Mercado imobiliário no Amazonas soma R$ 486 milhões em vendas no primeiro semestre e estima um crescimento de 55% no ano. Os números já superam o primeiro semestre de 2018, quando o setor faturou R$ 422 milhões. A redução das taxas de juros e o aumento da cota para o financiamento, que voltou para os 90% do valor do imóvel, contribuíram para o balanço positivo do setor. Com o resultado, a previsão é que as vendas cheguem a R$ 933 milhões até o fim do ano.
De acordo com dados da Ademi (Associação das empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas), das vendas no segundo trimestre do ano, 736 foram do padrão econômico, 154 nos demais padrões verticais, 46 em unidades horizontais e 9 unidades comerciais. As vendas líquidas das unidades residenciais verticais, comerciais e horizontais totalizaram 945 unidades. Somadas estas vendas representam um valor de R$ 220 milhões.
No mês de junho, o padrão com maior número de vendas brutas foi o econômico, 255 unidades vendidas, seguido do padrão standard e médio com 30 unidades vendidas cada. Com relação às vendas por preço do metro quadrado, as unidades residenciais com preço de R$ 3 a 4 mil foram as mais vendidas com 189 unidades. Seguidas das unidades com preço entre R$ 4 a 5 mil com 92 unidades vendidas.
Segundo o diretor da comissão da indústria imobiliária da Ademi-AM, Henrique Medina, a confiança do empresário tem sido fundamental para o crescimento do mercado. “Neste primeiro semestre tivemos um bom número de lançamento, praticamente 75% de tudo o que foi feito ano passado. só no segundo trimestre vendemos praticamente R$ 220 milhões. São números satisfatório que faz o empresário pensar em voltar. Então certamente todos eles estão se movimentando para lançar novos produtos no segundo semestre”, disse.
Na análise de Henrique, em Manaus já existe a movimentação de algumas empresas para comprar novas áreas e desenvolver novos produtos no mercado para disponibilizar no próximo semestre. “Fazendo uma projeção para o resto do ano, vamos crescer aproximadamente 50% no número de vendas. São números satisfatório que faz o empresário pensar em voltar, não só produtos do segmento econômico como o Minha Casa Minha Vida, como produtos convencionais”, disse.
Procura
Outra notícia que animou o setor imobiliário foi a redução de juros de 8,7% para 8,5% ao ano para trazer melhores condições ao consumidor e facilitar a compra no mercado. De acordo com o superintendente da Caixa no Amazonas, José Severino Ribas, no mês de junho foram financiados R$ 44 milhões de imóveis no Amazonas, das quais 43% foram realizados pela Caixa.
“O nosso objetivo é ampliar esse mercado para no mínimo 60% de imediato devido ao aquecimento do mercado. Houve uma procura muito grande no site de busca do banco de pessoas interessadas na compra de imóveis. Foram 138 mil famílias buscando imóveis só no primeiro semestre. Dessas famílias, 5% das pessoas desejam comprar imóveis acima de 500 mil. Isso significa uma retomada do segmento imobiliário no mercado”, disse.
No início de 2019, a projeção de crescimento para o setor era de 32% (R$ 794 milhões). No entanto, de janeiro a maio os números mostraram um faturamento de R$ 389 milhões. Um crescimento de 28,8% em relação ao mesmo período do ano passado (R$ 302 milhões).Para o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, o atual cenário é favorável para novos postos de trabalho no setor
“Os lançamentos tem aumentado, quanto mais lançamento imobiliário mais temos contratações. O número de contratações em 2019 é completamente positiva, coisa que não aconteceu ano passado. Em 2018 tínhamos um número negativo entre demissão e admissão e isso mostra que o mercado está em evolução. O verão é outro fator de contratação, no caso das execuções de obras. A queda de juros e da taxa Selic também contribuem para maior investimento e mais contratações”, explicou.
FGTS
Segundo Frank, a medida do governo federal em oferecer mais uma opção para o saque do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), a qual o trabalhador poderá sacar até R$ 500 reais, impacta de forma negativa no setor. A medida reduz a fatia de recursos que poderiam ser investidos para o financiamento de novas moradias, diminuindo as possibilidades do consumidor de usar o dinheiro completo para adquirir a casa própria . A decisão é vista como um empecilho que pode impactar o lançamento de novos empreendimentos.
“O governo tem de estoque de FGTS R$90 bilhões, e a gente estima que desse valor que vai ser sacado seja tirado R$ 30 bilhões. E o governo já tem mais R$ 30 bilhões que ele gasta nas demissões e na rescisão normal dos funcionários. Com isso, vai sobrar bem menos do que o previsto para o investimento de imóvel. Para a construção civil isso não é bom. Seria bom que todo esse dinheiro fosse aplicado em moradia, que é a função do FGTS. Esse recurso sempre financiou a moradia e com essa medida é R$ 30 milhões a menos no mercado”, disse.







