Depois de muita polêmica em torno do embargo nas obras do shopping popular para os vendedores ambulantes na área do porto de Manaus, surge a perspectiva de que as obras do local possam ser finalizadas até dezembro. Isso porque, em reunião realizada entre a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) e representantes do Uai Shopping em Brasília, houve parecer favorável ao grupo mineiro, caso seja apresentado um TAC (Termo de Ajuste de Conduta).
No documento, que será redigido pelo Uai Shopping, os empresários responsáveis pela obra se comprometem em concluir as atividades em um prazo de 36 meses. A previsão é que o TAC seja entregue no próximo dia 7 à agência. Após esta data, será marcada uma outra reunião entre os empresários e a Antaq para validar todos os termos.
“Se eles [a Antaq] aceitarem e estiverem de acordo com o que foi colocado no TAC, vamos voltar às obras o mais rápido possível. A nossa estimativa é que o Shopping Popular seja construído em 40 dias corridos.”, explicou o diretor de operações do Uai Shopping, Elias Tergilene.
De acordo com o executivo, desde que as obras foram suspensas por determinação judicial, o grupo empresarial amarga um prejuízo de R$ 400 mil. “Esse valor corresponde apenas aos gastos com a mão de obra e de alguns materiais que estão sendo deteriorados por estarem parados”, enfatizou.
“A ver navios”
Conforme o presidente do Sincovam (Sindicato do Comércio de Vendedores Ambulantes de Manaus), Raimundo Inácio, o ditado popular expressou a sensação dos camelôs ao saber do embargo do shopping. Em agosto, logo quando a notícia foi confirmada, os ambulantes fizeram um protesto em frente à área onde está sendo construído o centro de compras.
Empresa já investiu R$ 8 mi na estrutura
Raimundo Inácio explica que várias metas já haviam sido traçadas pelos camelôs, sendo a principal referente ao financiamento junto ao Banco da Gente. “Cerca de 70% dos vendedores estavam com planos de fazer empréstimos entre R$ 5.000 e R$ 8.000”, lamentou o dirigente.
Na última semana de setembro, em torno de 18 barracas que haviam sidos retiradas da frente da construção retornaram para as imediações das obras. Inácio disse que a medida foi tomada porque os comerciantes apresentaram reclamações contra o novo local escolhido. “Eles estavam perdendo muitas vendas, pois havia pouco fluxo e era muito quente. A gente autorizou que eles voltassem”, complementou.
A polêmica do “Camelódromo”, como ficou popularmente chamado o empreendimento, ganhou destaque na mídia quando, em 20 de setembro, o juiz da 3ª Vara Federal no Amazonas, Ricardo Augusto de Sales, determinou a derrubada de toda a infra-estrutura erguida no local onde estava sendo construído o Shopping Popular.
Até o momento, o grupo Uai Shopping investiu mais de R$ 8 milhões na obra e a perspectiva é que o centro de compras abrigue mais de 2.000 ambulantes. O local ainda é provisório, pois o camelódromo definitivo, intitulado de shopping Boothline, localizado ao lado do porto de Manaus, deverá ser entregue até 2014. Os comerciantes consideram que o lugar será estratégico. “A área é ótima e vamos pegar gente de todos os cantos. Desde quem vem do interior até aquelas pessoas que estão próximas da estação”, finalizou Inácio.







