Ribeirinho busca melhor atendimento

Em: 1 de abril de 2013
Pacientes vindos do interior do Estado enfrentam desafios para chegar a Manaus em busca de tratamento
Pacientes vindos do interior do Estado enfrentam desafios para chegar a Manaus em busca de tratamento

Ao término do terceiro mês de administração, os atuais prefeitos do interior do Estado já iniciam novos procedimentos para resolver velhos problemas. Passado o período de “tomar pé da situação”, os gestores, começam a imprimir um ritmo e uma marca própria. No entanto, antigos gargalos de gestões passadas continuam a merecer toda a atenção, pois envolve o bem-estar da população. O caso das pessoas que precisam vir para a capital se tratar de um problema de saúde ainda precisa ser melhorado.
A situação se complica a partir do momento em que a grande maioria das cidades do interior não possui uma estrutura capaz de manter esse paciente na própria localidade. Por necessidade, então, esse ribeirinho precisa se deslocar até Manaus, iniciando um verdadeiro martírio para começar o tratamento.
O primeiro passo é escolher no seio familiar quem será o acompanhante. Depois angariar recursos para a manutenção em Manaus. Normalmente, a prefeitura doa a passagem de barco. Ao chegar, a situação ainda pode se complicar, dependendo de onde eles vão morar. O transporte feito desse local para o hospital é mais uma despesa. Enfim, esse cenário vem sendo repetido durante anos e anos na realidade amazônica.
Agora, diante desse quadro algumas prefeituras estão buscando uma espécie de plano de saúde especial para atender essa população. Os hospitais começam a estudar a possibilidade de oferecer serviços que venham contemplar essa demanda.
De acordo com o novo presidente da Beneficente Portuguesa, Jair Alves, o hospital pretende oficializar uma parceria com o governo do Estado e passar a oferecer leitos para atender o homem ribeirinho. “As negociações estão bem adiantadas nesse sentido. Acreditamos que em breve, anunciaremos a conclusão do convênio”, disse Jair.
No porto da Manaus Moderna é muito comum encontrar gente que vem de longe para se tratar na capital. Dona Joaquina Miranda, uma agricultora de 58 anos viajou alguns dias, vindo de Eirunepé. Um pouco abatida, ela veio iniciar o tratamento de um tipo de câncer. A agricultora não tem parentes em Manaus e no primeiro momento iria ficar no próprio barco, mediante um acordo, até a embarcação ter que zarpar novamente. A filha, Maria da Conceição, disse que iria atrás da representação do município para pedir ajuda.
“Já fizemos contato, e espero que nos ajudem”. No porto do São Raimundo, de onde partem e chegam embarcações para as cidades do rio Negro, o aposentado Pedro da Gama Filho estava esperando o filho mais velho que lhe levaria ao hospital Adriano Jorge para uma cirurgia no joelho esquerdo. “Eu me considero um privilegiado, pois tenho onde ficar e como me deslocar. Sei que nem todos podem fazer isso”, ressaltou o aposentado.
Na Assembleia Legislativa esse assunto já foi abordado pelo deputado Tony Medeiros. O parlamentar, inclusive já conseguiu intermediar o atendimento para pacientes vindos do baixo e médio Amazonas. “A nossa luta é para que o homem interiorano tenha um atendimento mais digno e eficiente. Não vamos sossegar enquanto não vermos nossos irmãos melhor assistidos, afirmou o parlamentar. Ele disse ainda que já percorreu alguns hospitais em busca de firmar parcerias para o atendimento ao ribeirinho. Devido ao feriado ninguém atendeu ao telefone na Susam (Superintendência de Estado da Saúde) e nem na Associação dos Municípios Amazonense.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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