Reprodução de pirarucus é tema de pesquisa

Em: 21 de agosto de 2009
Um trabalho de pesquisa do LEEM (Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular) do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia)quer detectar meios para melhorar as condições de reprodução do pirarucu e assim ampliar a oferta comercial da espécie
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Um trabalho de pesquisa do LEEM (Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular) do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia)quer detectar meios para melhorar as condições de reprodução do pirarucu e assim ampliar a oferta comercial da espécie

Um trabalho de pesquisa do LEEM (Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular) do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) quer detectar meios para melhorar as condições de reprodução do pirarucu (Arapaima gigas) e assim ampliar a oferta comercial da espécie.
O peixe, típico da Bacia Amazônia, apresenta baixas taxas de sobrevivência de seus alevinos (filhotes), o que resulta em um número igualmente baixo de indivíduos que atingem a fase adulta – e de abate. O resultado desse cenário é a elevação do preço comercial da espécie nos mercados da região.
O biólogo Alexandre Honczaryk, um dos pesquisadores envolvidos no projeto, explica que a etapa inicial dos estudos é a compreensão dos processos hormonais inerentes ao ciclo reprodutivo do peixe, seja ele antes, durante ou depois do período do acasalamento.
Segundo ele, foi a partir da análise desses processos que foi possível constatar que a indução da desova de fêmeas de pirarucu tem melhores resultados com um tratamento conhecido como “crônico”, que funciona com implantes de hormônio no organismo do peixe.
“O emprego de implantes hormonais apresenta a vantagem de eliminar a necessidade de injeções frequentes e estressantes, pelo fato dos níveis de gonadotropina (hormônio protéico presente em vertebrados) se manterem no plasma sanguíneo por semanas ou meses, dependendo da composição do implante”, explica o cientista.
Outra proteína importante para a formação dos óvulos na fêmea do pirarucu é a vitelogenina. O projeto tem acompanhado mensalmente os níveis de produção dessa proteína em fêmeas da espécie por meio do estudo do gene responsável por sua síntese no animal.
Esse estudo vem sendo realizado por um estudante de mestrado do Inpa, Alexandre Vergueiro, que é orientando pela também pesquisadora do Instituto, Vera Maria de Almeida e Val.
Honczaryk ressalta, no entanto, que o andamento da pesquisa pode trazer outros resultados importantes no sentido de permitir melhor reprodução da espécie. “Pretende-se ainda obter dados que permitam a desova induzida do pirarucu em cativeiro com a finalidade de aumentar a produção de juvenis da espécie, de forma a viabilizar economicamente sua cadeia produtiva”, afirma.
Os cientistas ressaltam a importância da participação de entidades como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Ministério da Pesca e Aquicultura e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) como importantes parceiros no processo.

Coleta de sangue

De acordo com o pesquisador, estão sendo feitos procedimentos mensais de coleta de sangue de espécimes para separação do plasma e posterior análise dos hormônios. “Este processo é importante para identificar os níveis de hormônios sexuais do peixe nas diferentes épocas do ano, assim podemos saber qual o melhor período para a indução com hormônios sintéticos”, detalha. Também são realizadas, ainda segundo Honczaryk, medições de peso e comprimento, além de testes de anestésicos, monitoramento biológico das gônodas por meio de aparelhos de ultra-som e fatores nutritivos. “Outro ponto importante observado é a análise da água, que pode alterar significativamente os níveis hormonais do peixe”, disse.
Todo o trabalho de acompanhamento e monitoramento está sendo realizado em uma fazenda particular no município de Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros de Manaus), onde existem inúmeros exemplares adultos de pirarucu.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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