Semana do Brasil segue sem empolgar o varejo

Em: 12 de novembro de 2021
O comércio varejista do Amazonas tombou pelo quarto mês seguido, em setembro, sem empolgar com as vendas da Semana do Brasil.

O comércio varejista do Amazonas tombou pelo quarto mês seguido, em setembro. O mês da Semana do Brasil apresentou nova desaceleração ante agosto, e recuo de dois dígitos no resultado de 12 meses atrás – quando o setor ainda sofria restrições, mas já ensaiava retomada. O Estado seguiu a média nacional, mas teve melhor performance em segmentos dependentes de crédito, como material de construção e veículos. E, da mesma forma que minou as vendas, o impacto inflacionário inflou a receita nominal. É o que revelam os dados da Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada pelo IBGE, nesta quinta (11).

O comércio amazonense recuou 0,6%, na variação mensal, após os tropeços mais robustos de agosto (-1,6%), julho (-2,9%) e junho (-3,5%). Em relação ao resultado de setembro do ano passado, o varejo local sofreu decréscimo reforçado de 10% no volume de vendas. O acumulado do ano (+0,4%), assim como o aglutinado de 12 meses (+3,4%), seguem no campo positivo, mas continuam sendo erodidos pelas sucessivas retrações mensais. O Estado só se saiu melhor do que a média nacional (-1,3%, -5,5%, +3,8% e +3,9%) na variação mensal.

O varejo encolheu em 25 das 27 unidades federativas brasileiras, na variação mensal. Com isso, a despeito do decréscimo de 0,6%, o Estado ainda subiu do décimo para o sétimo lugar do ranking, empatando com o Rio de Janeiro e o Espírito Santo. Os únicos dados positivos vieram do Acre (+0,4%) e do Mato Grosso (+0,2%), enquanto Mato Grosso do Sul (-3,9%) e Santa Catarina (-3,6%) ficaram no rodapé. Em nove meses, o Estado decolou da 21ª para a terceira posição, em uma lista liderada por Rondônia (+14,3%) e encerrada por Distrito Federal (-4%). 

Vitaminada pela inflação do período, a receita nominal do setor foi melhor em todas as comparações. Em relação a agosto de 2021, indicou alta de 0,3%, em resultado praticamente simétrico ao da sondagem anterior (-0,4%). No confronto com setembro de 2020, o varejo do Amazonas conseguiu crescer 3%. O saldo dos nove primeiros meses do ano (+13,7%) também seguiu no azul, assim como no aglutinado dos 12 meses (+15,3%). As respectivas médias nacionais foram -0,2%, +8,3%, +16,3% e +15,1%.

Mesmo com variação mensal próxima a zero, o Amazonas acabou galgando da 12ª para a nona posição, sendo uma das dez unidades federativas a avançar nesse tipo de comparação. Mato Grosso (+1,5%), Espírito Santo (+1,4%) e Amapá (+1,1%) dividiram o pódio, enquanto Mato Grosso do Sul (-3,3%), Alagoas (-2,4%) e Pará (-2,3%) tiveram os piores números. No ano, o Estado se manteve na 19ª colocação. Os melhores números vieram de Piauí (+29,4%) Amapá (+29,1%), e Pará (+22,9%). Em contraste, Tocantins (-1,1%), Distrito Federal (+7,7%) e Paraíba (+10,4%) ficaram no rodapé. 

Veículos e construção

Em razão do tamanho da amostragem, o IBGE ainda não segmenta o desempenho do varejo no Amazonas. Na média nacional, seis das oito atividades pesquisadas tiveram taxas negativas, entre agosto e setembro. As quedas mais intensas se deram em equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-3,6%), móveis e eletrodomésticos (-3,5%) e combustíveis e lubrificantes (-2,6%) e tecidos, vestuário e calçados (-1,1%). Atividade de maior peso na formação da taxa de setembro, hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo retrocederam 1,5%.

Sabe-se que o varejo ampliado amazonense – que inclui veículos e suas partes e peças, bem como material de construção – novamente só foi melhor do que a média do setor no Estado, na variação mensal. O volume de vendas subiu 0,7%, no confronto com agosto de 2021, e tombou 10,9% em relação a setembro do ano passado. A atividade, entretanto, subiu 2,5% nos nove meses iniciais deste ano e 5,7%, no acumulado dos 12 meses. Em todo o país, as respectivas variações foram -1,1%, -4,2%, +8% e +7%. 

Já a receita nominal do varejo ampliado do Amazonas ficou estável (+0,1%), na variação mensal e cresceu 1,7% na anual. Os resultados em valores correntes do caixa dos lojistas locais avançaram 17,8% no acumulado dos nove primeiros meses de 2021 e foram positivos em 17,5%, na variação anualizada dos 12 meses. Na média brasileira os números foram +0,3%, +10,6%, +21,6% e +19%, na ordem. 

Custo de vida

O texto de divulgação do IBGE chama a atenção para o efeito inflacionário nos dados da PMC do mês, ao ressaltar que a “pequena retração” no volume de vendas do comércio amazonense, registrado entre janeiro e setembro de 2021, foi acompanhada por um crescimento de dois dígitos na receita nominal capturada no mesmo período. Os resultados, conforme o órgão federal de pesquisa sinalizariam que a inflação pode influenciar não apenas na diminuição do volume de vendas, mas também na expansão artificial da receita nominal.

“O volume tem diminuído, mas os empresários tem aumentado o preço dos produtos para os clientes, o que acaba estabilizando ou aumentando a receita nominal de vendas do comércio. Isso é observado quando comparamos os resultados da variação acumulada do ano, com estabilidade no volume de vendas do Amazonas (+0,4%), e crescimento na receita nominal do comércio varejista (+13,7%)”, assinalou o técnico da Supervisão de Disseminação de Informações do IBGE-AM, Anderson Santos, no mesmo texto.

Diante do novo retrocesso de vendas registrado pelo varejo amazonense em agosto, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, conjectura que “alguns fatores” podem estar influindo no desempenho cadente do setor, como custo de vida mais alto, comprometimento de renda e a própria escalda da inflação. E, segundo o pesquisador, os dados da pesquisa sinalizam mais dificuldades para o varejo, nos próximos meses.

“Os dados da pesquisa mensal de setembro, mostram um comércio com vendas um pouco abaixo do mês anterior. Mas, o mais preocupante é o acumulado que praticamente zerou nesse mês. Indicando que a atividade precisa recuperar-se nos três meses que ainda restam. Mas, a média móvel trimestral está em -1,7%, indicando que há uma forte tendência de desempenho fraco ou negativo na próxima divulgação”, alertou.

O presidente da assembleia geral da ACA (Associação Comercial do Estado do Amazonas), Ataliba David Antonio Filho, destaca a reta final do auxílio emergencial, e o avanço dos juros calibrando as taxas de endividamento e inadimplência, como motivos adicionais para a retração. “Mas, acredito que o aumento do combustível é o principal fator, por seu impacto no custo do transporte de passageiros e de mercadorias. Isso fica embutido no preço. Ainda temos Black Friday e Natal pela frente. Devemos ter aquecimento, mas talvez a gente não consiga nem empatar com o ano passado”, arrematou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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