A presença de fatores de risco de desastres naturais, associada à probabilidade de ocorrência do evento e suas consequências, indicam que o Amazonas é o 11º Estado brasileiro com 361 áreas de risco ameaçadas por este tipo de fenômeno.
Informações divulgadas pela Agência Brasil, apontam que até janeiro, o SGB-CPRM (Serviço Geológico do Brasil) mapeou áreas de risco em 1.632 municípios brasileiros. Desses municípios, 1.575 foram identificados como áreas de risco alto e muito alto. Até o momento, são 13,5 mil áreas de risco em todo o Brasil.
Ao avaliar os fatores de risco geológico observados no Amazonas o geólogo Daniel Nava explicou que a falta de planejamento urbano nos grandes centros, a exemplo de Manaus, leva a ocupação de áreas impróprias ao uso, como planícies de inundação/margens de igarapés e rios, barrancos com elevada declividade que são terrenos propícios a ocorrência de escorregamentos e inundações provocadas por fenômenos naturais (uma forte chuva, por exemplo). “Há ainda casos de acidentes provocados pelo corte indevido de taludes, relacionados a deslizamentos”.
Segundo ele, estes mapas de áreas de risco mapeados pelo Serviço Geológico do Brasil são muito importantes para orientação dos entes públicos quanto à necessidade de acompanhamento/monitoramento destes terrenos de forma preventiva à acidentes com perdas econômicas, sociais e de vida.
O Serviço Geológico do Brasil identificou, no primeiro mês de 2022, a setorização de áreas de risco geológico em diversos municípios dos estados. No Amazonas os municípios contemplados são: Carauari, Guajará, Ipixuna, Juruá, Itacoatiara, Itapiranga e Silves.
A identificação e caracterização abrange porções urbanizadas do território municipal sujeitas a sofrer perdas ou danos causados por enchentes, inundações, deslizamentos, erosões, dentre outros eventos adversos de natureza geológica.
Opinião
À Agência Brasil, Júlio Lana, pesquisador em Geociências e geólogo e coordenador-executivo da Setorização de Áreas de Risco, explica que a área de risco é “uma porção ocupada do território sujeita, portanto, a sofrer perdas ou danos decorrentes da ação de eventos geológicos adversos, como os deslizamentos de encostas ou inundações”.
O pesquisador diz que a estimativa é de que essas áreas sejam habitadas por aproximadamente 4 milhões de pessoas.
“É importante ressaltar também que esse número tende a aumentar na medida em que novos municípios sejam mapeados. Ou seja, ele não corresponde ao total de pessoas que moram em áreas de risco no país”, explica o pesquisador.
Ocorrências
Esses mapeamentos, tem o objetivo de prevenir acidentes como o desabamento rochoso que aconteceu em Ouro Preto no início de 2022. Em junho do ano passado, um relatório divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil identificou locais de risco em atrativos turísticos no município de Presidente Figueiredo. Os produtos utilizados incluem mapas, relatório técnico e arquivos vetoriais georreferenciados que podem subsidiar a tomada de decisões para a prevenção de desastres.
Foram avaliados, neste estudo, 22 atrativos geoturísticos do município de Presidente Figueiredo, como cachoeiras, corredeiras, cavernas, grutas, paredões rochosos e cânions. Para cada atrativo foi feita uma caracterização dos fatores de risco geológico e hidrológico que pudessem provocar acidentes fatais. A presença de fatores de risco, associada à probabilidade de ocorrência do evento e suas consequências, levaram à classificação da situação de risco, em cada atrativo, nos graus alto, médio e baixo.
Os pesquisadores salientam que o “alto risco” não se refere a toda a extensão do atrativo em análise, mas apenas a determinado(s) ponto(s), fato que não inviabiliza a continuidade da visitação a esses locais, mas implica na adoção de medidas de segurança sugeridas.
O mais recente episódio de desastres naturais ocorreu no litoral norte paulista ao seri atingido por fortes chuvas. As cidades mais afetadas foram São Sebastião, Ubatuba, Bertioga, Ilhabela, Caraguatatuba, Santos, São Vicente e Praia Grande.
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Estudo
Iniciado em 2011, o trabalho já mapeou mais de 1600 municípios em todo o Brasil. Os estados do Acre, Rondônia, Amazonas, Santa Catarina e Espírito Santo foram 100% mapeados. Todos os anos, cerca de 70 municípios são mapeados.
Por dentro
Santa Catarina, Minas Gerais e Espírito Santo estão no topo do ranking das áreas de risco.







