O aumento do salário mínimo que entrou em vigor no início deste ano vai ajudar a garantir que a economia cresça ao menos 4% em 2012, disse na última quinta-feira o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa. O salário mínimo subiu de R$ 545 para R$ 622.
Ele citou ainda os cortes na taxa básica de juros promovidos pelo BC (Banco Central), no segundo semestre de 2011, e a desoneração da folha de pagamento, como fatores que estimularão a expansão do PIB (Produto Interno Bruto).
“No seu todo, são medidas que entram em efeito gradualmente e promovem uma recuperação do crescimento que nós achamos que ficará na faixa de 4% a 5%”, declarou após participar de seminário na Fundação Getulio Vargas, na capital paulista.
Sobre a inflação este ano, Barbosa disse que a previsão do ministério é que ela não deverá sofrer, como ocorreu em 2011, a influência de fatores que puxaram os preços para cima, como o preço do etanol. “Não deve se repetir este ano, pelo menos na mesma intensidade do ano passado, por exemplo, o aumento de preços do etanol”.
O secretário estimou que a inflação fechará o ano em aproximadamente 5%, “como tem sido também indicado nos relatórios de inflação do Banco Central”. Em 2011 o Índice de Preços ao Consumidor Amplo ficou em 6,5%.
Entre os piores reajustes
Entre os países da América Latina, o Brasil ficou entre os que apresentaram o pior reajuste do salário mínimo em 2011, segundo revela relatório da OIT (Organização Internacional do Trabalho), divulgado na última quinta-feira. O aumento real do mínimo no Brasil ficou em 1,4%, bem abaixo da média geral dos países da América Latina, que foi de 7,1%. No entanto, foi a Colômbia que registrou o reajuste mais baixo, de apenas 0,2%.
Por outro lado, a Argentina foi o país que apresentou maior reajuste, de 22,4%, e também foi o que exerceu mais impacto na média geral, que, sem ele, cairia para 2,9%. Em seguida, aparecem Honduras e Uruguai, onde o aumento do salário mínimo foi de 17% e 16,4% respectivamente.
Apesar do baixo reajuste do mínimo no Brasil, comparado aos demais países da América Latina, o relatório elogiou a política de reajuste do piso salarial adotada no governo Lula e ainda em vigor no governo atual da presidente Dilma Rousseff, que leva em consideração a variação da inflação e o crescimento do PIB, para repor o poder de compra dos brasileiros.
O relatório mostra que, em sete anos do governo Lula (2003-2010), o salário mínimo cresceu, em média, 5,8% no ano, com a adoção desta política, atingindo um incremento real acumulado de quase 60%. No mesmo período, o PIB aumentou 4% ao ano, em média, ao passo que o PIB per capita avançou a um ritmo menor, de 2,3%.







