Servidores da Suframa cruzam os braços

Em: 3 de dezembro de 2014
Cerca de 600 servidores da Suframa param atividades por um dia em todas as unidades
Cerca de 600 servidores da Suframa param atividades por um dia em todas as unidades

A falta de negociações para a reestruturação salarial levou os servidores da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) a paralisarem suas atividades ontem. A mobilização capitaneada em Manaus pelo Sindframa (Sindicato dos Funcionários da Suframa) em frente a sede da autarquia, teve simultaneidade com as unidades de Roraima, Acre, Rondônia e Amapá. Mesmo com a insatisfação da categoria, não haverá, pelo menos por enquanto, paralisação total. Mas continua o estado de greve, medida decidida em novembro deste ano após a negativa do MPOG (Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão) para melhorias salarias.

Não optar pela greve, segundo lideranças da categoria, foi um aceno de que novos rumos podem ser tomados com a transição ministerial que se aproxima e com a indicação do senador Armando Monteiro (PTB-PE) para o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). A recente troca de superintendentes na autarquia também foi lembrada. De acordo como o presidente do Sindframa, Anderson Belchior, apesar de pareceres favoráveis, uma maior mobilização parlamentar se faz necessária para a manutenção do modelo ZFM.

“O novo superintendente, Gustavo Igrejas, tem se mostrado mais hábil em atender nossas reinvindicações e ainda hoje (ontem, 03) estará em Brasília conversando com o titular da pasta de Planejamento. Isto deve ser feito antes do recesso e voltar a carga total em fevereiro. Mas notamos a falta de envolvimento dos parlamentares. Na prorrogação, todos estavam lá para aparecer na foto, mas agora como fazer para manter o modelo se não há força política?” ressalta Belchior.

Greve na pauta

A paralisação vem acompanhada da insatisfação causada pela falta de decisões concretas vindas de Brasília. A categoria aguardava resultados do grupo técnico de trabalho que contava com representantes do MDIC, MPOG, Suframa, Sindframa, CUT (Central Única dos Trabalhadores), Condsef (Confederações dos Trabalhadores no Serviço Público Federal) e Sinsep-Am (Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Amazonas) para desenvolver estudos sobre o aperfeiçoamento e a reestruturação da carreira da Suframa.
Com o fim do grupo de trabalho em novembro último e sem definições, a situação começa a ficar preocupante, explica o secretário do Sindframa, Sidnei Nunes. “Não queremos greve, sabemos o que aconteceu na última e dos seus prejuízos, mas é algo que deve retornar a pauta. Precisamos de uma valorização do servidor da Suframa, que merece um salário justo. A paralisação serve como um alerta, tentamos sensibilizar o Governo Federal para nossa causa. Não queremos mais e nem menos, queremos o que é justo”, resume.

Não faltam recursos

De acordo com Belchior, não faltam recursos para a reestruturação salarial pretendida pela Suframa. Os valores já estariam previstos na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e LOA (Lei Orçamentária Anual). “Não se pode usar o argumento de que não existe verba para o que pedimos. Se houver um veto, não será por problemas técnicos. Do jeito que as coisas andam parece que se trata de um problema com os servidores e não institucional. A MP (Medida Provisória) 660/2014 já recebeu mais de 30 emendas, as nossas tratam de cargos e salários e não estão em disparidade com o texto da MP, portanto tem de ser aprovadas”, conclui.
A MP 660 prevê que a partir de janeiro de 2016, se igualem os vencimentos dos servidores de nível superior, intermediário e auxiliar. “Se não houver a reestruturação, o que pode haver é uma debandada dos servidores de nível superior. Estes são servidores de excelência e logo precisarão migrar para onde se paguem melhores salários. Quando se extinguiram os cargos terceirizados e servidores foram contratados por concurso público, se esperava uma valorização destes últimos, o que não está havendo” afirma Belchior.

Por dentro

O imbróglio entre servidores da Suframa e Governo Federal causou uma greve de 47 dias na autarquia. Iniciada em fevereiro de 2014, a greve gerou um prejuízo de R$ 13 bi e teve fim em 8 de abril com acordos assinados pelo secretário-executivo do MDIC, Ricardo Schaefer. Na ocasião Schaefer afirmou “Vamos trabalhar para implementar logo as melhorias, tanto para a questão da reestruturação da carreira dos servidores da autarquia, quanto para aquelas medidas de curto prazo. Já conversamos com a Superintendência da Suframa, analisamos o orçamento geral deste ano, e creio que podemos implementar rapidamente as medidas previstas”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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