O interesse econômico do Reino Unido pelo Brasil nunca foi tão grande na história recente. Acordos de parcerias e várias missões de negócios evidenciam uma mudança na percepção dos britânicos, pois até pouco tempo o país era negligenciado. “Pela quantidade de atividade, pode-se notar que esse é o período de maior interesse pelo Brasil”, afirmou à Agência Estado, em entrevista exclusiva, a presidente do UKTI (UK Trade & Investment), Susan Haird, que chega ao Rio de Janeiro na terça-feira para liderar uma delegação de mais de 50 companhias.
O Brasil foi identificado como um mercado-chave pelo órgão governamental de apoio a empresas. Nos últimos três anos, o número de companhias britânicas que recorreram ao UKTI em busca de informações sobre o país cresceu 500%. Somente em março, serão sete delegações comerciais em solo nacional. No último ano fiscal, que se encerra neste mês, o UKTI organizou 52 missões entre os dois países.
“O momento chegou para o Brasil, o crescimento é fenomenal, há grandes projetos de infraestrutura em andamento e existem boas empresas que querem crescer internacionalmente”, afirmou Susan.
Depois de passar por longa recessão, o Reino Unido tem dificuldades para reativar sua economia e agora mira as atenções em mercados de forte crescimento. Já sem tanto peso global, a política externa do primeiro-ministro David Cameron está voltada principalmente para o ramo dos negócios.
Mostra disso foi a polêmica missão realizada recentemente para o Oriente Médio. O governo já estava sob críticas porque armas britânicas estão sendo usadas por ditaduras para reprimir manifestantes no mundo árabe. Em meio aos protestos, Cameron visitou a região acompanhado de empresários do setor de defesa interessados em vender mais munição.
O setor é historicamente relevante para o Reino Unido, segundo maior exportador de armas do mundo. Susan defende a estratégia e diz que o país tem “regras rígidas” para o comércio, com base nas licenças de exportações.
Críticos dizem que o governo britânico deveria proibir a venda para ditaduras, mas ela defende que os negócios sejam avaliados caso a caso.
Brasil e Reino Unido fecharam no ano passado um acordo bilateral de cooperação no setor de defesa.
A maior interessada é a BAE Systems, que fez uma oferta para vender navios de guerra para a Marinha brasileira, dentro do processo de renovação de frota.
Os dois países também fecharam, em 2010, acordo na área de esportes, para trocar experiências sobre as Olimpíadas, já que Londres sediará os jogos no próximo ano, antes do Rio de Janeiro em 2016.
Reino Unido vive período de maior interesse no Brasil
Em: 22 de março de 2011
Recentes acordos evidenciam mudança na postura dos britânicos
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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