursos Humanos, (maior interação entre academia, ICTs e empresas, mais ênfase na gestão do conhecimento e na atração e formação de RH especializado).
“Acredito que muitas empresas que já vieram no passado e até no presente em nosso Estado, já se beneficiaram de suas riquezas naturais e nada deixaram em relação à transferência de tecnologia, de compartilhamento de conhecimento, muito embora a nossa legislação diga que todo acesso ao patrimônio genético precisa ter alicerçado em contrato a repartição justa e equitativa dos benefícios gerados com a utilização desses recursos. Infelizmente, não é o que vemos na prática”, destaca Kátia Andrade.
As oportunidades para o Grupo FPF Tech / INDT são significativas tanto para a empresa quanto para o desenvolvimento da biotecnologia na região. A qualificação dos profissionais, a busca pelo conhecimento maior nessa área, as parcerias corretas e o investimento para as práticas são requisitos importantes.







