A crise financeira nos Estados Unidos fez com que a rentabilidade dos bancos brasileiros fosse mais que duas vezes a registrada pelos bancos norte-americanos no primeiro semestre deste ano. Os bancos brasileiros registraram rentabilidade de 21,7% em seus balanços de 30 de junho, e os americanos, de 8,9%.
Se forem levados em conta os quatro maiores bancos tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos, a diferença aumenta. A rentabilidade dos principais bancos brasileiros no primeiro semestre deste ano, de 28,5%, é praticamente quatro vezes a dos americanos, de 7,1%.
Os quatro maiores bancos brasileiros são o Itaú (rentabilidade de 30%), o Unibanco (30%), o Banco do Brasil (27%) e o Bradesco (26,5%).
Já os americanos são o Goldman Sachs (23,2%), o JP Morgan Chase (8,5%), o Bank of America (5,8%) e o Citigroup (-11,5%).
O estudo com a comparação do desempenho dos bancos brasileiros e americanos foi feito pela consultoria Economática e levou em conta a rentabilidade média dos balanços publicados por 23 instituições no Brasil e 81 nos Estados Unidos no primeiro semestre deste ano.
Uma curiosidade é que, do final de 2002 até o primeiro semestre deste ano, portanto durante os cinco anos e meio do governo do presidente Lula, a rentabilidade dos bancos brasileiros saltou de 12,4% para 21,7%. Já entre os bancos nos EUA, nesse mesmo período, a rentabilidade caiu de 15,7% para 8,9%.
Segundo o economista Fernando Exel, presidente da Economática, a primeira conclusão do estudo é que a crise do “subprime” (as hipotecas imobiliárias de alto risco) dos Estados Unidos, que já dura um ano e afetou a saúde das instituições americanas, não respingou no país.
A razão da blindagem dos bancos brasileiros ao efeito “subprime”, na opinião de Exel, deve-se ao fato de o volume de crédito imobiliário ser ainda muito pequeno, principalmente em comparação aos Estados Unidos.
O maior risco para o Brasil não é o do “subprime” mas de a crise de desaquecimento global atingir mais fortemente o país. Mesmo assim, não será um problema no setor imobiliário, e sim uma crise global. Apesar de a crise do “subprime” nos EUA ser a principal responsável pelo fato de os bancos brasileiros ganharem mais do que os americanos neste ano, não se pode dizer que isso se trata de uma novidade. De acordo com a Economática, tem sido assim nos últimos três anos. A crise do “subprime” apenas ampliou essa diferença. “Se compararmos o desempenho dos quatro maiores bancos no Brasil e nos EUA, sempre demos uma surra neles”.
Concentração e juros
Segundo Exel, dois fatores explicam o fato de os ganhos dos bancos brasileiros superarem os dos americanos.
Em primeiro lugar, a maior concorrência nos EUA. O Brasil é um dos países com maior concentração bancária do mundo.
Outro fator é o juro alto, modalidade na qual o Brasil tem sido imbatível nos últimos anos. O juro elevado também abre espaço para que os bancos elevem os “spreads”, a diferença entre o valor do dinheiro captado e o cobrado, o que faz com que a lucratividade seja maior. Num país com uma taxa básica de juro de 2%, como no caso dos EUA, torna-se difícil para os bancos cobrarem “spreads” muito elevados. Já no Brasil, onde a taxa básica de juro atinge 13%, é mais fácil para os bancos aumentarem os “spreads”.







