A primeira turma do curso profissionalizante de corte e escova de cabelo do Projeto Lisbela, desenvolvido no Centro de Detenção Provisória Feminino (CDPF), por meio da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), em parceria com a Umanizzare Gestão Prisional, recebeu o certificado de conclusão na manhã desta terça-feira (20). Para as 15 detentas do regime provisório que receberam o certificado das mãos do secretário de Estado, Pedro Florêncio, o estudo dentro da unidade prisional abriu portas para novos caminhos e novas oportunidades.
Foram dois meses, 150 horas de aulas, com a instrutora Marinez Costa, do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), que foi um dos parceiros para que o projeto tivesse sucesso. Pela instrutora, foram repassadas às internas técnicas de corte, lavagem, escova, pintura de cabelo em aulas práticas e teóricas.
Antes de finalizar as atividades, as internas celebraram a conquista com um coquetel. Das 20 que iniciaram o curso, 15 se formaram. “Fico muito feliz que todos vocês estejam aqui vendo que nós queremos oportunidades. Nós queremos mudar e conseguimos com a ajuda que vocês nos deram”, disse a interna Leila Maria Praia, ao se referir à presença dos servidores da Seap.
Uma das alunas do curso, Rina Santos Araújo, 37, é cabeleireira e recebeu o alvará de soltura há poucos dias. Mesmo tendo deixado a cadeia, ela voltou à unidade para a confraternização de encerramento e contou sobre a importância do curso. “Eu já sabia muita coisa, mas quis me aperfeiçoar. Assim, enquanto eu pensava sobre o que queria depois que saísse, eu estava fazendo algo útil”, disse. Rina agora é aluna do curso de cortes e penteados do Cetam.
Para o secretário de Estado, Pedro Florêncio, as internas que se profissionalizaram servem de exemplo para o restante da população carcerária. “O Estado tirou a liberdade dessas pessoas, mas tem o dever de ajudá-las a recuperar esse direito auxiliando nessas conquistas. Eu e minha equipe desejamos que a maioria siga o mesmo exemplo e busquem caminhos melhores”, ressaltou. O secretário executivo adjunto, major Klinger Paiva, e o coordenador do sistema prisional, major Lima Júnior, também participaram da cerimônia.
A gerente técnica da Umanizzare Gestão Prisional, Sheryde Karoline Lima, ressaltou que a escolha dos cursos que serão desenvolvidos no local é feita para que as internas criem independência profissional. “Quando saem, elas podem montar um negócio e até serem autônomas. É algo que vai ajudá-las a não se sentirem vítimas do preconceito por conta dos antecedentes criminais”. O próximo curso será de manicure.
Projeto Lisbela
A iniciativa consiste em um salão de beleza implantado na unidade prisional que tem o objetivo de profissionalizar as detentas e ajudar na recuperação da autoestima de muitas outras. Em abril teve início a idealização do projeto. Hoje, estão instalados no local cadeira lavatório, espelheira, poltronas de cabeleireira, cadeiras para manicure, refrigeração, insumos, secador, chapinha, máquina de cortar cabelo, dentre outros equipamentos necessários.
De acordo com a diretora da unidade, Maria Edna Pereira, o encarceramento desperta uma série de sentimentos nas mulheres como a depressão e as variações de humor, que não desenvolvem a vontade de recuperação para o retorno a sociedade. Os cuidados com a aparência são, muitas vezes, fatores que contribuem para reverter esse quadro. “A ideia é que esse espaço contribua exclusivamente para a recuperação dessas mulheres, por isso vamos oferecer momentos de cuidado, higiene e embelezamento pessoal, mas também vamos trazer os cursos profissionalizantes pensando no futuro”, disse.







