Resultado das urnas sem influência

Em: 30 de outubro de 2014
lideranças minimizam efeitos para o comércio e os serviços até o fim do ano
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lideranças minimizam efeitos para o comércio e os serviços até o fim do ano

Os resultados das eleições que reelegeram o governador José Melo e a presidente Dilma Rousseff terão poucas influências no quadro econômico de serviços e do comércio até o final do ano. No setor hoteleiro, as expectativas são de manter a ocupação entre 28% e 34% e o comércio projeta aumento de 8% no Natal e 9% no Ano Novo, sobre as vendas de 2013.
“Como não houve mudanças, o comércio segue com a mesma expectativa para a conclusão do segundo semestre deste ano”, adianta o presidente da CDLM (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Baraúna Assayag. O titular comenta que o desejo de que o complemento dos novos mandatos seja de tranquilidade.“O professor Melo já vem dando continuidade ao trabalho do Omar e a Dilma terá oportunidade de concluir seus projetos”, analisa Assayag.
Para as festas de fim de ano, Assayag projeta cenário otimista. “Isoladas, algumas lojas devem sofrer reduções nas vendas em função da inauguração dos dois novos shoppings na capital amazonense –Cidade Nova e zona Norte. No entanto, de modo geral, os números serão positivos”, afirma.
Quanto aos serviços temporários, de acordo com o presidente da CDLM, o número de contratações influencia diretamente nesse volume de vendas –que cresce rotineiramente nessa época do ano. “As lojas tendem a contratar mais para conseguir atender à demanda e, com isso, o mercado de trabalho gera mais renda como retorno para o comércio”, diz Ralph.

Estratégia
A gerente da loja Salmo 91, localizada na avenida Grande Circular, Antônia Farias da Costas, confirma os números citados pela CDLM. “Pela facilidade de acesso ao consumidor, o cliente prefere fazer suas compras em um shopping, o que causa transtornos para os lojistas de bairro”, lamenta. Para aquecer as vendas, a estratégia é lançar promoções que chamem à atenção. “Nosso público não é o mesmo que frequenta um grande centro de compras, mas precisamos estar preparados”.

Avaliação
O superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Aloisio Campelo, diz que o nível de confiança das empresas pode ter alguma melhora pela definição tanto do quadro eleitoral quanto de futuras medidas para melhorar o quadro econômico. “Havia muita incerteza em relação ao ambiente, algumas empresas tendem até a melhorar a avaliação por haver já alguma decisão, qualquer que seja”, disse ao comentar os resultados de projeção para o comércio.
A preocupação que ainda remanesce, de acordo com Campelo, é sobre os rumos da política econômica. Apesar da reeleição da presidente Dilma Rousseff, ainda não há definições sobre como será a condução da economia nos próximos quatro anos. “Essa definição pode ter algum efeito (na confiança), mas no comércio isso deve ser mais discreto”.
“Ainda que 2015 seja um ano em que a economia vai crescer devagar, esse novo cenário terá impacto neutro ou ligeiramente positivo (nos índices de confiança)”, acrescenta. Em outubro, as expectativas do setor de serviços cresceram 4,4%. As percepções sobre o futuro também melhoraram na prévia deste mês para a confiança da indústria. No comércio, as avaliações sobre os próximos meses também foram favoráveis, com aumento de 1,8%, segundo a série com ajuste sazonal (ainda experimental, já que a confiança do comércio é recente, iniciada em 2010).

Hotéis em baixa até 2015
O presidente da Abih-AM (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Amazonas), Roberto Bulbol, diz que o setor hoteleiro sempre perde durante o período eleitoral. Seja pela redução do número de turistas ou pelas indústrias, que freiam as viagens de negócios. “Desde o primeiro turno, as empresas têm evitado trazer colaboradores para Manaus. Primeiro pela instabilidade econômica e depois porque os cidadãos querem estar em sua cidade para garantir o direito ao voto”, comenta.
Segundo ele, gerou-se uma falsa expectativa de que a Copa do Mundo mudaria o quadro de ocupação. Deste modo, a lotação mantêm-se entre 28% e 34% até o fim de dezembro. “Enquanto o resto do Brasil se aquece com o turismo de entretenimento, Manaus não conseguiu deixar de ser uma cidade business”, explica.
Embora o setor hoteleiro na capital amazonense tenha sido desenvolvido nos últimos cinco anos, o movimento de turistas não acompanhou a demanda. “Os hotéis daqui recebem empresários e, com as férias coletivas das indústrias e as férias das crianças, haverá um esvaziamento ‘natural’, lamenta.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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