Recurso extra para beneficiários da Previdência movimenta atividade econômica

Em: 1 de junho de 2023
Especialista em bem-estar financeiro Rebeca Toyama lembra das desvantagens de antecipar décimo: final do ano não estará disponível

A antecipação da primeira parcela do 13° salário para  os beneficiários da Previdência Social no Amazonas  vai movimentar mais de R$ 469 milhões na economia do Estado. Ao todo, 30 milhões de beneficiários vão receber o repasse em duas parcelas, em maio e junho, de acordo com o calendário habitual de pagamentos do INSS. O investimento total do governo federal é de R$ 62,6 bilhões.

Mais que movimento na economia, o montante deve atender as necessidades dos beneficiários e dependentes, afinal, nos últimos anos, a maioria das famílias teve suas finanças pessoais afetadas pela pandemia por diversos fatores, entre eles seja perda ou diminuição de renda, gastos que aumentam e dívidas que começaram a se acumular.

“É uma alternativa para quem precisa pagar  uma dívida que vem lhe cobrando altos juros. Não esquecendo que toda injeção de recursos é positiva pois aquece a economia, ajuda na manutenção das empresas e ampliação  de novos negócios”, informou o presidente do Corecon-AM, Marcus Evangelista.

Números do Serasa de fevereiro de 2023 indicam aumento na lista das famílias no vermelho. Foram 433 mil novos registros de pessoas negativadas no país, totalizando 70,5 milhões de inadimplentes. Nessa direção, o Amazonas ocupa o segundo no ranking nacional e primeiro no ranking regional com maior proporção da população endividada, 52,67%. 

Corroborando com o cenário financeiro das famílias, a especialista em bem-estar financeiro Rebeca Toyama, faz um um amplo comentário sobre essa antecipação. “Essa medida de antecipar,  por um lado, pode trazer benefícios como quitar uma dívida ou até amortizar uma dívida que está baseada em um alto juros, mas a gente vai ter que lembrar que quando chegar em novembro/dezembro desse ano, quando esse décimo terceiro geralmente é recebido, ele não estará lá disponível. Existe um viés cognitivo que vai lembrar que tem esse décimo terceiro, e essa pessoa não terá”.  

Então, ela diz que se essa pessoa reduzir as dúvidas dela agora e não mudar o comportamento de contrair dívidas, quando chegar lá na frente ela vai ter mais dívidas só que não terá mais o dinheiro do décimo terceiro. “Portanto, a medida é boa desde que ela venha com a consciência e mudança comportamental necessária”. 

Dentro da perspectiva de reservas emergenciais, a consultora econômica, Renata Lima, lembra que o recurso é uma fonte de renda diante de situações inesperadas. “Não podemos esquecer que estamos retomando um cenário pós-pandemia. Ou seja, desemprego, problemas de saúde, além de várias despesas extras. É sempre importante as famílias estarem atentas para eventuais urgências. A pandemia causou perda de renda e piorou para quem não tinha nenhuma.  É preciso cautela e pensar nos gastos futuros”. 

Ela orienta que as pessoas reservem parte do seu 13º salário para a construção da sua reserva, caso ainda não tenha uma, para aguentar até o fim do ano. “Dinheiro extra é bem vindo, mas é fundamental gastar com consciência”, frisou. 

Volume no comércio

Para o comércio, o movimento do montante é positivo. Considerando que no ano passado houveram algumas interferências na economia com aumento de preços a taxas de juros expressivas atingindo em cheio o consumidor. “Isso acabou negativando o consumidor, dificultando as suas compras. Até porque esses fatores não estavam no horizonte. No momento em que o governo acena a possibilidade de antecipar o benefício a injeção desse recurso para atividade comercial é positivo”, afirmou o presidente da Fecomércio-AM,  Anderson Frota. 

Para o presidente do Corecon-AM, Marcus Evangelista, é bom momento para pagar dívidas

Para Frota, é uma forma de dar fôlego e amenizar  as crises da própria pandemia, além de facilitar que o consumidor tenha mais possibilidade de estar presente no Dia das Mães de ir fazer as suas compras com um pouco mais de folga. “Essa iniciativa é louvável e os empresários do comércio festejam e a gente celebra com muito prazer”. 

Recebem o abono os segurados e dependentes da Previdência Social que, durante o ano de 2023, tenham recebido auxílio por incapacidade temporária, auxílio-acidente, aposentadoria, pensão por morte ou auxílio-reclusão. A oficialização da medida será publicada no “Diário Oficial da União” desta sexta-feira (5).
 

O abono é usualmente pago no segundo semestre de cada ano, em agosto e novembro. A antecipação do benefício alcança todos os Estados brasileiros e representa uma injeção significativa de recursos nos mercados locais.
 

São Paulo é o Estado que receberá o maior repasse para pagamento do abono anual levando em conta os dois meses de pagamento. Serão R$ 17,7 bilhões em recursos. Na sequência aparece Minas Gerais, com R$ 6,9 bilhões em repasses, seguido pelo Rio de Janeiro (R$ 6 bilhões), Rio Grande do Sul (R$ 5 bilhões), Paraná (R$ 3,67 bilhões) e Bahia (R$ 3,6 bilhões).

Consulta

Desde o dia 21 de maio, aposentados, pensionistas e beneficiários de auxílios do INSS  podem consultar o valor que receberão da primeira parcela do 13º salário. Nessa mesma data, o extrato de crédito já estará liberado no site ou aplicativo Meu INSS. 

Os pagamentos começarão no dia 25 de maio e vão até 7 de junho. Os primeiros beneficiados serão os que têm cartão de benefício com final 1 (dígito antes do traço) e recebem até um salário mínimo. 

Conforme informações do site Brasil 61, os créditos serão feitos de 1° a 7 de junho para quem ganha acima do piso nacional, começando pelos segurados com final de matrícula 1 e 6. A primeira parcela do pagamento será sem descontos, incluindo Imposto de Renda. O abono salarial abrangerá diversos benefícios, como aposentadorias, auxílio-doença e pensões, administrados pelo instituto.

O economista Cesar Bergo afirma que o abono salarial será pago em duas parcelas. Entre maio e junho. 

“O repasse do 13º salário vai ser feito em duas parcelas, uma em maio e outra em junho, e vai seguir o calendário que é habitual de pagamento do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social)”, afirmou César Bergo. 

Além disso, Bergo destaca que é importante ficar atento às dívidas que serão pagas e dá dicas de como investir o valor recebido. 

“É importante que na hora de usar esse dinheiro, primeiro, pagar as dívidas, segundo, você tem que  ter cuidado de não fazer aquelas compras impulsivas e acaso a opção seja fazer um investimento, hoje não temos a mais fácil que é cadeia de poupança mas também o resíduo direto, porque você não tem taxas e rentabilidade está próxima a taxa selic. Então esses dois investimentos são prioritários”, destacou o economista. 

O  benefício de Prestação Continuada, pago a idosos acima de 65 anos de baixa renda e pessoas com deficiência, carentes, equivale a um salário mínimo. Já os  beneficiários da Renda Mensal Vitalícia, mantida apenas para aqueles que já eram beneficiários até dezembro de 1995, não recebem o 13° salário.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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