A cultura parece estar na contramão da economia brasileira. Em pesquisa sobre indicadores culturais feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que o setor, apesar de ter aumentado seu orçamento nos últimos anos, vem sofrendo com a redução do número de pessoas empregadas.
Enquanto o número de trabalhadores formais no país cresceu 5,3% (de 89,9 milhões para 94,7 milhões), o setor de cultura perdeu trabalhadores, segundo a Pnad (Pesquina Nacional por Amostra de Domicílios). Dos 4,2 milhões de empregados em 2007, apenas 3,7 milhões se mantinham empregados em 2012.
A análise dos pesquisadores do IBGE é de que a maior formalização do mercado de trabalho nacional nos últimos anos possa ter contribuído para a migração de trabalhadores dos setores mais informais de cultura para outros setores.
Mas apesar de ter perdido gente, o setor cultural é o que paga melhor. Em média o salário é 30% maior que em outras atividades. Enquanto um trabalhador médio ganha 3,2 salários mínimos, quem trabalha com cultura ganha 4,2 salários.
Em relação a outros setores da sociedade, os que trabalham com cultura são também os que têm maior nível de instrução. Em média, 20,8% (quase 760 mil) tinham nível superior em 2012 contra 14% da média nacional
Apesar de os homens serem maioria no mercado de cultura (53%), esse é o setor onde as mulheres têm maior participação do que qualquer outro ramo de atividade. No Nordeste as mulheres chegaram a ser maioria (entre 2007 e 2009 com 51,7% do mercado) e no Sul, onde estiveram na liderança até 2011 (50,5%). Nessas duas regiões houve queda e no Centro Oeste elevação da participação feminina no mercado de cultura.
Outro fator curioso do setor é que a média de idade de quem trabalhar com cultura é mais jovem que a média de outras atividades.
O estudo mostra que 21,7% dos trabalhadores estava, em 2010, no grupo entre 16 e 24 anos, sendo que na região Norte os jovens têm predomínio no setor com 71,9% da população. Ainda assim houve redução no número de jovens trabalhando no setor nos últimos anos.
Empresas
De acordo com o Cempre (Cadastro Central de Empresas), o setor cultural alcançou em 2010 praticamente 400 mil empresas formalizadas e empregava então 2,1 milhões de pessoas (crescimento de 13,2% em relação a 2007).
As empresas de maior porte (acima de 500 empregados), apesar de representarem 0,1% do total das 400 mil cadastradas, são as que mais empregam: 463 mil empregados.
Isso representa 22% dos empregos e 50% dos salários pagos. Sendo que as empresas de maior porte pagam em média 7,3 salários mínimos. Maior que o 4,2 da média do setor e 3,2 da média nacional.
Curioso também ressaltar que a maior parte das empresas culturais, cerca 330 mil, têm o menor número de pessoas assalariadas (apenas 116 mil) contra 463 mil das empresas de grande porte. Sendo 78,3% desses assalariados são os próprios sócios (empresas que têm de 1 a 4 funcionários). Nas empresas de grande porte, apenas 0,1% são sócios, enquanto 99,9% são assalariados.







