Prospecção de negócios do Banco da Amazônia chega a R$ 1 bilhão

Em: 12 de junho de 2009
Passada a fase crítica da crise financeira global, a indústria do PIM (Polo Industrial de Manaus) deve voltar a investir em novos projetos industriais a partir do segundo semestre, conforme previsão do Banco da Amazônia
Passada a fase crítica da crise financeira global, a indústria do PIM (Polo Industrial de Manaus) deve voltar a investir em novos projetos industriais a partir do segundo semestre, conforme previsão do Banco da Amazônia

Passada a fase crítica da crise financeira global, a indústria do PIM (Polo Industrial de Manaus) deve voltar a investir em novos projetos industriais a partir do segundo semestre, conforme previsão do Banco da Amazônia. Na prospecção de negócios feita pelo banco em setembro de 2008, com 20 empresas do PIM, ficou definido investimentos superiores a R$ 1 bilhão para o setor industrial, a exemplo do polo de duas rodas.
O superintendente regional do Banco da Amazônia para os Estados do Amazonas e Roraima, Antônio Carlos Benetti, aponta que o nível de investimentos não vai chegar ao que estava programado, mas diz acreditar que as empresas vão começar a fazer os investimentos, visando à produção de 2010, ano da Copa do Mundo na África do Sul. Aliado ao fato de Manaus ter sido escolhida como subsede da Copa de 2014, ele afirma que o segmento de TV deve incrementar no próximo ano. “Pode ser a recuperação do segmento eletroeletrônico bastante prejudicado com a crise global”, disse.
Quanto ao segmento de duas rodas, Benetti informou que já está demonstrando tendência de alta, decorrente dos benefícios fiscais oferecidos pelo governo estadual e federal, a exemplo da redução de impostos e parcelamento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para as empresas enfrentarem o desarranjo econômico.
“Neste ano as empresas não vão ter aquele crescimento que vinham obtendo em 2008, mas acredito que deve pelo menos equiparar ao ano passado. Porém em 2010 é que a economia deve voltar realmente a crescer”, avaliou, ressaltando que as dificuldades vão passar e as empresas vão produzir mais para vender mais. Com queda do desemprego, o poder aquisitivo da população vai voltar ao que era antes”, completou.

Copa de 2014 alavanca turismo

Os financiamentos para empreendimentos turísticos devem triplicar a partir de agora com a confirmação de Manaus como uma das 12 subsedes da Copa de 2014. O Banco da Amazônia que vinha financiando para esse ramo de negócio em torno de R$ 50 milhões anualmente, nos últimos três anos, se prepara para aumentar essa demanda de crédito três vezes mais.
Segundo Antônio Carlos Benetti, vários empreendimentos hoteleiros tanto de selva como da cidade já recorreram ao banco pleiteando crédito. Vários deles, ainda em construção, foram financiados a exemplo do Comfort Hotel e o Ibi, da Cristal, ao lado do Amazonas Shopping. “Somos parceiro dessa área de turismo”, disse.
Como a construção de um hotel demora entre dois e três anos, dependendo do porte da obra, –exatamente o prazo que os investidores locais têm para se preparar para a demanda da Copa de 2014–, Benetti afirma que a procura deve começar a incrementar desde já. “O mais tardar no próximo semestre para ficar ponto antes de 2014”, disse, ressaltando que, além disso, os empresários do setor têm que correr atrás de bandeiras.
Em linhas gerais, Benetti afirma que o setor de turismo deve ter um incremento grande a partir de agora, o que vai demandar inúmeras operações de parcerias público-privada, principalmente para infraestrutura.
Ele disse que o governo com certeza não vai fazer sozinho as obras R$ 6 bilhões projetadas para a Copa de 2014, por isso vai fazer parcerias público-privadas e aí o banco entra financiando a parte privada. “Essas empresas entram com 51% e o governo com 49% e lá na frente, depois de concluído, elas [as empresas] assumem tudo”, informou.
Na opinião do superintendente, já existe um movimento interessante em termos de turismo em Manaus, mas se faz necessário interiorizar, principalmente o entorno de Manaus, a exemplo de municípios como Rio Preto da Eva, Presidente Figueiredo, Manacapuru e Iranduba, visando oferecer opções para quem vier para a Copa de 2014. “Esses municípios terão que ser bastante melhorados em termos de hotel, hospedagens, etc”, disse, ressaltando que o turismo local tem um nível bom de oferta de hospedagem, mas para se pensar numa Copa do Mundo terá que ser muito incrementado.

Novo ciclo

Com a Copa de 2014, Benetti avalia que o Amazonas inicia um novo processo de desenvolvimento e crescimento, que vai se refletir com a proximidade do evento. O próprio artesanato vai ser incentivado, assim como projetos culturais, atrelada a essa questão tem a revitalização da borracha, da castanha, envolvendo toda a parte do extrativismo local.
Segundo ele, a Copa é um chama para a consolidação do Amazonas como o portal da Amazônia para o incremento do turismo. “Se a gente tiver competência para mostrar tudo que o Estado tem de interessante nessa área, aos países da Europa e da África que virão para os jogos e que serão os grandes divulgadores da Amazônia, será a consolidação do Amazonas como polo turístico”, assinalou.

Instituição reforça suas parcerias

Mesmo diante de todo esse cenário de crise econômica o Banco da Amazônia não teve decréscimo no volume de crédito, nem de projetos apresentados ao banco neste ano. Entre janeiro e maio já negociou em torno de R$ 300 milhões. Como tradicionalmente o maior volume de negócios acontece no segundo semestre do ano a expectativa é atingir os R$ 600 milhões previstos para este exercício.
Em 2008, o Banco da Amazônia concedeu crédito no valor de R$ 389 milhões do FNO (Fundo Constitucional do Norte), mais R$ 150 milhões da carteira comercial, perfazendo um total de R$ 539 milhões. Neste ano, do FNO –entre projetos internalizados e já contratados– os financiamentos já atingem R$ 300 milhões, enquanto a carteira comercial continua com crédito de R$ 150 milhões.
O banco tem reforçado sua parceria com o pessoal da agricultura familiar para aumentar o volume de aplicação do Pronaf (Programa Nacional da Agricultura Familiar), inclusive no interior do Estado. Benetti informou que o banco firmou uma parceria forte com o Idam (Instituto de Desenvolvimento do Estado do Amazonas), o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), o MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) e a Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira) como forma de intensificar as aplicações no interior.

Enchente gera atraso

O superintendente do Banco da Amazônia informou que a enchente vai atrasar um pouco o início da produção na área de várzea, porque a cheia está grande e os rios vão custar a secar, o que vai atrasar o início das plantações. Com relação a essa questão existem dois processos nesse sentido: um de renegociação das dívidas dos produtores rurais prejudicados pela enchente, que terão as parcelas dos seus débitos prorrogadas. “As parcelas que venciam entre abril e setembro poderão ser quitadas em 1º de outubro e o produtor pode fazer uma solicitação para que essa dívida seja paga em três anos, com a primeira parcela para vencer em outubro de 2010”, informou.
Além disso, o produtor prejudicado pela enchente tem um crédito complementar de até R$ 1.500, cuja liberação vai acontecer na baixada das águas, para produzir no período pós-cheia. “É um custeio que vai ser liberado quando a água baixar, com juros de 0,5%”, disse Benetti, lembrando que é necessário que o produtor requeira esse benefício que já consta na resolução que foi lançada recentemente pelo Banco Central.
O Banco da Amazônia está no aguardo do plano safra 2009/210 –com início no dia 1º de julho–, que o governo federal vai estar anunciando até o fim deste mês. Benetti disse que a previsão é de que o volume total de recursos atinja R$ 15 milhões país, antes os R$ 13 milhões de 2008. Para o Amazonas ele afirma que deverá ser disponibilizado R$ 90 milhões, contra os R$ 66 milhões no ano passado, dos quais foram aplicados em torno de R$ 30 milhões.
Antônio Carlos Benetti justificou que vários fatores prejudicaram a aplicação dos recursos em 2008, entre os quais a exigência do CCIR (Certificado de Cadastro de Imóvel Rural), que prejudicou os produtores rurais, principalmente da agricultura familiar. Ele disse que somente em setembro saiu uma resolução liberando o pessoal do Pronaf da apresentação desse documento e sim apenas do DAP (Documento de Aptidão do Pronaf). Tudo isso atrasou os financiamentos que somada a antecipação das chuvas, que iniciaram em meados de outubro. “O Pronaf sofreu muito com essas duas situações, daí não ter havido um crescimento expressivo do programa no plano safra de 2007/2008 e de 2008/2009. Mas estamos trabalhando para que em 2009/2010 essa situação seja superada”, disse.
Em março o Banco da Amazônia implantou um novo modelo de negócio focado na segmentação dos clientes. As agências de maior porte têm gerente por porte de cliente, ou seja, para atendimento de pessoa jurídica, pessoa jurídica empresarial, de relacionamentos, de pequeno porte. “O gerente, conhecendo seus clientes, desenvolve programas e produtos que atendam suas necessidades”, defendeu, informando que atualmente são sete gerentes atendendo dessa forma e o banco quer fechar o ano com dez gerentes especializados.
Com uma carteira de clientes em torno de 120 mil no Amazonas, o Banco da Amazônia possui nove agências no Estado e deve fechar o ano com 11. A meta do banco é abrir novas agências em municípios polos a exemplo de Manacapuru, onde está sendo feita uma avaliação do potencial socioeconômico.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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