SETOR PRIMÁRIO – Agricultores reclamam apoio para escoamento

Em: 19 de janeiro de 2012
Segundo a Fetagri, falta investimento, além de apoio logístico e técnico para alavancar economia agrícola no interior do Estado
Segundo a Fetagri, falta investimento, além de apoio logístico e técnico para alavancar economia agrícola no interior do Estado

“Pra falar a verdade, estamos praticamente abandonados, trabalhando por conta própria”. A afirmação é da agricultora familiar Astérea de Jesus (55), do município do Careiro Castanho. A reivindicação da produtora faz parte de uma série de reclamações feitas por agricultores associados à Fetagri-AM (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Amazonas), que tem tido dificuldade com apoio logístico e técnico e pouco investimento.
“A gente sempre vê o trabalhador reclamando. A fábrica está instalada, mas o desenvolvimento do agricultor vem paulatinamente”, disse a representante de políticas de mulheres e sociais da Fetagri-AM, Maria do Rosário Fernandes.
Ela afirma que o trabalhador encontra muita dificuldade para conseguir apoio para construir uma agroindústria individual. “Você tem um incentivo maior para um bloco, grupos formados”, disse. Ela, que tem também uma produção de temperos em Autazes, afirma que os trabalhadores da agricultura familiar têm dificuldades pra fazer o projeto e ter acesso aos créditos.

Investimentos
De acordo com a representante da Fetagri-AM, a maior parte do financiamento vem do governo federal, com o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar).
O deputado estadual Luiz Castro (PPS) também reforça que os investimentos na agroindústria tem contado com pouca participação do governo do Estado e mais com o MDA (Ministério de Desenvolvimento Agrário) e com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Para o deputado, é preciso ampliar os recursos, a assistência técnica aos agricultores e fortalecer os vínculos entre os órgãos que atuam no setor. Ele reforça que o papel da ADS (Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas) é imprescindível na organização da agroindústria.
Outra produtora que afirma não ter o apoio necessário para a produção é Elena Soares (62), de Itacoatiara. A agricultora disse que enfrenta dificuldades em vender as frutas que cultiva, entre elas graviola e acerola. Segundo ela, o gasto com passagem de barco e frete para se locomover da comunidade São Pedro do Iracema até Manaus é grande. A agricultora afirma que há alguns meses contava com o apoio da Sepror-AM (Secretaria de Estado da Produção Rural no Amazonas) no transporte para sair da Feira da Panair até a sede da secretaria, onde ela levava os produtos para vender. Porém o auxílio foi retirado. “Se eu quiser ir até a Sepror, tenho que alugar um carro e fica muito caro. Acabo vendendo por qualquer preço pro intermediário que passa lá comunidade”, afirma.
A Sepror/AM informou, através da gerente de projetos Sônia Alfaia, que vem tentando atender os produtores rurais oferecendo auxílio com barcos e outros transportes. A gerente disse também alguns produtores têm procurado a secretaria devido à retirada de apoio de algumas prefeituras.
Os agricultores familiares também reivindicam uma infraestrutura adequada. Segundo Maria do Rosário, na sua propriedade não há energia elétrica, nem água encanada.
Luiz Castro lembra também que alguns produtos com potencial no interior do Amazonas deviam ser incentivados. Um deles é a produção de andiroba em comunidades indígenas, projeto idealizado pela Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas), mas que não teve andamento. Outro projeto é da produção de cupuaçu em Novo Remanso que, segundo o deputado, também não teve continuidade.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar