A estabilização do dólar no último fim de semana, cuja cotação atingiu os R$ 2,34 ontem(o equivalente a uma queda de 1,01% frente ao real), levou as indústrias metalúrgicas do polo industrial a retomarem as estimativas de negócios para o primeiro trimestre.
O presidente do Sinmem (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Manaus), Athaydes Félix Mariano, afirmou que justamente na semana em que a maioria das empresas do setor retoma a produção, a preocupação com o risco do desemprego cresce entre trabalhadores e empresários, que negociam alternativas para evitar uma enxurrada de demissões.
Segundo o executivo, os dados de produção, vendas, margem líquida e financiamentos na metalurgia amazonense nos dois últimos meses revelam que o risco é iminente, embora seja possível identificar os subsetores mais afetados e aqueles que ainda podem atravessar o primeiro trimestre sem muitas despensas.
Mariano afirmou ainda que muitas empresas do setor apresentaram demanda e caixa já comprometidos pela crise, fatores que obrigaram a uma reunião, em meados de janeiro, com os representantes do setor de duas rodas, principais compradores, onde se ventilou a redução da força de trabalho apenas como último recurso. O empresário avaliou que, junto com as montadoras do polo de duas rodas e dos eletroeletrônicos, a metalurgia é parte de um ‘grupo de risco’ que já indicava um quadro de agravamento no fim do ano passado. “Não existe subsetor que sairá ileso da crise, mas certamente os que dependem do crédito e já apresentam redução da demanda estarão mais propensos a optar por férias coletivas ou suspensão de contrato neste trimestre”, completou.
Clima de instabilidade
Apesar de os dados da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) apontarem que, no ano passado, a evolução da mão-de-obra metalúrgica entre efetivos, temporários e terceirizados subiu de 6.074, em 2007, para 6.703, marcando uma evolução de 10,36% no período, o economista Reinaldo Souza Dib, avaliou que os números do emprego no acumulado do ano passado não refletem a real situação causada pela crise no último quadrimestre. Na opinião do especialista, por não se tratar de serviço essencial ou de produtos básicos, a metalurgia apresenta menos chance de encerrar o primeiro trimestre com o nível de emprego inalterado. “Apesar das perspectivas pouco favoráveis para a construção, acredito que seja justamente o setor no qual a metalurgia vai se sustentar razoavelmente. Afinal, embora as vendas de imóveis tenham caído, as construtoras continuam as obras”, considerou.
O empresário Daniel Tomiasi, atuante no setor de metalurgia, que compartilha da mesma opinião de Dib em relação à queda nos negócios, foi mais contundente ao afirmar que a involução pode atingir entre 15% a 20% ainda neste semestre. De acordo com o cenário mais positivo traçado pelo executivo, somente a partir de julho é que a indústria de transformação pode registrar os primeiros índices de estabilidade nas vendas e voltar à frenética das contratações. “As vendas para o polo de duas rodas caíram drasticamente, levando o setor a uma grande retração neste momento. O que está segurando as vendas e a manutenção da mão-de-obra são os contratos firmados com a construção civil”, revelou.







