Recebido com otimismo, corte da Selic ainda é pouco para a economia

Em: 2 de agosto de 2019
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As lideranças empresariais do setor produtivo do Amazonas consideraram muito positiva a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de cortar em 0,5 ponto percentual a taxa básica de juros para 6% ao ano, depois de um ano e quatro meses sem mudanças do BC (Banco Central) em relação ao custo do dinheiro.

A iniciativa surpreendeu os analistas financeiros, que esperavam corte de 0,25 ponto percentual. A Selic está agora no menor nível desde o início da série histórica do BC, em 1986. De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25%, sendo reajustada depois até chegar a 14,25% em julho de 2015. O Copom voltou a reduzir os juros em outubro de 2016, até que esta chegasse ao patamar de 6,5%, em março de 2018.

Entidades classistas do setor empresarial em todo o país, a exemplo da CNI (Confederação Nacional da Indústria) e da Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), comemoraram com unanimidade a redução da Selic, mas consideraram que o corte poderia ser maior e mais rápido. 

O entendimento geral é que o baixo desempenho da atividade econômica, acompanhado pela inflação reduzida e pelo corte de juros em outros países, favorece a redução da taxa nacional. Em especial diante da necessidade de estimular o consumo das famílias e os investimentos das empresas. As lideranças do Amazonas concordam.

No entendimento do vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, reduzir o custo do dinheiro para investidores e consumidores é uma ótima medida de curto prazo para reanimar a economia, mas seria desejável que esta viesse acompanhada também da redução do spread bancário e de iniciativas que garantam mais segurança jurídica às empresas.

“Embora estejamos vivendo um período de certa estabilidade, ainda não vimos uma recuperação mais forte. Falta trazer mais confiança ao consumidor e ao investidor e creio que as reformas que o país está fazendo vão ajudar nisso. É claro que não dá para fazer tudo ao mesmo tempo. Esperamos que essa medida, assim como as demais, ajude a garantir um segundo semestre melhor e traga perspectivas de um crescimento mais forte no próximo ano”, afiançou.

Bens duráveis

O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antônio Filho, aponta benefícios para consumidores e investidores, a partir da diminuição da taxa básica de juros, com o consequente aumento do ritmo da estagnada economia brasileira. 

“Creio que o segmento que sairá ganhando principalmente será o de bens duráveis. Vai ajudar quem precisar e quer adquirir um eletroeletrônico ou veiculo a prestações, que devem ficar mais em conta. A medida também vai impactar nas linhas de crédito para máquinas e equipamentos, facilitando sua aquisição por pequenos empreendedores”, avaliou.  

Mais lançamentos

Na mesma linha, o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, diz que o menor custo do dinheiro vai se refletir em mais disposição das pessoas adquirem imóveis, com boas consequências no nível de atividade das construtoras amazonenses. E, de acordo com o dirigente, o efeito será sentido pelo mercado ainda neste mês.

“O corte da Selic tende a baratear a prestação na ponta do consumo, ao melhorar a renda, impactando em um maior número de lançamentos no mercado. E os benefícios também se estendem às empresas, já que o custo da atividade também será reduzido. Creio que há espaço para reduzir ainda mais a taxa e 5% ao ano seria um número desejável para o mercado”, comemorou.  

Assistência e inadimplência

Já o presidente da Faea, Muni Lourenço, disse que a redução da taxa básica de juros para é muito benvinda pelo setor rural, porque viabiliza maior acesso dos produtores ao crédito e possibilita melhora na renda da atividade. Segundo o dirigente, o efeito será sentido apenas no médio prazo, mas o setor primário em geral sairá ganhando.

“O financiamento no setor rural é fundamental para a ampliação e diversificação do negócio rural e proporciona condições melhores para a adoção de novas tecnologias”, destacou. 

As perspectivas em relação à inadimplência do setor, contudo, seguem inalteradas, em razão de entraves para atividade no Amazonas – como a insuficiência da oferta de assistência técnica – e até questões climáticas. 

“O problema não tem origem somente nos juros. Não tenho os números exatos, até porque variam entre os bancos. Mas, atualmente, o Amazonas apresenta inadimplência acima da média nacional no setor rural”, encerrou.

 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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