Queimadas causam 19% do efeito estufa, ressalta artigo na “Science”

Em: 28 de abril de 2009
Deixar de queimar propositalmente as florestas tropicais, savanas e áreas agrícolas –como canaviais– pode baixar a contribuição da humanidade ao aquecimento global em 19%
Deixar de queimar propositalmente as florestas tropicais, savanas e áreas agrícolas –como canaviais– pode baixar a contribuição da humanidade ao aquecimento global em 19%

Deixar de queimar propositalmente as florestas tropicais, savanas e áreas agrícolas –como canaviais– pode baixar a contribuição da humanidade ao aquecimento global em 19%.
A cifra, publicada em um artigo de revisão na revista científica “Science” desta semana, escancara a importância das queimadas no fluxo de energia global. Os cientistas não sabiam que o fogo tinha tanta importância assim.
O físico da USP (Universidade de São Paulo) Paulo Artaxo conta que na estimativa, feita com o auxílio de modelos computacionais, entraram gás carbônico, metano e óxido nitroso –gases emitidos pela queima de biomassa que ajudam a aprisionar na atmosfera o calor irradiado pela Terra.
No contexto geral, segundo o registro via satélite anual das queimadas propositais, Brasil, Malásia e Indonésia são os países que mais precisam avançar em políticas públicas que controlem o fogo deliberado. “É a forma mais barata e mais rápida para controlar o aquecimento global”, afirmou Artaxo.
Os cálculos dos cientistas mostram onde estão as fontes de queimadas que mais bombeiam gases de efeito estufa. Entre 1997 e 2006, os trópicos asiáticos contribuíram com 54% das emissões. Dos trópicos americanos, principalmente da Amazônia, saíram 32%. A África fecha a conta com a contribuição de 14%.
Mas é na Amazônia, mais especificamente em Mato Grosso, que está a maior intensidade de focos de calor do planeta. Entre 2000 e 2005, segundo um estudo americano publicado em 2006, Mato Grosso tinha duas vezes mais queimadas que qualquer outra região.
O agravante, disse Artaxo, é que a redução das queimadas na Amazônia, por exemplo, não vai melhorar a temperatura do planeta de forma direta, logo no ano seguinte. A escala de tempo é de décadas. “O carbono que vai para a atmosfera hoje vai sendo acumulado”, disse.
O fato de o fogo ser um componente “bastante significativo” para as mudanças climáticas globais não tem implicação apenas para as futuras gerações. Sendo o planeta um ambiente altamente inflamável, por causa da quantidade de carbono que existe nele, algumas alterações já ocorrem hoje.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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