Com aporte de recursos de R$ 13,6 milhões, a conclusão do Musa (Museu da Amazônia) na Reserva Florestal Adolpho Ducke, único museu vivo do planeta, está prevista para abril de 2010. A área total será de 110 km² e abrigará aquários, torres de observação, passarelas na copa das árvores, laboratórios e câmeras que transmitirão imagens em tempo real, via internet 24 horas por dia. O MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia) pretende alcançar a marca 1.500 empregos especializados e 1,5 milhões de visitantes em quatro anos.
O ministério, por meio de seus agentes locais –Sect/AM (Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia do Amazonas), Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas)–, está implantando o Musa dentro da reserva, em uma faixa de terra que a une com o lago Puraquequara, zona leste de Manaus.
A área de preservação federal Adolpho Ducke, possui 15 km², sendo que apenas 10 km² abrigarão o Musa. O acesso ao museu será pelo lago. As conversas sobre a elaboração do plano estrutural do museu começaram há 20 meses, como explicou o secretário-executivo da Sect/AM, Marcílio de Freitas.
“Há um ano e oito meses o ministério reuniu a Sect e o Inpa para estruturar um projeto para a criação do primeiro museu vivo do mundo, para valorizar e incentivar as pesquisas sobre a Amazônia e ao mesmo tempo, popularizar o conhecimento científico”.
Segundo Freitas, o Museu da Amazônia estará em funcionamento até abril de 2010, quando a primeira etapa do projeto será concluída.
O principal diferencial do local será o contato direto e contínuo entre o pesquisador e o objeto pesquisado, garantindo também a entrada da comunidade. “Nós queremos um espaço de interação entre as partes que compõem a pesquisa, os estudiosos e seus experimentos, e as partes que se beneficiam dos resultados, a população”, explicou o secretário.
Na próxima edição da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em julho, na Ufam (Universidade Federal do Estado do Amazonas), a Sect/AM apresentará os primeiros avanços feitos no Musa. No espaço destinado às exposições de projetos, a Expotec (Exposição Cientifica e Tecnológica), a secretaria apresentará o projeto por meio de maquetes, fotografias e vídeos.
O responsável pelo projeto Museu da Amazônia é o físico Ennio Candotti, da UEA (Universidade Federal do Amazonas). Candotti foi presidente da SBPC durante quatro mandatos e integra o comitê da Sect que coordena a implantação do museu.
Construção da obra está dividida em duas etapas
O orçamento para 2009/2110 é de R$ 2 milhões. O museu vivo tem apoio financeiro e administrativo da Finep (Financiadora Nacional de Estudos e Projetos) e CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), além de outras já instituições mencionadas.
A construção do museu está divida em pelo menos duas etapas. A primeira se estende até a inauguração, em abril do próximo ano. O Musa será concluído em cinco anos, até o término deste prazo, Candotti pretende levar uma unidade do museu vivo para cada cidade onde a UEA possui campi no interior.
Grande infraestrutura
O Museu da Amazônia comportará passarelas, permitindo ao visitante passear pela floresta e observar in loco aquilo só apreciado de longe em zoológicos e similares. Haverá torres de observação ao longo da floresta, com altura superior à copa das árvores.
São esperadas câmeras com diferentes tipos de iluminação, com luz infravermelha e ultravioleta, por exemplo, para conhecer como os animais percebem o ambiente. Estes dados, como a maior parte das informações produzidas no Musa, serão utilizados pelos pesquisadores e visitantes. Uma roda gigante integrada ao conjunto de torres e passarelas levará os visitantes ao ponto mais alto da reserva, onde a grandiosidade do museu será observada na sua totalidade.
A construção de um aquário em grandes proporções, para o estudo das espécies aquáticos típicas da Amazônia, também faz parte do projeto. O aquário ficará próximo dos cursos de água, e para permitir a visualização completa do seu interior, a água será filtrada antes de ser utilizada.
A divulgação científica em diversos níveis será o foco das salas específicas de conhecimento.
De acordo com Marcílio Freitas, nelas ocorrerão palestras, oficinas e seminários, onde ocorrerá a difusão do conhecimento produzido no Musa.
Chile abriga iniciativa semelhante
Jorge Wagensberg, físico da Universidade de Barcelona, dirige atualmente um museu em Punta Arenas, no Chile. Neste museu são usadas câmeras de captação de vídeo e áudio, para monitorar a vida aquática, principalmente de baleias e pinguins. Os dados registrados são apresentados aos visitantes em salas especializadas; além de servirem para as experiências realizadas com os animais.
O mesmo conhecimento tecnológico será desenvolvido no Musa, porém em maior escala. A ideia é instalar diversos equipamentos eletrônicos por toda a floresta e gravar sons e imagens de animais e vegetais em vários níveis. O material coletado será disponibilizado ininterruptamente na internet e em salas de visitação no próprio museu.
Sem intempéries
Em janeiro deste ano foi criada a Associação Museu da Amazônia, com a participação do presidente da SBPC, Marco Antonio Raupp, e do diretor de popularização da ciência do MCT, Ildeu Moreira. Ennio Candotti foi eleito presidente da associação sem fins lucrativos que garantirá gestão independente ao museu.
A associação sem fins lucrativos tem um conselho administrativo e garantirá o bom andamento das pesquisas realizadas no local.
Na primeira etapa da construção, existem R$ 12 milhões oriundos da Seplan (Secretária de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico); R$ 1,3 milhões da UEA e R$ 350 mil da Fapeam. “A sua estabilidade financeira dependerá da qualidade das exposições e do próprio papel que o Musa poderá exercer na pesquisa científica, na valorização da floresta e seus biomas e culturas que nela vivem”, declarou Candotti.







