O Amazonas criou 2.973 empregos formais em setembro, mas desacelerou em relação aos dois meses anteriores. As admissões (+19.809) superaram as demissões (-16.836) pelo nono mês consecutivo, desta vez, por um acréscimo de 0,60% sobre o estoque anterior. O desempenho veio abaixo dos dados de agosto (+4.553) e julho (+3.723), além de configurar um tombo de 42,98% em relação a 12 meses atrás (+5.214). O impulso das contratações veio de Manaus (+2.695) e se disseminou em quase todos os setores econômicos, com destaque positivo para serviços, e negativo para agropecuária.
A alta proporcional de vagas com carteira assinada no Estado (+0,60%) superou novamente a média nacional (+0,48%), mas desta vez ficou atrás da performance da região Norte (+0,79%). O mercado de trabalho formal amazonense encerrou o acumulado do ano com expansão de 4,37% e geração de 20.730 novos postos de trabalho. O estoque –que é a quantidade total de vínculos celetistas ativos –chegou a 494.805 ocupações. Os números foram extraídos da base do ‘Novo Caged’, e foram divulgados pelo Ministério do Trabalho e Previdência, nesta segunda (30).
O Brasil como um todo voltou a ter mais admissões (+2.099.211) do que desligamentos (-1.878.367), mas também desacelerou. O somatório de novos empregos com carteira assinada chegou a 211.764 e configurou alta de 0,48%. Foi um número mais fraco do que o de agosto de 2023 (+220.844) e 23,84% mais fraco do que o de setembro de 2022 (+278.085). Em nove meses, foram criadas 1.599.918 (+3,77%) vagas formais em todo o país, situando o estoque em 44.044343 vínculos empregatícios. Todos os cinco setores econômicos avançaram nas admissões –com destaque para serviços (+98.206). O avanço se espalhou também por todas as cinco regiões e as 27 unidades federativas.
Vale ressaltar que a oferta de empregos formais ainda está distante da demanda dos trabalhadores, tanto em âmbito estadual, quanto nacional. Os números mais recentes do IBGE mostram que o Amazonas encerrou o segundo trimestre de 2023 com o nível de desocupação em queda de 7,62%, mas em um patamar ainda elevado de 187 mil pessoas –ou 9,7% de sua força de trabalho. Apenas 55,4% (1,75 milhão) da população amazonense “apta ao trabalho” (14 anos ou mais) tinha ocupação remunerada, sendo que 56,8% (993 mil) dessas vagas não contavam com carteira assinada. O desempenho do terceiro trimestre de 2023 só será divulgado em novembro.
Serviços e indústria
Diferente do mês anterior, nem todas as cinco atividades econômicas fecharam setembro com mais admissões do que desligamentos no Amazonas. O único dado negativo veio da agropecuária, que voltou a trocar de sinal, ao eliminar 48 ocupações formais e declinar 0,99%, eliminando parte do ganho anterior (+183). Os cortes vieram principalmente da produção florestal (-73) e da pecuária (-19), em detrimento da produção de lavouras temporárias (+46). No aglutinado até setembro, a agropecuária amazonense aparece estatisticamente estagnada, ao eliminar um emprego (-0,02%).
Os serviços mantiveram a liderança do ranking, com aumento de 0,70% no estoque e criação de 1.589 empregos celetistas –contra os 2.503 de agosto. Os números mais relevantes vieram do grupo que reúne informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (+1.174) –principalmente nos serviços de seleção, agenciamento e locação de mão de obra (+670). No acumulado do ano, a alta foi de 6,27% (+13.510).
Em um mês sem datas comemorativas relevantes, o grupo que reúne “comércio e reparação de veículos” (+0,20% e +220) caiu para o quarto lugar do ranking, com um saldo quatro vezes menor do que o de agosto (+882). As contratações vieram quase que exclusivamente do varejo (+305), já que o atacado extinguiu 86 empregos e o segmento de “reparação de automóveis e motocicletas” gerou uma única vaga. De janeiro a setembro, a atividade comercial acumula saldo positivo de 1.550 vagas com carteira assinada (+1,42%).
“Os números revelam duas situações. O setor de serviços é o maior empregador e ainda é o que tem mais expressividade na geração de vagas. O comércio, que vinha crescendo, perdeu o ritmo e começou a oferecer menos empregos. Isso ocorre porque o setor enfrenta a inadimplência do consumidor e a estiagem combaliu a economia. Hoje, o varejo enfrenta custos elevados e desabastecimento. Esperamos que as dragagens venham a diminuir esse problema, considerando que teremos a maior data do calendário comercial em dezembro”, analisou o presidente em exercício da Fecomércio-AM, Aderson Frota.
Indústria e construção
A indústria obteve o terceiro maior saldo positivo da lista, ao criar 475 empregos celetistas (+0,61%), em ritmo inferior ao de agosto (+747) e próximo ao de julho (+435). A indústria de transformação (+438) teve saldos positivos em 14 de seus 25 segmentos, sendo puxada principalmente pelas linhas de produção de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (+395). A indústria extrativa (+8) também teve saldo positivo, assim como as divisões de água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação (+9); e de eletricidade e gás (+20). Em nove meses, os empregos formais da manufatura amazonense avançaram 2,14% (+2.599).
“Saliento que os números locais estão acima da média brasileira, além de apresentarem um valor acumulado anual positivo. Ressalto que esse mesmo período de 2022 antecedia a realização da Copa do Mundo, evento que, historicamente, implica em uma majoração dos indicadores. Precisamos observar com cautela a evolução dos números nos próximos meses, de forma que tenhamos uma avaliação detida do impacto da seca e da variação sazonal do segundo semestre”, ponderou o presidente do Fieam, Antonio Silva.
A construção manteve ritmo de recuperação, ao marcar seu quinto mês de saldo positivo, com o segundo melhor número de empregos (+737) e a maior variação da lista (+2,86%), atingindo performance muito melhor do que do levantamento anterior (+237). O avanço foi disseminado pelos subsetores serviços especializados para construção (+295), construção de edifícios (+274) e obras de infraestrutura (+168). Em nove meses, a atividade ainda é a que detém o maior incremento percentual no Estado (+13,14%), com 3.075 novas vagas.
Em entrevista recente, o presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza, avaliou que o setor também vem desempenhando bem, embora concorde que a seca histórica é um fator que tende a prejudicar o desempenho nos próximos meses. “Temos tido muitas construções imobiliárias, mas as obras de infraestrutura cobrem 50%, o que costuma ocorrer no verão. Essa união [de segmentos] deve manter esse saldo positivo nos próximos meses”, apontou. “Mas, essa relação da seca dos rios desde já tende a encarecer o frete. Quanto mais durar a vazante, e menos navios aportarem por aqui, mais difícil será para o setor”, concluiu.






