Resposta ao desafio do setor produtivo

Em: 10 de novembro de 2007
O marco dessa mudança, que acena para a maior aproximação entre pes­quisa/ciência e o chão de fábrica
O marco dessa mudança, que acena para a maior aproximação entre pes­quisa/ciência e o chão de fábrica

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e USP (Universidade de São Paulo), representan­tes maiúsculas do setor produtivo e do universo acadêmico, respectivamente, iniciam um processo de cooperação ca­­­paz de mudar de modo definitivo o paradigma de relacionamento entre os dois segmentos. O marco dessa mudança, que acena para a maior aproximação entre pes­quisa/ciência e o chão de fábrica é o acordo que as duas ins­­tituições firmaram em 17 de outubro, estabelecendo am­­­­pla agenda de cooperação.

São contemplados proje­­tos voltados à pequena e mi­­­croempresa, aprimora­men­­­to do estudo periódico da Fi­­esp “Nível de Utilização da Capacidade Instalada”, rea­­­lização de cursos de capaci­ta­ção empresarial, ações con­­­juntas para a promoção do empreendedorismo universi­­tá­rio e a criação de novas empresas, extensão tecnológica e inovação e programa de estágios para alunos da universidade em indústrias de distintos ramos. É muito importante um aspecto desse acordo: em cada projeto, equi­­­pes constituídas por repre­sentantes da USP e da Fiesp trabalharão com si nergia e foco único.

Não há dúvida de que a maior aproximação entre ins­tituições de ensino superior e as empresas e entidades de classe representativas do se­­­tor produtivo apresenta bons resultados em todo o mun­­­do. Inclusive no Brasil há exemplos do quanto esse pro­­cesso é positivo. É o caso do Fórum Permanente das Re­­­lações Universidade-Em­­­pre­­­sa, que vem atuando na via­­bilização de patentes e a absorção de resultados de pesquisas pelas empresas há mais de uma década. Outro exemplo é a Unicamp (Universidade de Campinas) e Petrobras. Ambas as instituições mantêm cooperação desde 1987, quando foi criado o Cepetro (Centro de Estudos do Petróleo), laboratório que auxilia no desenvolvimento e aplicação de pesquisas da companhia estatal. Pois bem, desta unidade já saíram 250 mestres e doutores, hoje atuando na Petrobrás, e não é coincidência o fato de ambas as organizações ocuparem posições de destaque no ran­king nacional de registro de patentes. O significado de o país avan çar na área da inova­ção, em especial por meio da maior aproximação entre universidades e empresas, evidencia-se de modo muito claro na pauta de exportações. Os itens de média e alta tecnologia, ainda pouco recorrentes, destacam-se sobremaneira sobre os demais em termos de valor e geração de divisas. Um exemplo encontra-se nas aeronaves da Embraer, cujas vendas externas têm receita média anual superior a US$ 2 bilhões. E não se deve ater a análise apenas à indústria, pois a tecnologia também agrega diferencial às commodities. É o caso da soja nacional, cuja produtividade superlativa no mundo foi desenvolvida pelas pesquisas da Embrapa, possibilitando vendas externas de cerca de US$ 3 bilhões por ano. O valor agre­­­­­gado do co­­­­­nhecimento e pesquisa é visí­­vel no agronegócio brasileiro, valendo justo reconhecimento internacional ao setor e à excelência dessa instituição nacional de pesquisa.

É inegável a pertinência de ampliar os esforços no desenvolvimento mais acelerado das pesquisas, inovação e registro de patentes, considerando ser a dependência tecnológica a armadilha da subserviência, num mundo no qual o conhe­cimento é cada vez mais fator de domínio econômico.

Resposta eficiente a esse de­­­safio é a aproximação entre academia e produção, como ocorre no âmbito do acordo firmado pela Fiesp e a USP, ins­tituições que são referências nacionais e internacionais. A iniciativa atende a uma das mais acentuadas mudanças culturais verificadas no adven­­­­to do mundo globalizado­: a consolidação do conhecimen­­­to como catalisador de um no­­­vo e mais elevado padrão de produtividade e qualidade.

João Sabino Ometto é enge­nhei­ro , vice-presidente da Fiesp e membro do Conselho da USP.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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