“O setor de moda em Manaus está praticamente começando e ainda é tímido”, afirmou o presidente do SindConf (Sindicato das Indústrias de Confecção do Amazonas), Engels de Medeiros. Atualmente grande parte do que é consumido nessa área, no Amazonas, vem de outros Estados, principalmente dos polos de Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e Nordeste. Quanto aos tecidos e insumos, estes são trazidos do Sul-Sudeste.
De acordo com Medeiros, foi criado um projeto para crescer o setor de confecções que tem contribuído para o de moda. “O projeto conta com 42 empresas e tem ajudado na capacitação, acesso ao mercado e algumas empresas inclusive já visitaram outros polos. Estamos em processo de desenvolvimento, dependemos apenas de investimentos”, disse o presidente do SindConf. Hoje o polo recebe apoio de uma rede de parceiros, como Sebrae, Senai, Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) e Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas). “Nós estamos lutando para que o setor se torne um arranjo produtivo local”, enfatiza Engels.
Para Medeiros, Manaus tem chances para avançar no mercado de moda. “São oportunidades que até 2009 não existiam”, afirma. E exemplifica que o Senai, que antes atendia apenas a área industrial, hoje tem consultores capacitados que dão aulas voltadas para a moda.
“Os polos antigos tem de 40 a 60 anos de experiência. Daqui a oito ou dez anos acredito que já estejamos com nosso polo a todo vapor, apesar de não estarmos com grande produção, nós temos mercado”, explica o presidente.
Segundo Alderlane Ribeiro, docente do curso Técnico em Design de Moda do Ciesa (Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas), apesar do Polo de Moda de Manaus ter sido um ganho para este segmento, ela acredita que ainda falta muito para fazer uma parcela expressiva para a economia regional. “É claro que não podemos esquecer que o mercado de confecção cresceu muito, sendo responsável por um número significativo de empregos diretos ou indiretos em Manaus, no entanto, a principal atividade deste segmento é o fardamento escolar ou profissional, o que deixa o mercado de moda muito aquém destes números. Mas entendo que mais longe já estivemos. O que precisamos e acreditar mais em nossas potencialidades e valorizar mais a prata da casa”, explica.
Personal Stylist
Há dois anos, a jornalista Karen Leão trabalha com moda, começou fazendo apenas matérias para o blog http://www.karenleao.blogspot.com/, e há cerca de um ano é personal stylist, profissional especialista em consultoria de imagem, um das poucas na capital manauara. “Ensinamos como se vestir melhor, mesmo para quem não tem muito dinheiro, fazendo escolhas que melhor se adaptem ao seu estilo e bolso”, afirma.
Para ela, o setor tem boas perspectivas. “Recentemente têm acontecido muitos eventos de moda aqui em Manaus e a tendência é crescer, até porque as pessoas estão começando a conhecer os trabalhos desenvolvidos pelos profissionais daqui”, disse.
Ela destaca que atualmente a população tem tido mais preocupação com a aparência. “Tenho clientes que mudaram de cargo e querem passar uma imagem mais competente, e aí adapto o guarda-roupa deles conforme a estrutura física, trabalho, cores, corte de cabelo, tudo para evidenciar os pontos fortes e esconder os defeitos”, explica a especialista. Segundo ela, a área de moda é muita vasta, pois não envolve somente roupas, mas também maquiagem, acessórios e serviços.
Falta de tecidos e questão climática influenciam na evolução do mercado
De acordo com Alderlane, apesar da procura significativa para se profissionalizar na área, ainda há pessoas que desconhecem o ensino superior na área de moda no Amazonas, atualmente oferecido apenas por uma instituição em Manaus. “Já me deparei com pessoas que reagiram com surpresa quando afirmo que sou professora da área de moda”, disse a docente.
Ela conta que a preferência, no entanto, por grande parte da população, ainda é por cursos que não exigem um investimento tão alto em tempo e financeiro. Para tanto é possível encontrar tanto na capital quanto no interior, cursos técnicos de formação específica (Cortador de Moldes, Costureira, Industrial, Corte e Costura, Estilismo entre outros), alguns oferecidos até em caráter gratuito, que possibilitam a capacitação profissional num período de 2 a 6 meses, dependendo do curso escolhido.
Assim como o presidente do SindConf, ela ainda destaca que o mercado está crescendo, principalmente para os profissionais dos cursos de formação específica. “No entanto continua a afirmar que precisamos valorizar a prata da casa e antes de procurar por um profissional, de abrir concorrência para o profissional de fora, vamos dar uma oportunidade para nossos profissionais, tenho certeza que estes estão mais a par da realidade e das necessidades locais”, enfatiza.
A professora do curso de moda conta também que o cenário do segmento é diferente do restante do país. “Quem faz moda aqui enfrenta maior dificuldade na aquisição de matéria-prima. Só esse fator já nos ocasiona diversos problemas que interferem tanto no processo de criação quanto no processo de execução de uma coleção de moda”, disse Alderlane. De acordo com ela, devido a isso os profissionais tem que trabalhar com as estampas e os tecidos que o mercado local dispõe. “Ou pagamos mais caro e importamos a matéria prima. Isso encarece nosso produto final, e nos leva a investir em processos alternativos de estamparia ou em uma modelagem singular a fim de fazer o diferencial competitivo”, complementa.
Ela ainda aponta para a questão climática no cenário local. “Além disso, temos também a singularidade das medidas antropométricas da mulher amazonense que algumas vezes encontra dificuldades em comprar produtos com caimento perfeito”, explica Alderlane.







