O deputado estadual Roberto Cidade assumiu, neste domingo (5), o governo do Amazonas em caráter interino, após a renúncia simultânea do então governador Wilson Lima (UB) e do vice-governador Tadeu de Souza (PP). A transição foi formalizada com a publicação das cartas de renúncia no Diário Oficial do Legislativo, encerrando o ciclo da atual gestão e abrindo uma nova fase de rearranjo político no estado.
A posse de Cidade ocorre em um contexto sensível do calendário eleitoral. A decisão dos agora ex-chefes do Executivo foi tomada nas últimas horas da janela partidária, período estratégico para movimentações políticas e redefinições de alianças. Até então, ambos sustentavam publicamente a necessidade de preservar a estabilidade institucional, discurso que contrastou com a saída coordenada dos cargos.
Com a vacância simultânea, a Constituição estadual prevê a realização de eleição indireta pela Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), responsável por escolher o governador e o vice que cumprirão o restante do mandato, considerado tampão, até o fim de 2026. O prazo para a realização do pleito interno é de até 30 dias.
Até lá, Roberto Cidade permanece à frente do Executivo estadual, em uma gestão de transição que tende a ser marcada por cautela administrativa e intensa articulação política nos bastidores.
A mudança no governo também provocou efeitos imediatos no Legislativo. Com a saída de Cidade da presidência da Aleam, o deputado Adjuto Afonso assumiu o comando da Casa, passando a conduzir o processo que definirá o novo chefe do Executivo estadual.
Nos bastidores, o nome do deputado estadual Ednailson Rozenha (PSD) começa a ganhar tração como possível candidato à eleição indireta. A articulação estaria vinculada ao grupo político do senador Omar Aziz, que já se posiciona como pré-candidato ao governo nas eleições diretas deste ano.
Ao mesmo tempo, há sinais de disputa interna. O deputado Marcelo anunciou que pretende participar do processo, ainda que critique o cenário atual, classificado por ele como de “cartas marcadas”. A manifestação indica que, apesar da tendência de consolidação de blocos políticos, o processo deve contar com ao menos algum grau de contestação.
A sucessão indireta ocorre em meio a um ambiente político em reorganização, no qual movimentos institucionais e eleitorais se sobrepõem. Mais do que uma solução transitória, a escolha do novo governador pode influenciar diretamente o equilíbrio de forças para a disputa eleitoral que se aproxima.







