Setor crescerá com dificuldades em todo o país

Em: 17 de outubro de 2012
Presidente da BrMalls avalia entraves para atividade, apesar de cenários positivos como a redução nos juros
Presidente da BrMalls avalia entraves para atividade, apesar de cenários positivos como a redução nos juros

O setor de shopping centers continuará crescendo no País, beneficiado pelas condições favoráveis de crédito e consumo. Por outro lado, deverá enfrentar cada vez mais dificuldades, como na aprovação de projetos, falta de mão de obra qualificada e avanço das compras pela internet. A avaliação foi feita por Carlos Medeiros, presidente da BrMalls, durante palestra no congresso realizado pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).
Dentre os fatores que sustentarão o crescimento do setor de shoppings, está o cenário de redução das taxas de juros, que torna os recursos mais baratos para as empresas. “Vamos continuar vivendo um clima econômico favorável, principalmente com redução das taxas de juros, o que é extremamente relevante para uma indústria de capital intensivo como a nossa”, disse, referindo-se aos investimentos necessários para desenvolver novos projetos, que variam de R$ 100 milhões a R$ 300 milhões, em média.
O presidente da BrMalls, líder do setor com participação em 47 empreendimentos, afirmou que o Brasil também continua se beneficiando do aumento da renda e da redução do nível de desemprego da população, que ajudam a sustentar o avanço do consumo. Ele também lembrou que, desde 1995, as vendas nos shopping centers têm crescido todos os anos, o que serve de incentivo para que novos empreendimentos sejam lançados. “Na média, o setor cresceu três vezes mais que o PIB nesse período”, ressaltou.
Medeiros também avaliou que os varejistas têm se fortalecido pela maior facilidade de acesso ao capital -tanto de private equity quanto de oferta de ações em bolsa. “Antes, as redes não tinham acesso a crédito e cresciam muito devagar, movidas a fluxo de caixa. Nos últimos anos, temos visto uma mudança, com mais acesso a capital por parte dos varejistas”. Outro ponto positivo para as empresas de shoppings é a perspectiva de chegada de marcas internacionais, que ainda não têm uma loja no Brasil.

Preocupações

Um dos principais fatores apontados como preocupação para a indústria de shoppings, na avaliação de Medeiros, é a dificuldade crescente para aprovação de novos projetos. “O setor de real estate tem crescido muito rápido, e a burocracia não tem acompanhado”, observou. Uma das consequências é a migração de muitos empreendimentos para cidades do interior, onde os entraves para se lançar um shopping são menores, disse.
Outra preocupação é a falta de mão de obra qualificada. “A indústria de shoppings não cresceu por muitos anos, e os investidores eram famílias. Não se criou mão de obra qualificada”, observou, temendo uma disputa mais intensa por bons profissionais nos próximos anos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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