A criatividade é uma das características do brasileiro e quando unida ao empreendedorismo, pode gerar emprego e renda. E essa criatividade tem força no Amazonas. Segundo estatísticas do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), em 2014 (ano da primeira década da Indústria Criativa no Brasil) as mais de mil empresas atuantes no segmento, geraram um PIB (Produto Interno Bruto) equivalente a R$ 909 milhões, o que correspondia a 1,4% de tudo que é produzido no Amazonas. E indo além do artesanato a partir de reciclados, já corriqueira, a indústria vem se apropriando disso e, contando com estrutura e capacidade fabril bem maiores, usa da tecnologia avançada para ser rentável e sustentável.
Desde 2012 a unidade Manaus da multinacional Whirlpool promove a destinação correta de resíduos sólidos, gerando resultados favoráveis que vão além do simples lucro financeiro, explica o vice-presidente de Manufaturas, Relações Institucionais, Sustentabilidade e BU (Business Unity) Manaus, Armando Ennes do Valle Jr. “Deixamos de enviar poliuretano (‘espuma’ para isolamento térmico em geladeiras) e outros resíduos a aterros, antes da meta inicial estipulada, que era 2016. Hoje esta ‘espuma’ vai para uma empresa parceira que trabalha na fabricação de móveis”, conta.
O reflexo da criatividade e sustentabilidade é a maior procura pelos produtos fabricados pela Whirlpool e a atração e retenção de talentos. “Quando somos procurados por trainees, estes querem saber quais são nossas políticas e programas ambientais. Assim como não queremos ter nosso nome atrelado à poluição, os colaboradores também se preservam ao serem contratados por uma empresa que não polui. E não queremos perder os talentos que temos”, disse.
Bom para pequenos e micros
Em fevereiro do ano passado a economia criativa amazonense teve seu primeiro grande evento. O ‘Economia Criativa: Que Haja Luz!’ teve a proposta de integrar discentes e docentes das universidades localizadas em Manaus, com especial atenção aos cursos de Administração, Economia, Contabilidade e demais interessados pelo tema. Após tomar conhecimento da nova modalidade em sala de aula, a aluna do curso de Design da Faculdade Fucapi, Alessandra Claudine, em parceria com colegas, resolveu criar uma marca própria, usando o conceito da economia criativa.
“Percebemos um nicho a ser explorado e apostamos no segmento de customização. Assim nasceu a ‘Moda de Cabide’. Ainda encontramos uma forma de baratear o processo. Para isso contamos com o que há no guarda roupa do cliente, além de nossas peças próprias”, afirma Alessandra.
Com intuito de conseguir matéria prima para suas obras, o artesão Denival Melo, que transforma resíduos eletrônicos em objetos de arte e bijuterias, buscou parcerias com a indústria local. São carcaças e peças descartadas que se transformam em relógios de mesa e brinquedos. “Estou sempre presentes em eventos que apoiem a sustentabilidade e o reuso de componentes
eletrônicos. Já temos algum contato e agora é esperar que venham os negócios”, disse o artesão que expõe com regularidade na feira de domingo da avenida Eduardo Ribeiro e outros espaços.
Buscando apoio
Recentemente pesquisadores da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) anunciaram o desenvolvimento de protótipos de uma telha sustentável que tem entre sua matéria prima, fibras naturais da Amazônia (malva e juta) e argamassa que inclui areia, resíduos de cerâmica e pouco cimento. Para o o subcoordenador da pesquisa, o doutor em engenharia João de Almeida Melo Filho, a telha sustentável tem boas perspectivas de aceitação pelo mercado, além de gerar emprego no interior do Estado. “A utilização dessas fibras no desenvolvimento de um material de construção e a possibilidade de que seja usado em grande escala vai incentivar essas comunidades a produzir e aumentar sua renda”, explica o pesquisador.
O protótipo da ecotelha deve ficar pronto em 12 meses. Após esse processo, será necessário um patrocínio para adquirir o maquinário destinado à produção em larga escala. O projeto recebe o apoio da Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas) que concede R$ 50 mil à pesquisa por meio do programa Sinapse da Inovação, que apoia o desenvolvimento de tecnologias inovadoras.







