A onda de protecionismo a setores da indústria brasileira deve se manter enquanto perdurar a crise econômica global, declarou nesta terça-feira o diretor do Departamento Econômico do MRE ( Ministério das Relações Exteriores), Paulo Estivallet de Mesquita, ao participar do seminário “Oportunidades nas Relações Comerciais do Brasil Frente à Nova Configuração dos Blocos Econômicos Mundiais”, realizado pela Amcham (Câmara Americana de Comércio Brasil – Estados Unidos), em São Paulo.
De acordo com Mesquita, as medidas são a forma que o Brasil encontrou para dar segurança à sua indústria. No médio e longo prazo, segundo ele, a tendência é que o mercado brasileiro se integre ao mundial e que haja uma liberalização do comércio. “Agora, a gente não pode perder de vista que, no curto prazo, existe uma crise gravíssima nas principais economias mundiais, e isso tem um impacto negativo para o desempenho do comercio exterior brasileiro.”
Algumas das exportações brasileiras perderam mercado, porque a demanda desapareceu em outros países. “Por outro lado, existe uma pressão de concorrência de produtos que estão chegando aqui em condições que não são propriamente de mercado. É por isso que o governo precisa tomar as medidas necessárias para evitar danos irreparáveis a setores que são importantes na economia brasileira”, observou o diretor.
Mesquita relatou que, com a crise, houve uma reversão na balança comercial do Brasil. “Os setores que estão sob enorme pressão por causa do câmbio e do desvio de mercadorias de outros países estão pressionando o governo a não abrir nosso mercado. Não existe almoço grátis. Em comércio exterior, a munição que a gente tem para abrir mercado lá fora é abrir o mercado brasileiro.”
Para ele, num momento em que o mercado brasileiro está crescendo muito e os mercados externos não estão crescendo, é compreensível que alguns setores estejam relutantes. “Agora, isso acaba sendo um fator que condiciona nossa atuação no curto prazo”, afirmou.
Proteção à indústria segue até o fim da crise global
Em: 25 de abril de 2012
Algumas das exportações brasileiras perderam mercado, porque a demanda desapareceu em outros países. “Por outro lado, existe uma pressão de concorrência de produtos que estão chegando aqui em condições que não são propriamente de mercado
Redação
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