Em um país onde 53% da população faz parte da classe média, muitos dos 457 shoppings em operação no Brasil estão sendo forçados pelo mercado a reformular o mix de lojas e trazer estabelecimentos populares de rua para seus corredores. No Manauara Shopping, por exemplo, marcas como Caboquês Ilustrado e Bombons Finos competem com Cavalera e Kopenhagen.
“Os shoppings fazem grandes esforços para ter esses lojistas de rua com eles. O objetivo é trazer esses consumidores populares, que hoje têm maior renda e mais acesso ao crédito”, afirma a superintendente da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), Adriana Colloca.
De acordo com o gerente da loja Bokiné da unidade do Manauara Shopping, Camilo Reis, o movimento da loja compete de perto com a localizada no Centro da cidade. “Existia um receio de abrir uma loja no shopping porque nosso público sempre foi marcado por aqueles que preferem ir ao centro, mas o ponto oferecido era muito bom e tem compensado”, garante.
A loja especializada em instrumentos musicais C. Borges também está no quadro de lojas do Manauara Shopping. Com uma loja sofisticada e aconchegante, a vendedora Andreza Aguiar comenta que o consumidor da unidade do Centro não é diferente do que consome no shopping. “Os preços que praticamos são os mesmos em ambos estabelecimentos. O que difere é a comodidade. Aqui, o cliente se sente mais à vontade para experimentar as peças e ficar mais tempo dentro da loja”,diz Aguiar referindo-se ao mezanino onde os clientes são convidados a ficarem pelo tempo que desejarem. Para encontrar lojas com alto potencial de venda, os dez shoppings da administradora Sonae Sierra Brasil, que se dividem nos Estados de São Paulo, Amazonas, Minas Gerais e Paraná, contam com equipe de planejamento que vasculha as ruas e pequenos centros comerciais do País.
O objetivo, segundo o diretor de operações da administradora, Waldir Chao, é trazer esses estabelecimentos para dentro do shopping e aumentar o fluxo de vendas e de pessoas. “Buscamos lojas que reflitam a comunidade local e comercializem produtos adequados para o público-alvo de cada shopping”, destaca Chao.
Perfil do shopping
Para o consultor de marketing do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Marcelo Sinelli, as lojas populares são realmente a bola da vez para os shoppings. Com a ascensão da classe média, atrair esse público significa ter maior receita, afirma.
No entanto, antes de ingressar em um centro comercial, contudo, o empresário deve avaliar se terá condições de custear o aluguel, taxa de condomínio, luvas (valor pago ao locatário para uso do espaço comercial), fundos de promoção, além de paciência para lidar com as regras da administradora. “O lojista precisa ver se seu produto tem a ver com o perfil do shopping. Não adianta vender roupas populares e baratas em um shopping totalmente focado na classe A”, o consultor dá o exemplo. Segundo a Abrasce, 47 shoppings devem ser lançados no país ainda este ano. “É preciso preparar o fluxo de caixa para lidar com esse começo”, aconselha.







