Setor atacadista é destaque no Amazonas e na Região Norte, segundo Ranking Abad Nielsen IQ 2024

Em: 28 de maio de 2024

O subsetor atacadista distribuidor do Amazonas cresceu 5% em termos reais e faturou R$ 6,39 bilhões, no ano passado. O Estado respondeu por quase um terço (32,29%) das vendas da região Norte (R$ 19,79 bilhões) no mesmo período, que avançou 5,43% em relação a 2022. As duas maiores empresas locais – Grupo Nova Era e Dunorte Distribuidora – também ocuparam o topo do ranking nortista e aparecem em destaque no cenário nacional. Os dados são do Ranking Abad NielsenIQ 2024, realizado pela Abad (Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores), em parceria com a consultoria NielsenIQ.

O Amazonas representou 1,58% do mercado atacadista distribuidor brasileiro, que somou R$ 403,9 bilhões em faturamento no ano passado, com uma expansão de 6,28%, também já desconta da inflação do IPCA. De acordo com o estudo, o faturamento global do segmento equivaleu a 52,5% do mercado geral de consumo – que cresceu 9,7% no mesmo período e chegou a um total estimado em R$ 769 bilhões, de acordo com avaliação da NielsenIQ. Essa foi a melhor marca atingida pelo segmento desde 2019 (53%), indicando que o subsetor comercial trabalha em um patamar superior ao cenário pré-pandemia. 

São da região Norte 105 das 740 empresas respondentes da pesquisa, uma participação percentual de 14,19%. Os destaques no Estado e na região, como no ano anterior, são o Superatacado Nova Era (R$ 2,3 bilhões) e a Dunorte (R$ 1,7 bilhão). No ranking amazonense, as posições seguintes foram ocupadas por Big Amigão (R$ 799 milhões), Di Felicia (R$ 788,5 milhões), Broker Amazônia (R$ 252,5 milhões), Tapajós Distribuidora (R$ 199,7 milhões), Fennix Brasil Distribuidora (R$ 155,3 milhões), Real Bebidas da Amazônia Ltda (R$ 105 milhões), CB Comercial (R$ milhões), e Mass Comercio de Materiais de Construção Ltda (R$ 83,1 milhões).

De acordo com a sondagem, as empresas campeãs no Amazonas também ocupam colocações de destaque no cenário nacional. O Grupo Nova Era continua na quarta posição em todo o Brasil, na modalidade Atacado de Autosserviço, enquanto a Dunorte é a oitava e o Big Amigão é o décimo entre os dez maiores na modalidade Atacado de Balcão.

“Margens mínimas”

Em texto divulgado pela assessoria de imprensa do Nova Era, o presidente do grupo empresarial, Luiz Gastaldi, destacou o “trabalho afinado” da equipe, os investimentos em novas tecnologias, produtos e serviços, além da forte relação de confiança construída com os clientes, como fatores fundamentais para o sucesso alcançado pela rede e o bicampeonato no Ranking Abad NielsenIQ. A empresa conta com 13 lojas em Manaus e está presente também em Porto Velho (RO) – com quatro lojas – e Boa Vista (RR) – com duas lojas. O grupo do conta também com outras marcas, como Barato e Pronto e Pátio Gourmet, além de lojas de autosserviço e empreendimentos na área financeira.

Luiz Gastaldi disse à reportagem do Jornal do Commercio que o mercado atacadista amazonense apresenta prós e contras. “Os diferenciais são comuns a todos. Portanto, em tese não são comuns. Falando de oportunidades, quem é daqui tem mais facilidade entre os fornecedores e marcas locais, principalmente ligados a produtos de horti, pescados e frutas. Em termos de riscos, atualmente, houve um aumento muito grande na quantidade de lojas e, de certa forma, cada um vende menos”, ponderou.

O presidente do Grupo Nova Era adianta que a empresa, que trabalha com ‘atacarejo’, pretende inaugurar mais uma loja nos próximos 60 dias e aumentar a equipe. A expectativa de crescimento para 2024 é de 5% “acima da inflação”, mas o dirigente responde que não há segredo para o sucesso e o tricampeonato. “Temos de buscar eficiência, foco no cliente, trabalhar o envolvimento da equipe para o bom atendimento do cliente e operar com margens mínimas, com um mix adequado a cada região da cidade”, ressaltou, acrescentando que o varejo deixa melhores margens do que o atacado, pois conta com maior mix de compras.

Vazante e pandemia

O presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, destacou à reportagem do Jornal do Commercio que a tendência do segmento atacadista hoje é trabalhar em um “novo formato”, em função da logística de transporte e os problemas enfrentados pelo comércio nos últimos anos. “Temos todos a estiagem em 2023, e que anunciam uma segunda edição bem pior em 2024. Tudo isso elevou os custos de transportes e levou à demora na chegada das mercadorias. Temos de levar em consideração também os efeitos da pandemia e das políticas de distância e isolamento social, quando muitos estabelecimentos fecharam”, contextualizou.

Esse formato, conforme Frota, pode ser definido por redução de custos, racionalização de vendas e aproveitamento de uma estrutura de distribuição que esteja ao alcance do lojista, com “redução de entraves e dificuldades”. “Olhando o cenário do Norte do país, você vê que o Amazonas tem uma preponderância muito grande, com os dois maiores grupos da região. Essa atividade tem muita pujança no Estado e os efeitos são benéficos, pois a logística nos faz ser mais racionais e a fazer conta de todos os custos. Todos esses entraves formaram um quadro de razões para o comércio optar da melhor forma possível através dos distribuidores”, finalizou.

Procurado pelo Jornal do Commercio, o Sincadam (Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Estado do Amazonas) não retornou as perguntas da reportagem, até o fechamento desta edição.

Radiografia do setor

Todos os “modelos de operação” apresentaram desempenho positivo no Ranking Abad NielsenIQ 2024. Com crescimento de 10,8%, a categoria de “distribuidor com entrega”, que representa 45,6% do faturamento reportado na pesquisa, ganha destaque. Em seguida estão o “atacado generalista com entrega” (35,6%) e “atacado generalista de autosserviço” (13,1%), com incremento anual de 7,7%. Segundo os organizadores do levantamento, os dados excluem o maior player, que é o Atacadão (R$ 79,1 bilhões de faturamento em 2023), “para ser possível mensurar melhor o segmento”.

O estudo do Ranking Abad/Nielsen é realizado desde 1994 e tem o objetivo de fazer uma radiografia do setor, com informações relevantes para os planos estratégicos e investimentos das empresas atacadistas e distribuidoras e da indústria. Neste ano, os respondentes terão acesso exclusivo ao BI do Ranking. A plataforma de Business Intelligence, desenvolvida pela TARGIT, vai permitir analisar os dados de forma rápida e fácil. Por meio de um painel visual personalizado, será possível extrair relatórios comparativos e interativos.

Já a Abad representa nacionalmente um setor que atende diariamente mais de um milhão de pontos de venda em todos os 5.570 municípios brasileiros, sendo responsável por dar capilaridade à distribuição de produtos industrializados essenciais por todo o território nacional e gerando mais de 524 mil empregos diretos e 5 milhões de empregos indiretos nos estabelecimentos varejistas do país. 

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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