Secretário esclarece dúvidas de deputados

Em: 26 de outubro de 2016
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A Aleam (Assembleia Legislativa do Amazonas) recebeu nessa terça-feira (25) o secretário de Estado da Saúde, Pedro Elias, para prestar esclarecimentos sobre a situação do atendimento público de saúde no Estado e sobre os supostos desvios de recursos públicos investigados pela operação Maus Caminhos, da Polícia Federal (PF). A convocação foi feita por meio de requerimento de autoria do deputado estadual José Ricardo (PT).
O secretário iniciou sua explanação explicando que repasse de recursos não depende da Susam, mas da Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda), que é o órgão pagador do Estado. Disse que o momento é de excepcionalidade e que todo o esforço está sendo feito para regularizar o pagamento dos salários dos profissionais terceirizados, que está sendo feito diretamente na conta desses trabalhadores. Segundo ele, um grupo de trabalho foi criado na secretaria com a missão de realizar os pagamentos -cuja segunda leva deve ser depositada até quinta-feira (27).
“Existem algumas inconsistências de dados. Como trata-se de uma excepcionalidade, em algumas situações o CPF do funcionário não está batendo, a conta não está batendo, então o trabalho está sendo feito um por um. Nós trabalhamos ao longo desses dias até a noite pra que conseguíssemos terminar a primeira planilha e hoje deve ser concluída a segunda, mais 870 pessoas e, na semana que vem, mais um grupo final”, informou sobre o processo de pagamento dos terceirizados.
O gestor também sugeriu a formação de um grupo dos funcionários terceirizados para facilitar a transmissão de informações à categoria e agradeceu os trabalhadores por manterem o atendimento à população. Por fim, Pedro Elias lembrou que a terceirização na área de saúde é um processo que vem acontecendo há mais de 20 anos, que o Estado não contrata profissionais, mas quantitativo de plantão, e observou que uma solução para o problema seria a realização de concurso público.
“O que fizemos desde que assumi a secretaria, há um ano e pouco, foi chamar três levas de concursados do concurso de 2014, mais de mil de 2005 e estou chamando essa semana mais 1739 concursados de 2014 e em novembro estamos fazendo a terceira chamada de 2014. É claro que isso envolve a Lei de Responsabilidade Fiscal. Reitero meu pedido de desculpas, em nome da secretaria, aos profissionais de saúde por essa situação apesar de não termos dado origem a isso e todo esforço que estamos fazendo de encontrar solução definitiva para regularizar a situação dos senhores”, finalizou.
Finalizada a fala do secretário, nove parlamentares se manifestaram sobre o tema. Serafim Corrêa (PSB) disse que a terceirização da forma como ocorreu na Susam é um desrespeito a lei do SUS (Sistema Único de Saúde) e defendeu que esse é o momento para que esse processo seja revisto. Alessandra Campêlo (PMDB) disse que os problemas na área de saúde não são causados pelas terceirizações, mas sim pela corrupção. Ela citou a operação Maus Caminhos e defendeu a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Augusto Ferraz (DEM), por sua vez, perguntou sobre as cirurgias em crianças cardiopatas e pediu explicações sobre como estão sendo atualizados os dados dos terceirizados da saúde para o pagamento dos salários.
José Ricardo lembrou ter encaminhado ao secretário documento solicitando informações sobre unidades de saúde que seriam fechadas, por falta de recursos. O deputado também mostrou dados que segundo ele demonstram que a arrecadação do Estado não diminuiu, assim como os recursos do Fundo estadual de saúde. Vicente Lopes (PMDB) falou sobre o histórico de terceirização na pasta de saúde, afirmando que essa medida tomou grande proporção, incluindo a terceirização da gestão de unidades de saúde. Já Ricardo Nicolau (PSD) propôs, como alternativa, que os terceirizados fossem contratados como temporários enquanto não há a realização de um novo concurso público.
Wanderley Dallas (PMDB) perguntou ao secretário sobre a suspensão das empresas investigadas pela Operação Maus Caminhos e se há intenção de se realizar nova licitação ou contratação emergencial. Sabá Reis (PR), por sua vez, questionou há quantos meses o governo do Estado está com pagamento das empresas terceirizadas atrasado. Encerrando os pronunciamentos, David Almeida (PSD), falando em nome da liderança do governo na Casa, afirmou que o pensamento da base e do executivo é de que aqueles que desviaram recursos públicos sejam punidos. O governista destacou ainda que as informações da Polícia Federal são de que não existe agentes públicos envolvidos nas ações alvo da Operação Maus Caminhos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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