Quantos dias o brasileiro precisa trabalhar no ano só para pagar impostos?

Em: 2 de junho de 2023

No ano de 2023, os brasileiros dedicaram, em média, 147 dias, o equivalente a 4 meses e 27 dias, para cumprir com suas obrigações fiscais. Essa estimativa é proveniente de um estudo realizado pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), que anualmente avalia a carga tributária do país.

Os impostos representam mais de 40% da renda dos brasileiros. O montante total destinado ao pagamento de impostos sobre renda, patrimônio e consumo corresponde a 40,28% do rendimento médio dos brasileiros. O Brasil é um dos países com uma das maiores cargas tributárias e menor retorno para a população, de acordo com o IBPT. Em 2022, a carga tributária estimada foi de 40,82%, mantendo-se abaixo de 40% até 2006. Segundo o IBPT, com algumas exceções, os gastos dos contribuintes têm aumentado percentualmente ao longo das últimas duas décadas.

Em 2023, os brasileiros trabalharam até o dia 27 de maio (147 dias) somente para arcar com os tributos. Apesar do número elevado, foram dois dias a menos em comparação com o total trabalhado em 2022 para o pagamento de impostos (149 dias). De acordo com o estudo, isso ocorreu devido à redução na cobrança de certos impostos. O presidente executivo do IBPT, João Eloi Olenike, menciona que o governo promulgou uma lei que limitou a incidência de ICMS sobre combustíveis, energia elétrica, comunicações e transporte. Essa desoneração foi o principal fator responsável pela diminuição no número de dias.

Comparado à década de 1970, os brasileiros atualmente trabalham mais do que o dobro de dias para cumprir com suas obrigações tributárias. Em 1989, a média era de 81 dias trabalhados para pagar impostos. Desde 2005, esse número tem se mantido acima de 140 dias, de acordo com o IBPT.

Comparativo com outros países

Em países como México, Chile, Argentina, Reino Unido, Espanha e Estados Unidos, o número de dias de trabalho para pagar imposto é menor. Países como Dinamarca, Bélgica e Suécia, por outro lado, possuem uma carga tributária ainda mais elevada, com seus cidadãos trabalhando mais de 160 dias por ano para pagar tributos.

O comparativo citado no estudo entre países usa o índice da Carga Tributária sobre o PIB (ou seja, transforma o percentual deste índice em número de dias trabalhados para pagar tributos). Veja a lista de países que mais pagam impostos, com base em dados de 2021 e nesta metodologia:

  • Dinamarca: 164 dias
  • Bélgica: 161 dias
  • Suécia: 161 dias
  • Finlândia: 158 dias
  • Áustria: 153 dias
  • França:150 dias
  • Itália: 150 dias
  • Noruega: 149 dias
  • Hungria: 138 dias
  • Islândia: 138 dias
  • Alemanha: 137 dias
  • Eslovênia: 131 dias
  • Brasil: 124 dias
  • Reino Unido: 123 dias
  • Espanha: 123 dias
  • Israel: 119 dias
  • Nova Zelândia: 118 dias
  • Canadá: 118 dias
  • Uruguai: 113 dias
  • Japão: 112 dias
  • Argentina: 111 dias
  • México: 108 dias
  • Suíça: 104 dias
  • Coréia do Sul: 98 dias
  • Irlanda: 83 dias
  • Estados Unidos: 81 dias
  • Chile: 68 dias

Esses dados reforçam a necessidade de uma análise cuidadosa sobre a tributação no Brasil e seus impactos na vida dos cidadãos, destacando a importância de um retorno eficiente e transparente dos recursos arrecadados para a melhoria dos serviços públicos e o desenvolvimento humano no país
João Eloi Olenike, presidente executivo do IBPT

Reforma Tributária

O governo federal defende a aprovação no Congresso de uma reforma Tributária. A proposta é simplificar o sistema tributário brasileiro. Não há indicativos, porém, de que as mudanças irão reduzir a carga tributária total.

As mudanças prometidas pelo presidente Lula devem ser fatiadas em duas etapas:

  • a unificação dos tributos sobre o consumo em um único imposto de valor agregado (IVA), que até agora foi batizado de IBS
  • a reforma do imposto sobre a renda, tanto da pessoa física quanto das empresas, assim como a tributação de lucros e dividendos

Haddad avalia que a reforma Tributária poderá ser votada na Câmara dos Deputados ainda no 1º semestre.

[A reforma tributária] introduz no sistema tributário nacional um imposto de valor agregado que praticamente resolve uma boa parte dos vícios do atual sistema tributário que, na minha opinião é o responsável, o grande vilão pelas baixas taxas de crescimento da nossa produtividade. Não há como crescer com esse sistema.
Fernando Haddad, em evento da Fiesp no último dia 25

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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