Apesar de estarem dispostos a aumentar a equipe, empresários do setor de bares e restaurantes ainda esbarram na dificuldade de encontrar profissionais especializados para determinadas funções. Números da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), revelam que 99% dos donos desses estabelecimentos ainda encontram dificuldades em preencher as vagas em aberto.
É um balde de água fria já que os últimos dois meses de 2022 prometem ser quentes para o segmento, especialmente neste período das tradicionais festas, como Natal e Réveillon e a Copa do Mundo. Ao menos 44% dos entrevistados estão estimulados a contratar funcionários até o fim do ano.
De acordo com Rodrigo Zamperlini, presidente da Abrasel-AM, 35% das empresas no Amazonas pretendem aumentar o quadro de pessoal até o final do ano, contudo encontram dificuldade na seleção. “A Abrasel-AM inclusive faz uma parceria informal com o Senac-AM para captar currículos de ex-alunos que passaram pelos cursos e treinamentos que a instituição oferece ligados ao nosso setor. Essa necessidade de pessoas para preencher essas vagas continua quanto maior a hierarquia mais difícil selecionar para vaga”. Entre as funções mais demandadas estão gerente de restaurante, chef de cozinha, mas isso se aplica também às demais vagas como auxiliar de cozinha, atendente e garçom. “O nosso segmento está com essas vagas em aberto e encontrando muita dificuldade para preenche-las”, reiterou.
“As contratações no nosso setor vêm acontecendo desde o início da retomada das atividades, nas pesquisas de julho, agosto e setembro a Abrasel incluiu a questão sobre a intenção das empresas de fazerem novas contratações até o final do ano e os índices foram bem parecidos nos três meses da pesquisa”.
“A demanda por mão de obra no setor da alimentação fora do lar demonstra o aquecimento da economia e o retorno à sociedade dos programas de reparação pelos danos financeiros causados durante a pandemia. Porém a dificuldade de contratar e preencher as vagas que estão abertas é preocupante. O equilíbrio nas contas dos negócios do setor também continua sua progressiva recuperação, agora com praticamente metade dos estabelecimentos operando com lucro no final do mês”, acrescentou o presidente da Abrasel no Amazonas, Rodrigo Zamperlini.
Entre os que pretendem contratar, 56% apontam como motivo o aumento de demanda previsto, em função dos eventos. Mas também chama a atenção o número de empresas que busca mais gente para ampliar o negócio com novos produtos/serviços (23,5%) ou para abrir filiais (8,8%). Além disso, 17,5% procuram profissionais para recompor o quadro e readequar a empresa à nova configuração de mercado pós-pandemia.
O presidente do Sindechrsam (Sindicato dos Empregados do Comércio Hoteleiro, Bares, Restaurantes e Similares do Amazonas), Gerson Almeida, confirmou que ainda existe a escassez de profissionais preparados. E infelizmente, apesar do sindicato em parceria com Amazonastur e Cetam, terem se empenhado para promover cursos de qualificação para o segmento desde junho deste ano, não atende a demanda de oferta do mercado. “Outro problema para conseguir os profissionais qualificados é os baixos salários, as empresas exigem qualificação profissional, porém querem pagar baixos salários”.
Números
Os dados da Abrasel apontam que quanto mais especializado o profissional, mais difícil de encontrar. É o caso de cargos como padeiro e sommelier, apontados como alto grau de dificuldade para contratação por 72% e 71% dos respondentes, respectivamente. Chef de cozinha (62%), gerente (59%) e profissional de TI (39%) também estão em falta no mercado. No entanto, os profissionais mais procurados não são os de maior qualificação. A maior procura é por cargos de auxiliar de cozinha (41,2%), garçom (32,4%) e atendente/cumin (35,3%).
A pesquisa revelou também que a situação econômica dos estabelecimentos está se estabilizando. Depois de aumentos constantes nos últimos meses no número de empresas realizando lucro, o índice se estabilizou em 50%. Também o mesmo número de respondentes disse ter trabalhado em setembro com equilíbrio financeiro (26%) ou com prejuízo (21%), exatamente os mesmos números relativos ao desempenho no mês de agosto. Caiu, no entanto, o número de empresas inadimplentes no regime do Simples: 26% disseram estar com parcelas em atraso. O número é menor do que o apurado em agosto (46%), julho (33%) e junho (29%). Lembrando que 84% das empresas respondentes da pesquisa se encontram enquadradas neste regime fiscal.
Por Andreia Leite







