Selic se reflete no bolso do consumidor

Em: 11 de outubro de 2013
Taxa média de juros cobrada em empréstimos para pessoa física é de 5,53%
Taxa média de juros cobrada em empréstimos para pessoa física é de 5,53%

As taxas de juros ao consumidor registraram, em setembro, aumento pelo quinto mês seguido, de acordo com pesquisa divulgada pela Anefac (associação de executivos de finanças). A taxa média de juros para pessoa física teve alta mensal de 0,02 ponto percentual, passando para 5,53% ao mês, a maior desde novembro do ano passado. Segundo Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor de estudos econômicos da entidade, a alta é reflexo da elevação da taxa básica de juros, Selic, de 8,5% para 9,0% na reunião de agosto do Copom (Comitê de Políticas Monetárias do Banco Central).
Na última quarta-feira, o Copom decidiu elevar a Selic de 9% para 9,5% ao ano, na quinta elevação seguida da taxa básica no ano. De acordo com Oliveira, a pressão inflacionária deve levar a outro aumento da Selic na reunião do Copom de novembro. “Por conta disso é provável que as taxas de juros das operações de Crédito voltem a ser elevadas nos próximos meses”, afirma.
A Anefac indica que, das seis linhas pesquisadas, cinco registraram aumento -juros do comércio, cheque especial, CDC-Bancos-financiamento de automóveis, empréstimo pessoal-bancos e empréstimo pessoal-financeiras. Apenas o rotativo do cartão de crédito se manteve estável.

Protestos

A decisão do Copom de reajustar a Selic para 9,5% desagradou entidades laborais e empresariais. A Força Sindical e a Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), filiada à CUT (Central Única dos Trabalhadores), condenaram o novo aumento dos juros, anunciada na quarta-feira (9) pelo BC (Banco Central).
“Há uma distância entre o modelo econômico defendido e a política monetária praticada. Falta clareza na ação do Copom. Será zelo demais? A dose não pode matar o paciente? Elevar a taxa Selic em um momento que a atividade econômica patina, anda de lado e a inflação aponta tendência de queda é, no mínimo, estranho”, disse em nota, a Força Sindical.
Para a Contraf, a elevação dos juros penaliza os trabalhadores e beneficia especuladores e instituições financeiras. “Fica mais claro do que nunca que o objetivo por trás do discurso da necessidade de controlar a pressão inflacionária é, na verdade, atender a interesses das instituições financeiras, as principais detentoras da dívida pública”, disse, em nota, Carlos Cordeiro, presidente da Contraf.
A Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) também pediu o fim do ciclo de aumento da Selic. A entidade argumenta que a medida não se justifica.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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