Restaurantes vendem menos no AM

Em: 17 de janeiro de 2017
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O faturamento médio do setor de alimentação fora de casa no Amazonas caiu 12% no ano passado. O índice é quase o dobro da média nacional, que registrou queda real de 6,75% em 2016. Segundo a Abrasel-Am (Associação de Bares e Restaurantes do Amazonas), o mês de novembro foi o pior do ano em faturamento para setor de gastronomia amazonense. E dezembro mesmo com leve melhora, o recuou chega a 5%, se comparado ao mesmo período de 2015. Ainda de acordo com a entidade, fatores climáticos somados à sensação de insegurança resultam no baixo movimento de consumidores nas primeiras semanas de 2017. Em janeiro, a projeção de queda deve bater os 30% na capital.

Segundo a presidente da Abrasel-Am, Lilian Guedes, a atividade de serviços e comércio da região dependem em grande parte da indústria para crescer e se manter no mercado. “Temos uma economia dedicada ao segmento da indústria, que com a crise demitiu milhões de trabalhadores, afetando outros mil que indiretamente dependem do setor. Quando a indústria caiu, a prestação de serviços parou, o setor produtivo também diminuiu. E com a queda nas vendas, tudo vira uma bola de neve”, explica. Lilian conta que em termos gerais o mês de novembro foi o pior do ano em faturamento para setor de gastronomia amazonense e dezembro, o setor reagiu, mas amargou recuou de 5% em relação a igual mês do ano anterior.

“Como a produção industrial teve uma reação nos últimos meses do ano, observamos que empresas que tinham sete mil empregados e chegaram a reduzir para quatro mil, já fecharam 2016 com 5 mil funcionários contratados. Em contrapartida, só em dezembro cerca de 12 restaurantes ligados a Associação no Estado fecharam as portas”, comenta a presidente acrescentado que no decorrer de 2016, o mercado de alimentos não cresceu. “O que aconteceu foi que o consumidor migrou dos estabelecimentos fechados para os que abriram”, argumenta.

E os números negativos devem se repetir no primeiro mês de 2017. Na avaliação de Lilian, fatores climáticos somados à sensação de insegurança, decorrente de assaltos e os chamados ‘arrastões’ prejudicam o movimento no setor de gastronomia do Amazonas. “Os bares e restaurantes noturnos são os mais afetados e devem ter queda de até 30% no movimento de janeiro se comparado com 2015. Isso porque com esses fatores as pessoas saem pouco de casa para comer ou pedem por delivery”, afirma a presidente.

De acordo com a Abrasel nacional, a perspectiva de aumento do setor em real fica em 1,5% no país. A presidente da entidade no Estado também se mostra otimista. “Essa é uma projeção positiva, embora seja menor do que a média de crescimento entre 5% e 7% dos últimos anos. Mas é reflexo da crise, uma que 2016 foi um ano bem difícil para todos os segmentos econômicos e havendo recontratação no PIM (Polo Industrial de Manaus), a ideia é que os resultados fiquem estabilizados e, a partir do segundo semestre tenha uma recuperação”, conclui Lilian.

Índices mais animadores
Já dados do IBGE, apontam que o volume do setor de serviços do Amazonas reagiu e registrou aumento de 4,6% na passagem de outubro para novembro. Conforme os números, o resultado é o melhor de 2016 e o segundo melhor do país, atrás apenas da Bahia, onde o volume de serviços cresceu 5,2%. Já em relação a novembro de 2015, o setor caiu 10,3%. Também tiveram índices negativos a taxa acumulada de janeiro a novembro e os últimos 12 meses, quando registraram o recuo de 14,4% e 14,1%, respectivamente.

A pesquisa mostra que o resultado positivo de 4,6% em novembro, além de ser o segundo melhor índice dentre as 27 unidades da federação, foi o melhor do que a média nacional (0,1%). Por outro lado, se comparado com igual mês de 2015, o setor registrou perdas de 10,3%, a menor queda de 2016. Apesar do dado negativo, o setor mostra melhoras em relação a outubro, quando amargou queda de 16,2% na comparação com o ano anterior.

De janeiro a novembro, o volume de serviços também teve perdas. O período ficou em -14,4%, o que coloca o Amazonas com o segundo pior desempenho em 2016, atrás apenas do Amapá com -15,1%. Já nos últimos doze meses, o acumulo passou para -14,1%, atrás também do Amapá (-15,3). Com esses resultados, as taxas acumuladas no ano e nos últimos 12 meses recuaram para – 5%, ambas.

O levantamento ainda aponta que no penúltimo mês de 2016, a receita nominal dos serviços teve crescimento de 5,3% na comparação com outubro daquele ano. Foi o melhor resultado desse índice no ano e em comparação com o Brasil, o índice foi melhor que a média nacional (0,1%). Na comparação com novembro de 2015, a queda foi de 6,0%, a menor de 2016.

Isso após o mês de outubro ter marcado uma retração de -13,0%. Já o acumulado de janeiro a novembro para a receitas, atingiu -11,3%. Já nos últimos 12 meses, o setor registrou uma queda de 10,9%.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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