A alta demanda por móveis desenvolvidos no Amazonas vem apresentando bom desempenho este ano. De acordo com dados da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), a produção moveleira no Estado gerou faturamento às indústrias do segmento, nos oito primeiros meses deste ano, de US$ 19.4 milhões, receita 54,03% maior se comparada ao mesmo período do ano passado, quando foram faturados US$ 12.5 milhões.
Segundo o diretor da Móveis Bandeira, especializada na produção de produtos com madeira MDF (usada principalmente para móveis planejados), Mário Bandeira, a produção da empresa dobrou em relação a produção de 2007. “Geralmente, mobiliamos com projetos cerca de dois apartamentos por mês”, informou.
Mário Bandeira também destacou que móveis convencionais, não planejados, também são produzidos pela empresa.
“A demanda por cômodas, roupeiros, armários, balcões também tem apresentado elevada demanda neste ano, superando até mesmo as nossas expectativas”, acrescentou o empresário, que ressaltou ainda que a Móveis Bandeiras só não industrializa estofados.
O diretor da empresa se mostrou bastante satisfeito com a produção da fábrica, mas destacou que o setor mobiliário de Manaus ainda enfrenta alguns entraves. “Há três anos, Uma das maiores dificuldades das movelarias era a falta de serviços. Hoje, o gargalo é a mão-de-obra qualificada”, informou.
A Móveis Bandeira emprega atualmente seis funcionários, responsáveis pela produção de móveis, mas já chegou a gerar 28 empregos diretos e indiretos. Segundo a direção da empresa a produção poderia ser bem maior se houvesse mão-de-obra qualificada em Manaus. “Às vezes deixamos de atender clientes, e fazer vistas por não termos trabalhadores qualificados para atender a demanda. Não descartamos a possibilidade de buscar trabalhadores em outras localidades”, pontuou o executivo.
Material para produção vêm de São Paulo
A direção da Móveis Bandeira também destacou que a falta de material para a produção de móveis em MDF também é deficiente em Manaus, e grande parte da matéria-prima usada na produção da empresa, como laminados, fita de bordas e coletor de pó, são importados de outros Estados, como São Paulo.
Atuando no mercado amazonense há 17 anos, a Móveis Bandeira já recebeu diversos prêmios nas diversas feiras e exposições de móveis, das quais participou. A empresa procura também proporcionar a seus clientes o ambiente ideal e diferente para cada tipo de pessoa por meio de projetos elaborados por arquitetos ou pela própria direção da empresa.
Artesanato em baixa
Se por um lado, a produção de móveis em MDF vem apresentando bom desempenho, por outro, a procura por móveis artesanais não vem obtendo o mesmo destaque que os demais segmentos mobiliários.
De acordo com o empresário do ramo, Veríssimo Ribeiro, a produção de móveis produzidos por meio de cipós amazônicos obteve queda considerável. “Há três anos, a procura por móveis produzidos por cipó tinha uma alta procura, mas atualmente anda cada vez menor”, enfatizou.
Segundo Veríssimo, os principais fatores que contribuem para a baixa produção de móveis do segmento são: a concorrência com produtos similares, considerado por ele como material inferior, quando comparados com o material utilizado por seus produtos, o alto custo do material utilizado na fabricação de móveis artesanais, e a desvalorização dos produtos locais por parte da população.
Segundo o empresário artesão, para não ter prejuízos, atualmente só fabrica móveis por encomendas. “Tenho me dedicado principalmente na fabricação de cestarias, que é um produto mais barato e que tem maior procura”, informou Veríssimo, que possui uma loja na Central de Artesanato Branco e Silva.
“O quilo do cipó atualmente é R$ 6, e uma sala de jantar chega a R$ 1.200. 40% desse total vai para o material consumido, e os outros 60% são divididos entre lucro e despesas como mão de obra”, observou o artesão, que também garantiu que um móvel desenvolvido à base de cipó tem durabilidade de até dez anos.







