Setor cultural está em queda

Em: 21 de outubro de 2013
Dos 4,2 milhões de empregados no setor em 2007, apenas 3,7 milhões se mantinham em 2012
Dos 4,2 milhões de empregados no setor em 2007, apenas 3,7 milhões se mantinham em 2012

A cultura parece estar na contramão da economia brasileira. Em pesquisa sobre indicadores culturais feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que o setor, apesar de ter aumentado seu orçamento nos últimos anos, vem sofrendo com a redução do número de pessoas empregadas.
Enquanto o número de trabalhadores formais no país cresceu 5,3% (de 89,9 milhões para 94,7 milhões), o setor de cultura perdeu trabalhadores, segundo a Pnad (Pesquina Nacional por Amostra de Domicílios). Dos 4,2 milhões de empregados em 2007, apenas 3,7 milhões se mantinham empregados em 2012.
A análise dos pesquisadores do IBGE é de que a maior formalização do mercado de trabalho nacional nos últimos anos possa ter contribuído para a migração de trabalhadores dos setores mais informais de cultura para outros setores.
Mas apesar de ter perdido gente, o setor cultural é o que paga melhor. Em média o salário é 30% maior que em outras atividades. Enquanto um trabalhador médio ganha 3,2 salários mínimos, quem trabalha com cultura ganha 4,2 salários.
Em relação a outros setores da sociedade, os que trabalham com cultura são também os que têm maior nível de instrução. Em média, 20,8% (quase 760 mil) tinham nível superior em 2012 contra 14% da média nacional
Apesar de os homens serem maioria no mercado de cultura (53%), esse é o setor onde as mulheres têm maior participação do que qualquer outro ramo de atividade. No Nordeste as mulheres chegaram a ser maioria (entre 2007 e 2009 com 51,7% do mercado) e no Sul, onde estiveram na liderança até 2011 (50,5%). Nessas duas regiões houve queda e no Centro Oeste elevação da participação feminina no mercado de cultura.
Outro fator curioso do setor é que a média de idade de quem trabalhar com cultura é mais jovem que a média de outras atividades.
O estudo mostra que 21,7% dos trabalhadores estava, em 2010, no grupo entre 16 e 24 anos, sendo que na região Norte os jovens têm predomínio no setor com 71,9% da população. Ainda assim houve redução no número de jovens trabalhando no setor nos últimos anos.

Empresas

De acordo com o Cempre (Cadastro Central de Empresas), o setor cultural alcançou em 2010 praticamente 400 mil empresas formalizadas e empregava então 2,1 milhões de pessoas (crescimento de 13,2% em relação a 2007).
As empresas de maior porte (acima de 500 empregados), apesar de representarem 0,1% do total das 400 mil cadastradas, são as que mais empregam: 463 mil empregados.
Isso representa 22% dos empregos e 50% dos salários pagos. Sendo que as empresas de maior porte pagam em média 7,3 salários mínimos. Maior que o 4,2 da média do setor e 3,2 da média nacional.
Curioso também ressaltar que a maior parte das empresas culturais, cerca 330 mil, têm o menor número de pessoas assalariadas (apenas 116 mil) contra 463 mil das empresas de grande porte. Sendo 78,3% desses assalariados são os próprios sócios (empresas que têm de 1 a 4 funcionários). Nas empresas de grande porte, apenas 0,1% são sócios, enquanto 99,9% são assalariados.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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