Investimentos milionários. Para muitos empreendedores, ter uma franquia era privilégio de investidores com dinheiro sobrando. Se a marca fosse famosa, o sonho da franquia própria era cada vez mais distante. Hoje, com o setor muito aquecido, essa ideia já é um mito. Cada vez mais redes procuram modelos de negócios e canais mais econômicos tanto do ponto de vista de investimento inicial quanto operacional.
No ano passado, segundo dados da ABF (Associação Brasileira de Franchising), o setor faturou mais de R$ 110 bilhões, um aumento de 13% em relação a 2012. O crescimento na casa dos dois dígitos torna cada vez mais difícil manter grandes números de expansão, obrigando as redes, acostumadas aos grandes centros, a irem cada vez mais para cidades menores, levando formatos também menores e adaptados.
Para Rogério Feijó, diretor de inteligência de mercado da ABF, é preciso se adaptar para sobreviver. “Os grandes mercados estão bem desenvolvidos, com concorrência forte, e os planos de expansão exigem entradas em cidades de menor porte. As redes estão criando, sem perder a essência, modelos mais compactos, com investimento proporcional à capacidade do mercado de gerar retorno”, diz Feijó.
É o caso da Amor aos Pedaços. A marca lançou, durante a ABF Franchising Expo 2014, um formato de franquia com 20 metros quadrados e investimento inicial quase metade do tradicional. “Tem menor investimento e é uma oportunidade de entrar em locais menores, como o interior”, conta Júlio Valeriano, gerente de expansão da Amor aos Pedaços.
O novo projeto de quiosque deve usar todos os materiais de uma loja, mantendo inclusive o mesmo mix de produtos. O investimento inicial será de R$ 250 mil, contra os R$ 410 mil de uma loja convencional. “A gente tentou utilizar os próprios equipamentos de loja para ter um investimento reduzido. Se o quiosque precisar virar uma loja, conseguimos aproveitar boa parte da estrutura”, diz Valeriano.
A empresa pretende abrir 15 inaugurações neste ano, mas não especifica quantas deste tipo de modelo. “Não temos uma meta determinada para quiosque. É mais um modelo de negócios”, diz o gerente da doceria.
O formato de quiosque, como o usado pela Amor aos Pedaços, era até hoje um dos mais comuns na hora de reduzir o modelo de franquia. Com custos de locação menores, as redes enxergavam uma alternativa, que já está bem popularizada hoje. O que atraiu as franquias também chamou a atenção dos shoppings. “A gente teve um movimento de quiosques muito forte e os shoppings começaram a entender que a demanda tinha aumentado e começaram a ter acréscimo nos aluguéis”, explica Lyana Bittencourt, diretora do Grupo Bittencourt, de consultoria de franquias.
É hora de inovar e o novo formato queridinho das redes, em especial as de alimentação, são os food trucks. Os caminhões de comida podem ser deslocados e ganharam popularidade com as novas regras para venda de alimentos nas ruas, aprovada em São Paulo neste ano. O formato móvel foi a escolha da rede Natortilha, especializada em culinária mexicana, para manter os níveis de crescimento.
Chamado de box, o modelo, apesar de não ter motos, pode ser montado em oito minutos e funciona como um container, que fica instalado em espaços como postos de gasolina. “Isso nos dá agilidade de estar em alguns lugares públicos e privados com movimentação de pessoas. Acreditamos que isso pode nos trazer um valor agregado maior e vantagens econômicas, com relação a custo de aluguel, condomínio e luvas. A possibilidade de expansão é muito maior”, conta Ricardo de Leon, fundador da Natortilha.
O investimento é 40% mais baixo que a loja normal, na faixa dos R$ 140 mil. Até o final do ano, a rede pretende abrir 25 unidades deste formato.
Além de novas cidades e tendências, as redes lançam formatos mais econômicos para fisgar o consumidor em diferentes momentos de compra. A Big-X Picanha, por exemplo, está apostando em um modelo apenas de delivery com esta justificativa. Hoje, algumas lojas já oferecem o serviço, mas a ideia é manter as operações separadas. “Em uma das nossas lojas principais, a gente fez essa experiência, separou o salão do delivery, fazendo uma estrutura totalmente separada, e isso incrementou em 60% as vendas”, conta Rita Poli, diretora de franquias do Big X Picanha.
O modelo é também mais acessível a quem não tem R$ 450 mil para investir no formato tradicional. “Foi um modelo que a gente achou mais viável, dando abertura para outras faixas de investimento e trabalho de um período só”, diz Rita. O investimento inicial para o formato compacto é de R$ 200 mil. Atualmente a rede conta com 45 unidades e pretende abrir, em um ano, 20 lojas delivery.
Apesar de aumentarem as chances de expansão, o lançamento de novos formatos exige maturidade das redes. “Ampliar o tipo de formato que sua marca oferece deve acontecer só quando esgotar a capacidade de expansão em determinado formato ou se ele quiser atingir novos mercados”, explica Luis Henrique Stockler, sócio-diretor da ba}Stockler.
O ideal é planejar uma expansão específica para o novo modelo. “Ele deve conceituar idealmente o investimento mais baixo e ir a mercados onde o investimento atual não comporta. Deve estar no momento de logística adequado, com bons fornecedores e bem estruturado”, opina Lyana.
Para Stockler, o maior erro na hora de pensar novos formatos é pensar só no faturamento da franqueadora. “O erro da maioria das franquias é oferecer três ou quatro formatos do mesmo negócio porque acha que vai vender mais franquia. Se ele não tem escala em nenhum, há grande chance de perder o padrão operacional”, explica o consultor.
Para quem vai investir, os cuidados devem ser os mesmos, independente do tamanho da loja ou do investimento. “É preciso fazer pesquisa para saber se o fluxo é adequado e ter reservas de capital de giro. Não podemos negligenciar só porque o investimento é menor”, alerta Lyana.
Redes lançam franquias mais baratas
Em: 10 de junho de 2014
Com formatos mais econômicos, marcas conseguem atrair novos franqueados pelo Brasil
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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