Saturação e atrasos de projetos ainda são ameaças ao setor aéreo

Em: 7 de julho de 2008
Pelo quarto ano seguido, o mercado doméstico de aviação cresceu acima de 10% e com isso 13 dos 20 maiores aeroportos brasileiros tiveram movimento superior à capacidade instalada em 2007.
Pelo quarto ano seguido, o mercado doméstico de aviação cresceu acima de 10% e com isso 13 dos 20 maiores aeroportos brasileiros tiveram movimento superior à capacidade instalada em 2007.

Um ano depois do acidente aéreo da TAM, no aeroporto de Congonhas, o governo conseguiu conter temporariamente a crise da aviação civil mesmo sem intervenções na estrutura do sistema aéreo e mesmo sem ter colocado em prática várias das medidas anunciadas entre julho e agosto de 2007. A saturação dos aeroportos e o atraso dos projetos de aumento da capacidade, contudo, ainda são uma ameaça para o bom funcionamento do setor. Pelo quarto ano seguido, o mercado doméstico de aviação cresceu acima de 10% e com isso 13 dos 20 maiores aeroportos brasileiros tiveram movimento superior à capacidade instalada em 2007.
Para uma estrutura que comporta 93,6 milhões de passageiros ao ano, no máximo, a quantidade de embarques e desembarques nesses aeroportos chegou a quase 100 milhões no ano passado. Guarulhos, Fortaleza e Goiânia são exemplos do descompasso entre oferta e demanda. O ritmo de saturação aumenta rapidamente: em 2005, de acordo com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), só três aeroportos trabalhavam com movimento maior do que a estrutura atual – Congonhas, Brasília e Vitória.
Enquanto isso, parte dos principais projetos de expansão da infra-estrutura aeroportuária esbarra na qualidade das licitações da Infraero, segundo diagnóstico feito pelo do TCU (Tribunal de Contas da União). Em estudo desde 1997, o terceiro terminal de Guarulhos, que aumentará a capacidade do aeroporto de 16,5 milhões para até 29 milhões de passageiros por ano, teve seu primeiro edital de licitação elaborado em janeiro de 2004. Até hoje, no entanto, a obra não foi iniciada.
A reforma da pista principal de Guarulhos, em estado avançado de deterioração, também se tornou um drama para a Infraero. O cronograma era começar em agosto a recuperação do último dos três trechos da pista, mas o TCU encontrou indícios de irregularidades no contrato para as obras. O tribunal calcula que o contrato, no valor de R$ 270 milhões, tem sobrepreço de R$ 56 milhões. Com esse problema, a obra já foi adiada para 2009, porque demora três meses e precisa ser realizada em período de baixa temporada. O presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, admite a hipótese de fechar a pista caso não seja possível iniciar a reforma até março, apesar dos prováveis transtornos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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