O setor de shopping centers continuará crescendo no País, beneficiado pelas condições favoráveis de crédito e consumo. Por outro lado, deverá enfrentar cada vez mais dificuldades, como na aprovação de projetos, falta de mão de obra qualificada e avanço das compras pela internet. A avaliação foi feita por Carlos Medeiros, presidente da BrMalls, durante palestra no congresso realizado pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).
Dentre os fatores que sustentarão o crescimento do setor de shoppings, está o cenário de redução das taxas de juros, que torna os recursos mais baratos para as empresas. “Vamos continuar vivendo um clima econômico favorável, principalmente com redução das taxas de juros, o que é extremamente relevante para uma indústria de capital intensivo como a nossa”, disse, referindo-se aos investimentos necessários para desenvolver novos projetos, que variam de R$ 100 milhões a R$ 300 milhões, em média.
O presidente da BrMalls, líder do setor com participação em 47 empreendimentos, afirmou que o Brasil também continua se beneficiando do aumento da renda e da redução do nível de desemprego da população, que ajudam a sustentar o avanço do consumo. Ele também lembrou que, desde 1995, as vendas nos shopping centers têm crescido todos os anos, o que serve de incentivo para que novos empreendimentos sejam lançados. “Na média, o setor cresceu três vezes mais que o PIB nesse período”, ressaltou.
Medeiros também avaliou que os varejistas têm se fortalecido pela maior facilidade de acesso ao capital -tanto de private equity quanto de oferta de ações em bolsa. “Antes, as redes não tinham acesso a crédito e cresciam muito devagar, movidas a fluxo de caixa. Nos últimos anos, temos visto uma mudança, com mais acesso a capital por parte dos varejistas”. Outro ponto positivo para as empresas de shoppings é a perspectiva de chegada de marcas internacionais, que ainda não têm uma loja no Brasil.
Preocupações
Um dos principais fatores apontados como preocupação para a indústria de shoppings, na avaliação de Medeiros, é a dificuldade crescente para aprovação de novos projetos. “O setor de real estate tem crescido muito rápido, e a burocracia não tem acompanhado”, observou. Uma das consequências é a migração de muitos empreendimentos para cidades do interior, onde os entraves para se lançar um shopping são menores, disse.
Outra preocupação é a falta de mão de obra qualificada. “A indústria de shoppings não cresceu por muitos anos, e os investidores eram famílias. Não se criou mão de obra qualificada”, observou, temendo uma disputa mais intensa por bons profissionais nos próximos anos.







