Pesquisa da Interscience encomendada pela Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), realizada com 183 shoppings do país, detectou as tendências e oportunidades do segmento. Segundo o levantamento, os empreendedores estão otimistas com o desempenho do setor, mesmo com o alerta gerado com a crise dos subprimes nos Estados Unidos, que até o momento não afetou o país. A expectativa é de que haja um crescimento de 11% nas vendas em 2008, em relação ao ano passado, que já teve um resultado acima do esperado, com um aumento de 16%. Neste ano, portanto, o setor deverá atingir R$ 64,4 bilhões em faturamento.
Atualmente, o Brasil possui 367 centros de compras, já contabilizados os 16 novos empreendimentos que estão com aberturas marcadas para este ano. Além destes, estão previstos para 2009 mais 16 empreendimentos. Para o presidente da Abrasce, Marcelo Carvalho, as inaugurações são o reflexo dos mais de R$ 7,5 bilhões de capital estrangeiro injetado no país nos últimos três anos, pela abertura de capitais na bolsa ou pelas associações de grupos estrangeiros a empresas nacionais.
Expansão
em vista
A pesquisa apontou mais um ponto positivo no surgimento destes novos empreendimentos: a renovação de toda a indústria. Vinte e três por cento dos shoppings estão em processos de expansão e mais 43% vão iniciar suas ampliações nos próximos dois anos. Ao todo serão quase 30 mil m² de área de expansão.
Norte aparece com 12,5% de crescimento
A maioria dos novos shoppings continua focada na região Sudeste, que concentra 55% dos centros de compras. Das 32 inaugurações previstas no país nos próximos dois anos, 12 são no Estado de São Paulo.
No entanto, se compararmos os novos shoppings ao mercado existente, o maior crescimento está nas regiões Nordeste, com 14% do total, e Centro-Oeste, com participação de 9%. Em 2007, a região Centro-Oeste teve um crescimento de 17,86% e o Norte de 12,5%.
Novos
mercados
Segundo o diretor-executivo da Abrasce, Luiz Fernando Veiga, “estes dados sinalizam a busca dos investidores por novos mercados, mas não indicam uma saturação do Sudeste, afinal é muito mais difícil crescer proporcionalmente em uma região que já possui mais de 50% do total de shoppings no país, enquanto há regiões que não possuem nenhum shopping em suas capitais”, avaliou.
Classe baixa ganha atenção
O público dos shoppings centers ainda é predominantemente das classes A, B e A/B, que juntas representam 64% do total. Apesar disso, começa uma tendência de empreendimentos voltados aos públicos C e D. Luiz Fernando Veiga afirmou que o poder aquisitivo das camadas menos favorecidas financeiramente tem subido graças ao crescimento do trabalho formal e aumento na oferta de crédito, o que fez com que os grupos de investidores passassem a considerar este público como um mercado em potencial.
Para isso, quem aposta neste tipo de empreendimento enfrenta um desafio: oferecer ao mesmo tempo preço e qualidade. “O conceito de shopping está ligado diretamente a características como conforto, sofisticação e segurança e isso independe da classe social. Eles precisam de produtos e serviços acessíveis a sua condição financeira, mas com qualidade” afirmou o executivo da Abrasce. Para ele, “com um mix diferenciado de lojas, oferta de lazer e utilização de recursos tecnológicos é possível desenvolver projetos de alto padrão, a um custo operacional menor e, consequentemente, com serviços e produtos a preços acessíveis”.
Nortista atrai grandes centros
O levantamento mapeou o perfil dos shoppings brasileiros. Em relação ao tamanho, a maior parte, 35%, são pequenos (até 19.999 mil m² de Área Bruta Locável) e regionais (de 30 mil a 59.999 mil m² de ABL). O regional tem maior atuação nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde representam quase 70% dos empreendimentos, enquanto os pequenos têm destaque no Sul, com quase 50% do mercado.
Em entretenimento, os empreendimentos ainda apostam no cinema, presente em 86% dos







