Setor busca consolidação pós-Copa

Em: 5 de janeiro de 2015

Um dos setores que mais faturou no ano, turismo amazonense, espera avanços permanentes

Artur Mamede
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O setor de serviços no Amazonas teve um 2014 de altos e baixos. Segmentos muito importantes para a economia do Estado estiveram em compasso de espera, pouco investindo e lucrando menos ainda. O ano atípico, com Copa do Mundo representou menos dias trabalhados e consequentemente, menos receita. Apenas um dos serviços teve alta considerável e mesmo assim por pouco tempo. O turismo amazonense recebeu até novembro do ano passado cerca de 1 milhão de visitantes, um crescimento de 15% em relação a 2013, segundo a Amazonastur (Empresa Estadual de Turismo do Amazonas). O fluxo registrado foi estimulado principalmente pela Copa do Mundo que durante os jogos realizados em Manaus, gerou receita para o Estado, dando um ‘up’ em serviços como hotelaria, bares e restaurantes.
A capital que foi alvo de críticas quando anunciada como sub-sede de jogos do campeonato mundial, foi tomada de assalto por torcedores, principalmente estrangeiros, mas a movimentação e o estardalhaço duraram apenas o tempo em que o circo do futebol esteve na cidade. Alguns prestadores de serviços e entidades ligadas, acreditaram e investiram, mas mantiveram os pés no chão, contratando e investindo apenas o necessário, explica o presidente da Abih (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Amazonas) Roberto Bulbol “Entendemos que muitos investimentos não se justificariam para tão pouco tempo. O boom trouxe movimento, mas passou”, conta Bulbol.
Ainda assim a Copa do Mundo é responsável pela alta na temporada de cruzeiros marítimos no Amazonas, entre 2014 e 2015, segundo a Amazonastur (Empresa Estadual de Turismo). Em novembro, o primeiro dos 18 navios que trarão turistas estrangeiros ao Estado aportou em Manaus. A nova temporada deve injetar US$ 3,3 milhões na economia, com um crescimento de 12,8% na comparação com o ano passado. A expectativa é que o gasto diário dos turistas chegue a US$ 400. Além de dez navios dos Estados Unidos, o Amazonas vai receber outros seis da Alemanha e dois da Inglaterra, que também teve jogos da Copa em Manaus. No total serão 14.653 turistas, conforme estimativa inicial. O último navio que vai aportar em Manaus é o Hanseatic, no dia 30 de abril de 2015.
Para 2015 o turismo deve ser incrementado com a continuidade de algumas ações já iniciadas em 2014, como afirma o presidente da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Roberto Tadros. “Será necessária uma nova profilaxia, um ordenamento do Centro da cidade. Iniciou-se a retirada dos ambulantes e camelôs, mas ainda falta segurança diuturna para que o turista se sinta seguro”, disse.
A escolha de novos e mais preparados diretores para os órgãos oficiais de turismo Amanzonastur e ManausCult (Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos) deveriam ter critérios mais rígidos para que as melhorias sejam implantadas e postas em funcionamento com maior celeridade e seriedade. “Espero que estes diretores sejam escolhidos vendo o lado técnico da coisa e não como indicações políticas. Assim as conversas entre os governos e o trade turístico tomarão um rumo,” comentou Tadros.

Mais estrutura
Um Centro de Convenções maior e um melhor uso da Arena da Amazônia além dos eventos esportivos, estão entre as sugestões das entidades ligadas ao turismo. Para o presidente da Abih-AM (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Amazonas) Roberto Bulbol, o esvaziamento dos hotéis após a Copa do Mundo foi motivo para estas sugestões. “Temos que incentivar o turismo de negócios e eventos, para mantermos a frequência dos hotéis em alta. Manaus precisa sediar mais feiras setoriais e grandes eventos empresariais, essa é uma das metas para 2015”, disse.
‘Manaus ainda está engatinhando no turismo de negócios, as feiras, simpósio e outros eventos empresariais poderiam ocupar estes ambientes, mas para isso seria necessário uma maior adaptação da rede hoteleira e espaços para abrigar estes visitantes”, afirma Tadros lembrando que Belém (PA) tem um PIB menor que o de Manaus, mas investe muito mais em turismo.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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